Em meio à pandemia, cresce o uso de drive-in em eventos

Por Selene Facó

A exibição de filmes em espaços abertos para espectadores motorizados surgiu nos Estados Unidos, em 1933, na cidade de Camden, em Nova Jérsei. A invenção do primeiro cinema nesses moldes, originalmente chamado de Park-In Theater (Estacionar no Teatro, em tradução livre do inglês), é atribuída a Richard Hollingshead, o então gerente de vendas de uma empresa de autopeças. 

A invenção teria sido inspirada por reclamações de sua mãe, que não se sentia confortável nas poltronas de cinema convencionais. Hollingshead começou a realizar testes na garagem de casa com técnicas de projeção e som que tornassem possível a realização de sessões ao ar livre, em que espectadores pudessem assistir a filmes de dentro de seus veículos.

Ele patenteou o conceito em 1933, e fundou a empresa Park-In Theaters, Inc., que anunciava a ideia como fonte de diversão para as famílias. Eles se tornaram um ícone da cultura americana das décadas de 1950 e 1960, quando o número de drive-ins, como ficou conhecida a modalidade de espetáculo, ultrapassou a marca de 4.000 nos Estados Unidos.

Pouco visto no Brasil, antes da pandemia do coronavírus, os cinemas no modelo drive-in ressurgiram inicialmente como uma alternativa para a experiência cinematográfica, já que as salas de cinema estavam fechadas para conter a disseminação do vírus. Os drive-ins ganharam novos espaços e recuperaram sua popularidade durante a pandemia em países como EUA, Alemanha, Coréia do Sul e no Brasil. 

Uma nova experiência

Embora não existam dados a respeito, os eventos no modelo drive-in são mais visíveis em nossa cidade. O cinema, que era o principal evento nesse estilo, foi dividindo espaço com shows, eventos religiosos, esportivos e peças teatrais para as mais diferentes idades e públicos. “Ter a experiência de organizar um evento nesse estilo, foi única. Nós pesquisamos o mercado e buscamos informações de experiências que obtiveram êxito e implantamos a nossa realidade”, afirma Veridiano Pinheiro, sócio- proprietário de uma empresa de eventos. 

promotora de eventos, Aline Holanda. Foto: Arquivo pessoal.

Em Fortaleza, além dos tradicionais cinemas e shows, foram realizados, também no modelo drive-in, diversos eventos exclusivos para o público infantil. “Realizamos um musical do Peter Pan, com apresentação de música, dança e teatro. Além de seguir todas as recomendações do governo, com todas as medidas de segurança”, garante a promotora de eventos, Aline Holanda. 

Alguns eventos religiosos também conseguiram se adaptar a essa nova realidade. “A gente fez um circuito onde as crianças passavam, cada uma em seus carros com suas famílias por uma roleta onde tinha louvor, jogo da memória, missões e, na última, eles ganhavam um versículo para falar para os familiares”, explica Tatiana Teixeira, líder do “CN Kids”, na igreja Comunidade das Nações. Além de cultos on-line, algumas igrejas adaptaram esse momento para o drive-in e conseguiram com toda segurança reunir, em um único espaço, seus fiéis.

Evento para crianças no estilo drive-in na igreja Comunidade das Nações. Foto: Reprodução

“Fui assistir a um jogo de futebol no estacionamento de um shopping. A estrutura montada ficou incrível, com dois telões mostrando as torcidas, tudo personalizado, com muita segurança e diversão. Foi uma forma diferente e segura de juntar as torcidas novamente e matar um pouco da saudade dessa energia”, diz a estudante Cibele Rodrigues sobre sua experiência com o drive-in. Ela ainda ressalta que a organização teve todos os cuidados necessários, desde aferição da temperatura, uso de máscara, distribuição de álcool em gel. “Nós tínhamos que ficar no carro e, caso precisasse de algo, era só ligar a luz do carro ou chamar pelo código no celular, que eles iam te atender”, acrescenta ela.  

Evento estilo drive-in no estacionamento do shopping Iguatemi. Foto: Reprodução.

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