Filme traz luta de uma mulher contra os padrões culturais do século XIX

por Rafaela Alves

 

O filme Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright, se baseia no livro de mesmo nome escrito pela britânica Jane Austen. O longa mostra a vida de Elizabeth Bennet, suas irmãs e os desafios de ser uma jovem em pleno século XIX. Entre temáticas culturais, morais e matrimoniais a autora consegue abordar de forma clara e muito irônica a vida na sociedade aristocrática da época.

Elizabeth Bennet interpretada por Keira Knightley (créditos: Orgulho e Preconceito, 2005)

Elizabeth (Keira Knightley) é uma jovem sonhadora, responsável e muito esperta que questiona certos padrões impostos pela sociedade, principalmente os relacionados ao casamento e educação. Suas quatro irmãs, que são  seu oposto, almejavam o matrimônio como um propósito de vida, principalmente por incentivo da mãe (Brenda Blethyn), que age como casamenteira para as filhas, passando muitas vezes até por cima dos sentimentos delas.

Em um tempo em que as mulheres não possuíam poder de escolha e dependiam principalmente dos pais para se casarem, a atitude de Elizabeth de lutar pelo que acreditava ser o certo, como o simples fato de não casar só por dinheiro, tornava-se muitas vezes uma ofensa para a família e para quem a cercava. Por levarem uma vida com certas “liberdades”, as irmãs Bennet são vistas como fora do padrão imposto, onde as mulheres deveriam ser prendadas, exímias donas de casa e esposas. 

O livro Orgulho e Preconceito fez muito sucesso por volta dos anos 1990, o que gerou uma grande comoção de amor pela escritora e foi considerada pelos críticos como uma obra superior às publicações do mesmo gênero  lançadas até então. O filme, estreado em 2005, não foi o primeiro trabalho audiovisual relacionado ao tema. Em 1995, foi lançada uma série com o  mesmo nome que também conta a história de vida das irmãs Bennet, porém não obteve tanto reconhecimento como o filme. 

A obra cinematográfica consegue retratar boa parte do que Austen passa no livro, preservando a ironia que a escritora possuía. Por ter vivido no mesmo período em que a história se passa, ela trouxe juntamente com o enredo uma crítica aos padrões impostos na época. Por ser uma mulher solteira, passou a vida toda dependente de outras pessoas, chegando muitas vezes a ser contrariada por decisões da família, alcançando sua “independência” financeira apenas aos 36 anos.

Apesar de todas as adaptações que a obra teve, o filme dirigido por Wright é o mais conhecido e chegou a arrecadar cerca de 121,6 milhões de dólares em bilheteria. Por meio da produção, o diretor ganhou o prêmio British Academy of Film and Television Arts de Melhor Roteirista, Diretor ou Produtor em seu primeiro longa-metragem. A adaptação de Orgulho e Preconceito tornou-se um feito cultural, o que popularizou Austen. 

Irmãs Bennet na sacada da casa do Mr. Bingley (créditos: Orgulho e Preconceito, 2005)

Por mais que o filme possua um final feliz e seja categorizado como uma história de amor, essa não era a real intenção da escritora. Suas obras possuem uma complexidade que permite o leitor ter diversas interpretações. Tanto para ler, quanto para assistir ao filme Orgulho e Preconceito, é necessário entender que existe uma pitada de ironia e críticas sociais. 

Ficha técnica

Orgulho e Preconceito

Ano: 2005

Direção: Joe Wright

Países: EUA, França, Reino Unido

Duração: 128 min

Adaptação do livro Pride and Prejudice, de Jane Austen 

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