“Era exatamente aquilo que eu queria fazer: criar histórias”

 Por Maria Estela Assis

 

Jacinto Junior, estudante de psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor), tem três livros publicados: “Os Dois, Nós três”, “Ala dos Gritos” e “Privacidade: A Crônica de Delfos”.

A decisão de se tornar um escritor não foi planejada. “Eu nunca parei para decidir, sempre li muito desde criança e, em algum momento da infância, descobri que aquilo que lia era escrito por outras pessoas. Foi como uma revelação, era exatamente aquilo que eu queria fazer: criar histórias que pudessem ser lidas por outras pessoas”, comenta.

Capa do seu primeiro livro “Os dois, nós três”.

Seu primeiro livro publicado foi “Os dois, Nós três”. O  autor demorou cerca de cinco anos para escrevê-lo, e considera o período de produção turbulento. “As ideias iniciais do livro surgiram em 2011 e, durante muito tempo, eu escrevia coisas, apagava e depois escrevia mais um pouco. Mas foi  na metade de 2016 em que parei, arregacei as mangas e finalizei o trabalho”, explica.

O escritor enfrentou um bloqueio criativo por cerca de um ano, o qual superou com apoio psicológico. “Foi um período ruim, mas consegui tirar bons frutos disso. Hoje, enquanto estudante de psicologia, meu foco é a escrita. Cheguei até a criar um serviço de psicologia na UNIFOR para atender alunos com bloqueios de escrita. Há males que vem para o bem”, acrescenta.

Outra dificuldade que o autor enfrenta é conciliar a rotina de estudo com a escrita dos livros. “Ser estudante do ensino superior, normalmente, não é uma coisa fácil. É algo que nos demanda tempo, muito esforço, é estressante. Em Psicologia, particularmente, o curso é voltado inteiramente para a leitura de artigos, livros e muita produção. É comum que, em um semestre, a gente chegue a escrever três ou mais artigos. Assim, a maior dificuldade, pelo menos para mim, é conciliar tudo isso”, relata.

Limitações

Jacinto ressalta a questão financeira como um dos impasses para a publicação de uma obra. Sua primeira tentativa de publicar fracassou devido à quantia com que teria de arcar, que seria superior a 20 mil reais. “O mercado editorial não é muito acolhedor para quem está começando e, principalmente, para quem não tem dinheiro”, comenta.

“Atualmente, escritores que não são ‘endinheirados’ acabam começando por editorias de médio porte”, afirma. E foi numa dessas editoras que ele encontrou a oportunidade de publicar seu primeiro livro. A editora lhe propôs uma meta de vendas que se fosse ultrapassada eliminaria quaisquer custos provenientes. Sua estréia ocorreu em outubro de 2017. “Eu consegui bater a meta e acabei até batendo recorde de vendas na época”, conta sobre o processo de publicação.

Hoje, Jacinto não tem mais vínculos com nenhuma editora e produz seu conteúdo de forma independente. No final de março, no período em que Fortaleza teve o início do isolamento social, ele disponibilizou suas obras gratuitamente.

Capa do livro “Ala dos gritos”, do autor Jacinto Junior.

“Minha mãe é transplantada e faz parte do grupo de risco da COVID-19, então ela foi, desde sempre, minha maior motivação para disponibilizar minhas obras gratuitamente. Quando os primeiros casos de Coronavírus começaram a ser confirmados, já se sabia que a estratégia mais eficaz para enfrentar essa pandemia era a de isolamento social. Assim surgiu a ideia: eu sabia que poderia ser algo pequeno, mas era uma forma que poderia ajudar no momento. Como o ponto chave desse vírus é a alta taxa de contágio, se eu conseguisse fazer com que mais pessoas ficassem em casa, aderissem a essa medida de segurança, por que não tentar?”, pergunta.

Capa do livro “Privacidade”, do autor Jacinto Junior.

 Segundo o escritor, durante o tempo de sua iniciativa, milhares de downloads foram feitos. “Espero que tenha servido de alguma coisa”, enfatiza. Seus livros agora estão disponíveis em forma de e-book por um preço entre R$ 1,99 e R$ 5,99, e gratuitamente na Amazon para usuários do serviço KindleUnlimited.

Em seu novo projeto, Jacinto integra o OXE, um coletivo de escritoras e escritores nordestinos LGBTQ+ [Lésbicas, Gays, Bi, Trans, Queer/Questionando e outros].“O intuito é fazer um ponto comum para que a gente possa se conhecer, unir e pensar em estratégias de valorização a literatura regional”, comenta.  O projeto pode ser acompanhado pelo Instragram através do perfil @oxelgbtne. 

 

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