O veneno inevitável nas mesas dos brasileiros​

por Projeto Radar

De janeiro a outubro de 2019, 382 agrotóxicos já foram liberados no Brasil. Os números do governo de Jair Bolsonaro já superam os dados do mesmo período do ano passado, quando houve 309 registros. A notável velocidade na disponibilidade dos agrotóxicos, se deve pelas “medidas desburocratizantes” adotadas, em especial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando o Marco Regulatório para Agrotóxicos foi incluído no Diário Oficial da União, no início do ano. Hoje o uso dessas substâncias na agricultura se tornou normal, mas como isso começou?

Infográfico: Halleyxon Augusto.

A Lei dos agrotóxicos (LEI Nº 7.802), do dia 11 de julho de 1989 dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências. Para que uma substância possa ser liberada é necessário passar por três órgãos:

Ceará é pioneiro em proibir pulverização aérea

No dia 9 de janeiro de 2019, entrou em vigor no PROJETO DE LEI N.º 18/15 que no Art. 28-B proíbe a pulverização de agrotóxicos no Ceará. Produtores que desrespeitarem o projeto de lei terão que pagar uma multa de 15 mil reais. O projeto foi apresentado pelo deputado Renato Roseno (PSOL), aceito em dezembro de 2018 pela Assembleia Legislativa do Ceará e assinado no dia 8 de janeiro de 2019 pelo governador Camilo Santana (PT).

Um dos principais motivos para a proibição da pulverização aérea segundo Larissa Mies Bombardi, professora do departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, está associada à redução das populações de abelhas e outros insetos. “Eles são responsáveis pela polinização. A médio prazo isso leva à diminuição da diversidade.”

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a contaminação das águas, das terras, dos animais e dos trabalhadores por agrotóxicos é potencializada pela pulverização aérea na medida que a prática resulta em forte escoamento do produto químico para além do alvo da aplicação.

Embrapa, concluiu que, mesmo com a “deriva técnica”,que diz respeito ao movimento de um produto no ar durante ou depois da aplicação para um local diferente do planejado, ou seja, é tudo aquilo que não atinge o alvo durante a aplicação.

“Os agrotóxicos assim aplicados, sob a ação dos ventos, atingem grandes extensões de terras para além da área ocupada pelas empresas da fruticultura, impactando toda a biodiversidade e a população em dimensões regionais”. – Renato Roseno

Infográfico: Halleyxon Augusto.

Os mecanismo de defesa para os “defensivos agrícolas”

Como vimos anteriormente, os agrotóxicos que chegam nas mesas dos brasileiros causam males para a saúde e, por conta disso, o projeto “Agrotóxico mata”, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Fazem parte da ação órgãos, como a  Associação Brasileira de Agroecologia, Movimento das Mulheres Camponesas,  Fundação Oswaldo Cruz, Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal, entre outras. A campanha tem como objetivos fazer denúncias sobre os efeitos causados pelo uso dos agrotóxicos e incentivar a agroecologia.

Infográfico: Halleyxon Augusto.

Os alimentos orgânicos também são uma forma de resistência aos defensivos agrícolas. Eles são caracterizados pelos processos de produção e técnicas que não utilizam substâncias químicas como pesticidas. Esses alimentos, antes de serem comercializados, precisam receber um selo de certificação. Este selo, por sua vez, é fornecido pelas associações de agricultura orgânica ou por outros órgãos independentes. Dentre os principais alimentos orgânicos produzidos no Brasil destacamos: cana, soja, cacau, gengibre, guaraná, manga, morango, pêssego, tomate e uva.

Segundo especialistas, a produção agrícola sem o uso de pesticidas químicos traz benefícios. Os alimentos orgânicos são mais saudáveis, na teoria, pois são livres de hormônios. Além disso, protegem o meio ambiente por não utilizarem substâncias que contaminam o solo, a água ou a vegetação. Mas as vantagens apresentam uma desvantagem para o consumidor. Alimentos orgânicos têm a tendência de serem mais caros que os convencionais, pois são produzidos em menor escala e os custos de produção também são maiores.

Ninguém está pondo veneno no prato de ninguém”. A frase é da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina em entrevista para o site “Exame” (6 de agosto de 2019) e reforça o embate eterno entre agricultores e ambientalistas. E, no meio disso, existe a resistência.

 

Esta matéria foi produzida por estudantes do curso de Jornalismo da Unifor como trabalho da disciplina de Projeto Integrador I, ministrada pela professora Adriana Santiago. Para conferir o material original clique na imagem abaixo!

Expediente Projeto Radar

  • Edição: Sarah do Nascimento Rebouças Viana e Sabrina Esteves Frota
  • Audiovisual: Clara Beatriz Studart Sales, Halleyxon Augusto Pessoa Xavier, Rafaela Alves Vieira, Isabella Mara Campos de Oliveira
  • Redação: Marília Brizeno de Souza, Victor Lucio Pereira Barbosa Lima, Carlos Gleidson Feitosa e Silva

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