Universidades adotam nova plataforma de ensino

Por Selene Facó

O Moodle (Modular Object Oriented Distance Learning) é um sistema de aprendizagem virtual criado em 2001 pelo cientista computacional Martin Dougiamas, que permite que os professores disponibilizem material didático e proponham tarefas interativas, tais como testes e discussões em fóruns. Para os alunos, o ambiente facilita a troca de conhecimento e de arquivos multimídia. 

O sistema consiste em um software livre, o que significa que qualquer pessoa ou instituição pode fazer o download do programa e adaptá-lo conforme suas necessidades. Com isso, programadores, designers e educadores de diversos países podem contribuir para o desenvolvimento do produto. 

A plataforma é utilizada por alunos e professores como ferramenta de apoio ao ensino à distância em mais de 220 países. No Brasil,  já foi adotada por universidades como USP (Universidade de São Paulo), UFBA (Universidade Federal da Bahia) e UNB (Universidade de Brasília) possibilitando uma flexibilidade e uma melhor qualidade no ensino a distância, durante esse período de pandemia.

Aulas híbridas 

A Universidade de Fortaleza (Unifor), pensando no momento em que estamos vivendo, estruturou um novo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) baseado na plataforma Moodle, uma ferramenta já existente e que permite interação, acompanhamento e  engajamento do aluno em aulas híbridas, que combinam atividades presenciais e remotas.

O novo ambiente virtual oferece de forma integrada um conjunto de ferramentas que vão auxiliar nesse novo método de ensino. “A plataforma já estava sendo pesquisada, planejada e idealizada, inicialmente para os cursos em Educação a Distância (EAD), que a Universidade pretende oferecer. Mas, diante do cenário mundial e as diretrizes do Governo do Estado, foi preciso replanejar e reestruturar para atender a toda a universidade de maneira remota, EAD e híbrida”, diz a coordenadora de EAD e do Núcleo de Tecnologias Educacionais (NTE), Andrea Chagas. 

A coordenadora afirma que o maior desafio durante todo esse processo não foi a criação, mas sim a implantação do Moodle dentro da Unifor, tendo em vista o universo e a grandiosidade da universidade, e a curva de aprendizado de funcionários, professores e agora dos alunos, pois sabe-se que cada um aprende de uma maneira particular.

O corpo docente também está no processo de adaptação e contato com a nova plataforma. “Os professores fizeram um curso oferecido pelo NTE, que explica como utilizar o Moodle, estão conhecendo e mexendo na plataforma, começando a se apropriar das muitas possibilidades que ele traz”, diz a professora do curso de Publicidade e Propaganda, Alessandra Oliveira, que já utilizou o Moodle em seu mestrado e doutorado, e por já possuir familiaridade, está auxiliando seus colegas  nesse processo de aprendizagem. 

Desafio tecnológico

Como qualquer mudança, surgem desafios e questionamentos, e é durante esse momento de aprendizagem que o corpo docente deve tirar todas as dúvidas e explorar todos os recursos da nova plataforma. “Ao meu ver, os dois maiores desafios é o de pensar o planejamento da disciplina, porque o AVA sugere que você repense e reprograme a disciplina de acordo com as ferramentas que ele disponibiliza. E o maior de todos, ao meu ponto de vista, é a adequação tecnológica”, destaca Alessandra.

A tecnologia veio para amenizar a distância e nos manter ativos mesmo com o isolamento. “De uma forma geral, a tecnologia sempre exerceu uma influência em nossa cultura. Consumo, entretenimento e até mesmo a educação, não estão imunes aos avanços tecnológicos”, diz o professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, Aderson Sampaio, que também está com a função de auxiliar os demais a se adaptarem com a nova plataforma. 

Aderson ressalta que a chegada de uma nova plataforma acadêmica é de suma importância nesse momento. “Ela nos impulsiona a repensar novas estratégias didático-metodológicas para as disciplinas, até mesmo quando estivermos podendo exercer nossas atividades presencialmente”, acrescenta.    

Os alunos, desde o início da quarentena, continuaram suas atividades acadêmicas de forma remota, por meio de videoconferências, através de outro aplicativo. A partir desse semestre, além dessa função, o Moodle traz muitas outras que vão fazer com que, mesmo remotamente, o aluno tenha um aprendizado de qualidade. “Eu soube recentemente sobre o AVA, através de um vídeo compartilhado em um grupo da faculdade, mas ainda assim, preciso conhecer mais essa plataforma que dizem ser feita para ajudar e melhorar as aulas a distância”, diz a aluna do 7o semestre do curso de Jornalismo, Yasmin Olivier. 

Yasmin reforça que a expectativa é grande e que, por estar na reta final do curso, espera que, mesmo que seja de modo on-line, essa nova ferramenta a ajude a concluir de forma positiva a graduação. 

Iana Filgueiras, aluna do 7º semestre de Enfermagem. Foto: Arquivo pessoal.

Para Iana Filgueiras, aluna do 7o semestre de Enfermagem, que até então não conhecia a plataforma, diz que algumas de suas professoras do semestre anterior, enviaram arquivos em pdf com instruções acerca da plataforma para que os alunos a  explorassem antes do início das aulas. “No primeiro momento em que abri foi muito estranho, pois já estava acostumada com a plataforma do Unifor Online que utilizamos nos semestres anteriores. Mas, após essa primeira semana de aulas, vejo que a nova plataforma tem oferecido muito mais organização visual que facilita encontrar os conteúdos, marcar arquivos visualizados de forma não automática”, diz a estudante.

 

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