Presidir clubes de futebol ainda é um desafio para as mulheres

                              Por Carolina Romanholi

Já não é novidade a presença de mulheres no futebol, universo antes exclusivamente masculino. Seja como jogadoras, árbitras ou dirigentes, as mulheres vêm conquistando um cada vez espaço maior nesse meio. 

Maria José Vieira, presidente do Atlético Cearense, é um desses destaques. Atualmente, ela é a única mulher a presidir  um clube no estado. O convite para assumir o cargo surgiu após o jogador cearense Ari, que atualmente joga no Krasnodar (Rússia), arrendar o time.  A aproximação dos dois aconteceu tempos antes, quando a pedagoga foi convidada para escrever a biografia dele.

Maria José Vieira, presidente do Atlético Cearense. Foto: Aurélio Alves/ O Povo

Embora não seja a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente em um clube cearense, Maria é uma das mais reconhecidas pelo trabalho desempenhado. Dedicada, chega cedo ao clube e só sai após deixar tudo resolvido. Descrita como disciplinada, atuante e exigente, Maria gosta de ouvir o feedback da sua equipe, mas não tolera comentários e atitudes machistas.

“É muito difícil [ser mulher no futebol], pois ainda precisamos levantar bandeiras contra o machismo. Existem alguns perigos velados em piadas de mau gosto, em discursos conservadores e em elogios sexistas que atribuem a ascensão das mulheres a favores sexuais”, relata. A presidente acredita que com estudo e coragem as mulheres ganham forças para enfrentar o machismo e o sexismo. “Temos que nos preparar todos os dias. Assumir um cargo de comando não é, nem de longe, um trabalho fácil [para as mulheres]”, ressalta.

Em meio a um mundo tão machista e preconceituoso, as mulheres ainda têm dificuldades para serem aceitas dentro do futebol.  Não é fácil ser do gênero feminino e atuar dentro do esporte mais praticado em todo o mundo. Maria aposta no poder da representatividade para influenciar outras mulheres a ingressarem no mundo do futebol. 

“Acredito que o protagonismo feminino vai para além de um fazer profissional, temos que mostrar caminhos e aderir à ideia de ser representatividade.  Isso pode ser um determinante para que outras pessoas notem o meu trabalho. Espero deixar um legado de resistência e construção para as outras mulheres”, conta.

“Acredito que o protagonismo feminino vai para além de um fazer profissional, temos que mostrar caminhos e aderir à ideia de ser representatividade.” – Maria José Vieira

Além dela, outras mulheres comandam ou já comandaram clubes de futebol no Brasil e no mundo. Aqui no Brasil, Patrícia Amorim presidiu o Flamengo durante três anos, entre 2009 e 2012. Segundo uma reportagem publicada na revista ISTOÉ, a empresária Leila Pereira, principal patrocinadora do Palmeiras, tem planos para chegar ao cargo máximo do clube, a partir de 2021. A israelense Alona Barkat, as espanholas Amaia Gorostiza e María Victoria Pavón, a russa Ekaterina Rybolovleva e a norte-americana Mia Hamm são outros exemplos de mulheres espalhadas pelo mundo que presidem clubes.

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