“Não tem como descrever o que eu senti naquele evento”

Por Carolina Romanholi

Maria de Fátima Fonseca é a única cadeirante que representa o estado do Ceará a nível nacional e internacional no atletismo. Com uma trajetória esportiva de sucesso, a atleta se prepara e disputa vaga nas Paralimpíadas de 2021. 

Maria de Fátima Fonseca – Foto: Arquivo pessoal

Com o adiamento do evento devido à pandemia causada pelo Covid-19, as esperanças da paratleta em participar do evento se renovaram. Para ser convocada, ela precisa percorrer 42 km em 1h39m, marca estabelecida pelo ranking.  Ela treina diariamente e se mantém focada em realizar mais um sonho.

Confira seu depoimento:

Conheça a história da desportista 

Fah, como é conhecida, nasceu com mielomeningocele (malformação congênita da coluna vertebral do recém nascido, em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas). Com apenas dois dias de vida foi submetida à uma cirurgia de emergência para realocar sua medula dentro do corpo. 

Seu nome é uma homenagem da mãe à Nossa Senhora de Fátima.  Devota da santa, a dona Clara prometeu à divindade que, se a filha sobrevivesse a cirurgia, a honraria com o seu nome.

Após o êxito da operação, a paratleta teve uma infância animada e feliz como todas as outras crianças. Corria, pulava, brincava e se divertia, mas, aos 13 anos, sua coluna já não aguentava mais o seu peso. Como não possuía cadeira de rodas, a jovem criança passou a depender dos parentes para se locomover. Na escola, ela sentava em sua cadeira e ali ficava até o toque final. As dificuldades de locomoção afetaram sua relação com os colegas de classe. 

“Foi somente aos 17 anos que consegui uma consulta no Hospital Sarah Kubitschek e, finalmente, conheci a minha deficiência. Fui informada que poderia ter uma vida normal como qualquer outra pessoa e foi nessa época que tive minha primeira cadeira de rodas”, lembra Fátima.

No hospital, Fah teve seu primeiro contato com o esporte. Lá, ela conheceu o basquete em cadeira de rodas, mais tarde chegou a disputar alguns campeonatos interestaduais. Mas seu verdadeiro amor era o atletismo, esporte que a levou para a Paralimpíada Rio 2016.

Confira seu depoimento:

“Participar da paralimpíada 2016 foi uma sensação única e surreal. Não tem como descrever o que eu senti naquele evento. De longe, o mais importante e único que já presenciei. A abertura, a vibração da torcida, as competições, não tenho palavras para descrever. Mal conseguia dormir quando estava lá. Fiquei tão anestesiada e impressionada por poder participar do evento esportivo mais importante do planeta, que não conseguia expressar o que tinha dentro de mim”, comenta orgulhosa de sua conquista.

“Participar da paralimpíada 2016 foi uma sensação única e surreal. Não tem como descrever o que eu senti naquele evento. De longe, o mais importante e único que já presenciei.”- Maria de Fátima Fonseca

A desportista tem uma história de luta e sucesso no atletismo cearense. Fah coleciona mais de 60 medalhas conquistadas em competições nacionais e internacionais. Entre elas: a prata na Meia Maratona do Japão, em 2015; o bronze na Meia Maratona de Lisboa, em 2015 e a segunda colocação, em 2016; o segundo lugar na Maratona de Dullug e na Maratona de Los Angeles, em 2018.

Maria de Fátima Fonseca – Foto: Arquivo pessoal.

Até este ano, antes da pandemia, Fátima já havia conquistado inúmeras vitórias. Ela já foi campeã geral na Corrida do Cajueiro (percurso de 7km), 4º lugar na Asics Los Angeles Marathon (42k) e levou quatro medalhas de ouro no Campeonato Regional Norte-Nordeste nas provas de 100m, 200m, 400m e 800m.

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