Série satiriza universo dos super-heróis e traz críticas sociais

Por Mateus Moura

O gênero de super-heróis ganhou destaque no universo cinematográfico pelas obras recém- lançadas, tanto pela Marvel quanto pela DC Comics. A grande maioria dos personagens são representados como protetores da sociedade, ética e moralmente íntegros, que pregam pela paz e justiça. A série The Boys, no entanto, traz o oposto disso.

Produzida pela Amazon Prime, The Boys é uma adaptação de diversas edições de histórias em quadrinhos lançadas em 2006 por Garth Ennis e Darick Robertson. Apesar do intuito de satirizar o universo clichê dos super heróis, a trama não se prende apenas a esse ponto. Há muita violência, humor e, principalmente, críticas sociais.

Imagem The Boys – Crédito: reprodução

A história se passa em nossa sociedade atual, onde existem diversos super-humanos com habilidades únicas. Invisibilidade, capacidade de conversar com animais marinhos, telecinese, força e vários outros. A diferença, no entanto, é que a maldade da série não é transmitida pelos vilões, algo habitual em produções do gênero, e sim pelos próprios “heróis”. Assassinatos, assédio sexual, preconceito e abuso de poder são alguns dos temas abordados.

Em seu início, somos apresentados a uma equipe conhecida como “Os Sete”, formada por Profundo (Chace Crawford), Rainha Maeve (Dominique McElligott), Black Noir (Nathan Mitchell), Trem Bala (Jessie Usher), Luz-Estrela (Erin Moriarty) e Translúcido (Alex Hassell), considerados os mais poderosos do universo. Administrados pela corporação Vought, a série deixa bem claro a adoração da sociedade em relação a eles, principalmente pelo Capitão Pátria (Antony Starr), líder do grupo. 

A série nos mostra, também, como a imagem deles é explorada em excesso e o poder da mídia em influenciar a sociedade. Outdoors, pôsteres, redes sociais, produção de filmes e séries, linha de brinquedos, tudo é aproveitado para que a imagem dos super, como são conhecidos, seja a mais positiva possível.

Paralelo aos Sete, temos Hughie Campbell (Jack Quaid), um rapaz tímido, sem muitas perspectivas, funcionário de uma loja de televisão que, durante um passeio pelas ruas da cidade com sua namorada, Robin, a vê ser brutalmente assassinada por Trem Bala, cujo poder é a super velocidade.

Como era de se esperar, a assessoria da Vought logo tratou de abafar o caso, justificando que Trem Bala estava em uma perseguição de assalto a um banco e que tudo não passou de um acidente. A companhia ainda oferece 40 mil dólares para Hughie em troca do seu silêncio. Ninguém, além de Hughie, parece se importar com a situação e com o quão absurdo aquilo é. Não há questionamentos, não há interferência da polícia. A imagem de integridade e heroísmo criado pela Vought é o suficiente para convencer a todos que, de fato, foi apenas um “acidente de trabalho”.

Hughie, claro, não se convence e passa a alimentar um ódio pela organização, ódio, esse, compartilhado por Billy Butcher (Karl Urban), ex-membro da polícia que oferece à Hughie uma oportunidade de vingança. Durante a trama, outros três personagens se unem à dupla: Francês (Tomer Kapon), Leitinho (Laz Alonso) e Kimiko (Karen Fukuhara). O objetivo é claro: destruir a Vought e os seus depravados super-heróis.

The Boys escancara como as massas são facilmente manipuláveis, colocando os “heróis” como uma espécie de personificação de grandes poderes da nossa sociedade real: políticos, religiosos, pessoas públicas em geral (atores e cantores, por exemplo). Endeusar e seguir cegamente alguém, sem questionamentos, os coloca em um patamar perigoso, onde a sensação de impunidade e controle prevalece. The Boys, entretanto, nos mostra que até os “deuses” estão propensos a imperfeições, falha de caráter e moral, que o poder seduz e, geralmente, as consequências são ruins.

Os Sete e suas inspirações

 

Capitão Pátria

Cap. Pátria – Crédito: reprodução

Líder dos Sete, o personagem foi inspirado no Superman, um dos principais personagens da DC Comics. Possui visão raio X, capacidade de voar, super força, entre outras habilidades. 

Visto como um símbolo da paz dentro do universo de The Boys, assim como o Homem de Ferro, o Capitão Pátria se mostra, na verdade, como um total oposto. Assassinatos, abuso de poder, preconceito e assédio são algumas de suas características.

 

Profundo

Profundo – Crédito :reprodução

Assim como Aquaman, da DC Comics, possui a habilidade de conversar e controlar animais marinhos, além de conseguir sobreviver submerso na água. Considerado como o mais fraco do grupo e ridicularizado internamente, Profundo possui problemas de auto-estima e alcoolismo, além de utilizar sua influência como membro dos Sete para assediar e abusar sexualmente de mulheres.

 

 

Rainha Maeve

Rainha Maeve – Crédito: reprodução

Maeve é uma espécie de Mulher Maravilha. Super força, agilidade e resistência, além dessa caracterização, são algumas das muitas semelhanças entre as duas. Na série, a personagem é homossexual e apaixonada por uma ex-namorada, que, devido ao seu trabalho e na forma como a Vought administra sua imagem, ela precisa se manter reclusa e distante. Claramente, a situação a torna uma pessoa frustrada consigo mesma, demonstrando um sentimento de incapacidade e falta de controle com sua própria vida.

 

Trem Bala

Trem Bala – Crédito: reprodução

Assim como The Flash, Trem Bala possui super velocidade. Foi o responsável pela morte de Robin, namorada de Hughie. Egocêntrico, arrogante e viciado, o personagem se preocupa apenas com sua imagem.

 

 

 

 

 

Luz-Estrela 

Luz Estrela – Crédito: reprodução

A novata do grupo é inspirada na Stargirl, também da DC Comics. Religiosa e com o objetivo de realmente ser uma heroína e salvar o mundo, Luz-Estrela, logo em seu primeiro dia na equipe, sofre abuso sexual de Profundo, após ser chantageada e ameaçada por ele. Foi, também, obrigada pela Vought a usar roupas decotadas, com a justificativa de que traria mais engajamento do público.

Horrorizada ao descobrir que os Sete não eram absolutamente nada que a mídia pregava, a personagem se une a Hughie para destruir a corporação.

 

Translúcido

Translúcido – Crédito: reprodução

Translúcido foi o único personagem adaptado para a série que não está presente nas histórias originais dos quadrinhos. Ele substituiu Jack de Júpiter por questões do elevado custo de CGI que seria para trazer Jack às telas, já que ele possui aparência extraterrestre. Na produção, Translúcido possui a capacidade de tornar-se invisível.

 

 

 

 

Black Noir

Black Noir – Crédito: reprodução

O personagem teve pouco espaço durante a primeira temporada e foi pouco explorado. Há claras inspirações no Batman, por exemplo, devido a forma sombria da caracterização e capacidade de luta corporal.

 

 

 

 

Confira o trailer oficial: 

 

Ficha Técnica:

Título original: The Boys

Direção: Eric Kripke

Lançamento: 1ª temporada (2019), 2ª temporada (2020)

País: Estados Unidos

Gênero: História de super-herói, Suspense, Humor negro, Drama, Ação.

Classificação: 18 anos.

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