Estudo mostra relação entre o emocional e a percepção do tempo

Por Victor Mandarino e Mateus Moura

23 horas, 56 minutos e 4,1 segundos, esse é o tempo necessário para que a Terra gire em torno do seu próprio eixo. O tempo é preciso, mas a nossa percepção em relação a ele pode ser alterada dependendo do nosso estado emocional.

De acordo com uma pesquisa realizada por Philip Gable, professor de psicologia da Universidade de Delaware, em Dover, Estados Unidos, um estado emocional negativo pode causar a sensação de que o tempo passa mais devagar, enquanto o positivo causa o contrário. 

Essas sensações estão ligadas ao que Gable chama de “motivação de aproximação” e “motivação de evitação”. “Quando estamos motivados para fazer algo, temos um objetivo em mente, seja terminar um quebra-cabeça ou fugir de um carro que ultrapassou o sinal vermelho, a velocidade ou a lentidão do tempo podem nos ajudar a atingir esses objetivos. Quando o tempo passa mais rápido, fica mais fácil perseguir uma meta por um período mais longo. Pense em um hobby de que você goste e como o tempo passa mais rápido quando você se dedica a ele. Em contraste, quando a motivação de evitação é acionada, o tempo diminui para evitar que demoremos em situações potencialmente prejudiciais”, explica Gable  na pesquisa.

Percepção na pandemia

Para realizar seu estudo, Gable desenvolveu um aplicativo para smartphone com o objetivo de monitorar as emoções, percepções e comportamentos dos americanos, durante os primeiros meses da pandemia do novo Coronavírus. Ao todo, mil pessoas participaram.

“Cerca de metade disse que sentiu o tempo se arrastar e um quarto indicou que o tempo passou mais rápido do que o normal. O quarto restante relatou que não experimentou nenhuma mudança com o passar do tempo. O fato de o tempo desacelerar ou acelerar estava mais relacionado às emoções das pessoas. Aqueles que relataram estar mais nervosos ou estressados ​​também indicaram que o tempo passou mais devagar, enquanto aqueles que se sentiram felizes e contentes tendem a experimentar a passagem do tempo mais rapidamente”, relata Gable em sua pesquisa.

 

                   Por Victor Mandarino

Já no Reino Unido, uma pesquisa feita no mês de abril na Universidade John Moores, em Liverpool, o professor Ruth S. Ogden criou um questionário on-line onde 604 pessoas responderam. Nele, levava em conta o estado emocional, idade, atividades e seus sentimentos com relação à pandemia. Enquanto a pesquisa de Gable no mês de abril constatou uma porcentagem de 48% de pessoas que indicaram achar o tempo mais lento, apenas 20% tiveram essa percepção na pesquisa de Odgen, como vemos no gráfico abaixo:

 

               Por Victor Mandarino

Ogden concluiu que as pessoas mais velhas, sem muitas atividades e sem muita interação social tinham uma percepção mais pessimista sobre o tempo. Por outro lado, as pessoas mais jovens e com mais atividades durante o dia, tinham a impressão de que o mês acabou mais rápido.

Percepção de tempo  

Para a psicóloga Raquel Cavalcante, o período de retomada das atividades presenciais traz uma nova percepção de tempo. Confira a opinião da profissional:

 

 

 

 

As estudantes Maria Clara e Thainá Cardoso tiveram diversas percepções durante todas as fases da pandemia. Confira os relatos:

Maria Clara Campêlo, 19:

 

Thainá Cardoso, 20:

 

Como melhorar?

Baseado nos dados e pesquisas apresentadas, é comum que, principalmente no momento atual de pandemia, algumas pessoas estejam com o estado emocional negativo e, consequentemente, sofrendo dessa desaceleração do tempo. Essa situação, no entanto, pode ser revertida com ações simples.

                   Por Victor Mandarino 

Dentre as medidas, uma das principais, de acordo com o nutricionista Vittor Miranda, são os exercícios físicos. “A prática de exercícios físicos podem ajudar a todos, independente da faixa etária. Quando praticamos atividades físicas, seja qual for, há uma redução do estresse e dos sintomas de ansiedade, parecido com um processo terapêutico. Essa sensação de bem estar causada pelo exercício físico está relacionado à liberação de endorfina, hormônios ligados ao bem estar físico e emocional”, explica.

 

Para a nutricionista Amanda Pinto, a alimentação também tem papel fundamental no processo, pois é ela quem regula nosso corpo internamente. “A alimentação saudável garante ao nosso corpo todos nutrientes, minerais e vitaminas necessárias, além de auxiliar na produção de energia do nosso corpo e garantir que ele funciona da forma correta. Assim como o exercício físico, a alimentação também está intimamente ligada ao nosso cérebro na produção de hormônios e neurotransmissores que auxiliam nosso bom estado emocional”, comenta.

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