Empreendedorismo feminino: jovens apostam em produtos sustentáveis

Por Victória Crisostomo

O empreendedorismo feminino cresce cada vez mais no Brasil. De acordo com dados  da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo IBGE, no início de 2020, o número de mulheres à frente de negócios no país já é de aproximadamente 9,3 milhões. 

Nos últimos anos, o empoderamento femino vem sendo muito discutido pela sociedade e a quantidade de mulheres que se destacam em posições, ocupadas antes apenas por homens, aumentou bastante. Segundo informações divulgadas pelo Sebrae em 2019, por meio do Relatório Especial de Empreendedorismo Feminino no Brasil, as mulheres representam 48% dos MEIs (Microempreendedores Individuais).

Maria Letycia, dona da EcoForEva, comemorou em sua rede social, na última quarta-feira, 28, o sucesso da loja virtual que passou a enviar os bioabsorventes para todo o Brasil. Foto: Arquivo pessoal

Esse é o caso da universitária de jornalismo Maria Letycia, 19, que decidiu ter o próprio negócio e se tornar empreendedora. A jovem criou com a ajuda da sua avó uma loja virtual  de bioabsorventes. A iniciativa surgiu a partir do incômodo que ela sentia durante o período menstrual.

“A loja nasceu a partir do sentimento de empatia. Eu me odiava quando estava menstruada. Sofria muito com dores e com cólicas, era muito difícil. Então conversei com a minha avó e pedi pra ela fazer um absorvente de pano para mim. Desde que comecei a usar, senti mais conforto durante o período menstrual”, conta Letycia. 

Outro fator decisivo para o surgimento do negócio foi a preocupação da jovem com o meio ambiente, já que os absorventes descartáveis são responsáveis por grande parte da produção de lixo anualmente. “Por causa de mim, várias mulheres não usam mais absorvente descartável. Então já são várias mulheres que não descartam mais um plástico que vai ficar anos na natureza sem se decompor”, relata a empreendedora. 

A universitária optou por agir de forma sustentável desde a produção até a entrega do produto para as suas clientes. Os absorventes de pano, feitos por sua avó,  podem durar em média três ou quatro anos. Além disso, as embalagens são feitas de papel e podem ser reutilizáveis. 

Em apenas seis meses, a estudante já conquistou mais de nove mil seguidores no perfil da loja no Instagram. Letycia acredita que o sucesso do seu trabalho, em pouco tempo, foi graças  a combinação de conteúdos descontraídos, didáticos e acessíveis para falar sobre a educação menstrual e economia sustentável.

A estudante de Ciências Ambientais Hingridy Cristina é dona da Sabonetitos, loja virtual de produtos naturais. Foto: arquivo pessoal.

Já Hingryd Cristina, 21, aluna de Ciências Ambientais, resolveu vender produtos naturais, também através da rede social, para diminuir os impactos gerados no meio ambiente. Sabonetes naturais, hidratantes labiais e escovas de dentes de bambu são alguns dos itens encontrados na loja.

“Comecei a querer ter meu próprio negócio, tem mais ou menos um ano, por motivos de consciência social e ambiental. Vi que muitos produtos, que consumimos de forma diária, têm uma composição muito pesada que não fazem bem pra gente. Comecei a estudar  sobre isso e vi que era possível fazer em casa produtos naturais  com a mesma função dos industrializados, mas que não agridem tanto o meio ambiente quanto o meu corpo”, afirma a estudante.

No primeiro semestre de 2020, o e-commerce, comércio eletrônico,  cresceu 47% no Brasil, maior alta registrada nos últimos 20 anos, segundo uma pesquisa da Ebit|Nielsen. H

Infográfico: Aldeci Oliveira/JornalismoNIC

Hingryd escolheu ter uma loja virtual ao invés de uma loja física já que achou mais fácil e rentável financeiramente. “Como eu não tinha nenhuma renda fixa para investir numa loja física, preferi investir numa loja virtual, que não precisa pagar taxas”, declarou a empreendedora.

Para tornar seu negócio ainda mais sustentável, a universitária de Ciências Ambientais não utiliza plástico em nenhum produto ou embalagem. “Os produtos ajudam a preservação do meio ambiente por conta da composição, que não é nociva”, comenta. 

Hingridy explica a importância de trabalhar com produtos naturais voltados para a sustentabilidade nos dias atuais. Confira.

Dicas para empreender

Empreender é uma vontade de muitas pessoas. Mas na maioria das vezes, por falta de incentivo esse desejo é reprimido. O Jornalismo NIC conversou com as empreendedoras Letycia e Hingrid sobre dicas de como começar um negócio. Confira abaixo:

JN: Quais dicas você daria para quem quer começar um negócio?

ML: Primeiro, o investimento inicial não precisa ser muito. Você pode começar com um investimento baixo e ir trabalhando com isso. Eu comecei com apenas 100 reais. Outro fator é que as pessoas têm muito a ideia de que devem tratar o cliente de uma forma muito robotizada. Eu acho que o que mais fez a loja crescer foi o fato de que sempre fui muito real. Então a dica que eu sempre dou é seja você. Os clientes gostam de ver que estão lidando com uma pessoa e não com uma empresa.

HC: A dica que eu dou pra quem quer começar: é estude muito. Tenha definido a filosofia que você quer ter para a sua loja, porque assim nada vai te abalar se você  tiver definido onde você quer chegar. Por exemplo, uma das filosofias que eu sempre falo é sobre produtos veganos, naturais e empreendimento feminino. Então eu sei que sempre quero manter essa linha, que os meus produtos tem que ser assim porque é o que acredito e o que quero pro meio ambiente. Conheça o seu público, estude muito e acredite mais do que ninguém no seu trabalho.

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