Novembro Azul: alerta sobre o câncer de próstata

Por Maria Estela Assis e Tania Cerqueira

Essa campanha é dedicada a incentivar que homens façam consultas com médicos e exames preventivos contra o câncer de próstata e peniano. Segundo pesquisa, divulgada em setembro de 2019, na revista Saúde e Instituto Lado a Lado pela Vida, 59% do sexo masculino não costumam manter consultas periódicas.

Entre os motivos mais comuns para evitar o check-up anual estão a falsa ideia de imunidade ligada à virilidade e masculinidade, e a homofobia ao associar o exame de toque à homossexualidade. Entretanto, neste ano, além de ignorância houve um outro fator que influenciou: a necessidade de isolamento social ocasionada pela pandemia. O monitoramento anual é recomendado para todos os homens com idade superior a 50 anos, ou 45 em caso de grupos de risco, como negros, obesos ou histórico de câncer familiar, o que se aproxima, também, da classe mais suscetível ao novo coronavírus.

Marcelo Neves é membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) (imagem: Marcelo Neves via doctoralia)

Mas, de acordo com o membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Marcelo Neves, o número de pacientes que buscam conhecer mais sobre o assunto e realizar a prevenção tem crescido nos últimos anos. 

Quadro geral

Vale destacar que, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), a estimativa, em 2020, é de cerca de 3.330 casos de câncer de próstata apenas no estado do Ceará, atrás somente do câncer de pele, com previsão de 4.000. Por isso, o exame preventivo é tão importante: os diagnósticos precoces elevam as taxas de cura para 90% dos enfermos.

Ademais, o câncer peniano não é relacionado a nenhuma outra causa além da falta de higiene, e, mesmo assim, de acordo com o Instituto Lado a Lado pela Vida, todos os anos, por essa razão, 1.600 brasileiros têm o pênis amputado.

Grupos de risco e sintomas

O câncer ocorre quando há um crescimento descontrolado das células causando a formação de tumores. Essas células podem crescer de forma lenta e não dar sinais ao longo da vida, como também podem crescer rapidamente chegando a atingir outros órgãos e resultando na morte do homem.

O risco de desenvolver a doença aumenta junto com a idade e fica mais significativo após os 50 anos. É importante que a detecção seja feita precocemente, pois o tumor pode ser tratado com mais eficácia em fase inicial. Deve-se descobrir através de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos. Histórico familiar, hábitos alimentares e excesso de gordura corporal são outros fatores de risco. Exposições a aminas aromáticas, arsênio, produtos de petróleo, fuligem e dioxinas também estão associadas ao câncer de próstata.

Ainda segundo dados do INCA, para que aconteça um diagnóstico precoce, os homens devem ficar atentos a alguns sinais como dificuldade de urinar; diminuição do jato de urina; necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite; sangue na urina. Na fase avançada, pode provocar dor óssea, infecção generalizada ou insuficiência renal. 

Exame

A investigação pode ser feita através da dosagem de PSA, um exame de sangue que avalia a quantidade do antígeno prostático específico, mas também pode ser examinado através do toque retal, quando o médico toca a próstata para perceber se há nódulos ou tecidos endurecidos. É feito com o dedo protegido e luva lubrificada. Rápido e indolor. Contudo, a biópsia é o único método capaz de confirmar o câncer.

Segundo uma cartilha do ano de 2019, divulgada no site oficial do INCA, para prevenir deve-se ter hábitos alimentares saudáveis, não fumar, praticar atividades físicas e evitar bebidas alcoólicas. Quando a doença atinge a próstata sem se espalhar para outros órgãos, o tratamento deve ser uma cirurgia, radioterapia ou até mesmo observação vigilante. Já em casos de doença metastática, quando o tumor se espalha, o tratamento adequado é terapia hormonal. A escolha do tratamento só acontece após o médico e o paciente discutirem os prós e contras de cada um.

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