Jogo eletrônico foca na sobrevivência em meio a pandemia

por Halleyxon Augusto 

“The Last of Us” é um jogo que conta a história de dois personagens que lutam para sobreviver em um período pós-apocalíptico, sem esperança. O universo do jogo é constantemente perigoso e imprevisível, pois retrata a decadência de uma sociedade. 

Com uma jogabilidade satisfatória, baseada em escolhas e de uma narrativa encantadora, ele é considerado por muitos como sendo o melhor jogo exclusivo do PlayStation 3 e PlayStation 4. A desenvolvedora, Naughty Dog, conseguiu passar de forma muito precisa a visão de uns Estados Unidos dominados por pandemias, mostrando os personagens que povoam esse território infeliz contando suas histórias individualmente. O tempo total de gameplay pode chegar até mais de 17 horas.

História e mecânicas do jogo

Os jogadores controlam Joel, um sobrevivente com a idade avançada, preso em uma rotina que qualquer pessoa poderia imaginar se encontrar em duas décadas, após o colapso da sociedade. Joel faz trabalhos estranhos, adquire alimentos, roupas e abrigo, repetindo esse mesmo processo sempre, se tornando mais doloroso com o passar do tempo. Ele faz o que é necessário para permanecer vivo e sua sobrevivência geralmente significa a morte prematura de outra pessoa.

Mesmo amedrontado por seu passado, mas vivendo em seu presente, Joel é estranhamente relacionável. Ele possui memórias de sua humanidade da melhor maneira possível, considerando as circunstâncias extraordinárias em que se encontra.

“The Last of Us” se passa em 2033, então o mundo comum que Joel relembra é o que você conhece. É impressionante pensar em como ele progrediu desde que o mundo sucumbiu ao seu redor, e, mesmo ele fazendo o necessário para permanecer vivo, chegando ao limite de ter que roubar e assassinar, é difícil culpá-lo por isso. 

Por mais incrível que seja, ele não é o único personagem principal em “The Last of Us”. Chamá-lo de personagem principal é verdade até determinado ponto, porque é sua companheira, uma jovem garota chamada Ellie, quem realmente chama a atenção de todos. Joel faz um acordo com uma líder de um grupo chamado “Os Vaga-lumes”, no início da aventura, para ajudar a transportar Ellie através do que resta dos Estados Unidos. Daí em diante, os dois são praticamente inseparáveis, mesmo que inicialmente não tenham um bom relacionamento.

Joel e Ellie desenvolvem um tipo de relacionamento de pai e filha à medida que se avança no jogo. Ellie nasceu após o colapso e, como tal, está cheia de perguntas e admiração, frequentemente ocorrem diálogos entre ela e Joel sobre como era o mundo antes do apocalipse. 

A interação entre Joel e Ellie, bem como com os outros personagens que aparecem ao longo da história, é um dos grandes destaques de “The Last of Us”. A dublagem e os gráficos foram considerados excelentes pelo Game of the Year Awards 2014 e Inside Gaming Awards 2013. Tudo o que acontece é imediatamente mais memorável, porque o seu ambiente é muito imersível. Florestas, campos e trilhas arborizadas são cobertas de vegetação, densas. Aldeias e cidades abandonadas são sinistras, silenciosas e em ruínas. Cada local é único, cuidadosamente criado e repleto de pequenos detalhes, que contam histórias do ambiente que o jogar pode explorar.

Cenário de “The last of Us”. foto: TorinoGT

“The Last of Us” se passa em um belo cenário, mas que é frequentemente ofuscado pelo perigo constante. Joel e Ellie enfrentarão inimigos em todos os vários locais que visitarem. O combate é tenso e estressante. Lutar é tão emocionalmente desgastante quanto fisicamente perigoso, porque as pessoas que Joel luta são, como ele, apenas pessoas normais tentando sobreviver.

Imagem de uma cena em stealth no jogo. Foto: cutewallpaper

O colapso da sociedade foi provocado pela súbita prevalência de um fungo que causa estragos na mente humana, e esses humanos – conhecidos não tão amorosamente como “Os Infectados” – estão vivos, mas não estão bem. Não importa em que facção da humanidade uma pessoa se enquadre, seja ele com os remanescentes do governo federal, ou com grupos desonestos conhecidos como “Hunters” (Caçadores, em tradução livre do inglês), ou mesmo com a misteriosa organização de resistência conhecida como “Os Vaga-lumes”, todos estão unidos contra “Os Infectados”. Isso ocorre simplesmente porque os afetados pelo fungo, por sua vez, podem infectar outros, aumentando ainda mais os números de humanos mortos. Eles são uma ameaça perpétua para a menor esperança de que a humanidade possa um dia recuar da extinção, e encontrá-los é sempre assustador.

Eles agem ao contrário de seus adversários humanos, que freqüentemente trabalham juntos, comunicam-se de maneira audível, planejam suas ações e praticam a autopreservação. 

As versões menores de infectados, conhecidas popularmente como “Runners” (Corredores, em tradução livre do inglês), podem ser mortos com armas de fogo e ataques corpo a corpo, mas são os “Clickers” – personagens tão infectados pelo fungo Cordyceps que eles nem conseguem ver – que assombram seus sonhos. Eles só podem ser mortos com ataques silenciosos de facas ou por arma de fogo – o silêncio é mais frequentemente a sua melhor arma contra eles – mas se eles colocam as mãos no inimigo, o jogo acaba. Nesse mundo, eles são a verdadeira ameaça. É improvável que o jogador se sinta confortável ao lidar com eles, estando a poucos metros, agachando-se, esperando que eles não o percebam.

Outro aspecto interessante do jogo são as opções de criação, que acontecem em tempo real. O sistema é muito tenso, considerando que o jogador pode usar, por exemplo, álcool e trapos para criar um pacote de cura ou um coquetel molotov, mas não ambos com os mesmos produtos. Ao completar a exploração nos ambientes poderão ser encontrados os componentes necessários para a criação dos itens, oferecendo mais um motivo para inspecionar os arredores que já estão sendo procurados.

Joel também pode se atualizar com pílulas e outros suplementos ocultos ao longo da aventura, embora aqui o jogador também precise fazer escolhas cuidadosas, pois não há remédio suficiente em uma jogada para atualizá-lo completamente. Da mesma forma, todas as suas armas (pistolas, espingardas e rifles), também podem ser atualizadas usando peças e ferramentas encontradas durante a jornada. Da mesma forma, o jogador não poderá maximizar tudo, então precisará tomar decisões ponderadas. Isso adiciona uma inclinação tática analítica a “The Last of Us”.

Umas das cenas mais comoventes do jogo ocorre quando Ellie interage com uma girafa. Foto: TorinoGT

Isso perpetua consequências reais com base em suas decisões. O jogador vai optar por ataques corpo a corpo para economizar munição para o outro dia? Ou vai andar armado e torcer para encontrar munição nos corpos que deixa no seu caminho? A maneira como vai navegar ao longo do jogo tem efeitos consideráveis ​​na forma como aborda futuros encontros com inimigos, adicionando uma dinâmica especial ao “The Last of Us”, que não é encontrada em muitos jogos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php