Quase metade dos brasileiros já foi vítima de golpes financeiros

Por Paulyanne Tesla

 

O universo digital oferece inúmeras facilidades para realizar os mais diversos serviços. Porém, é necessário ficar atento aos riscos que esse meio pode apresentar, afinal, não é raro encontrar alguém que já tenha sido vítima de armadilhas preparadas por pessoas que  utilizam as plataformas on-line para aplicar golpes.

Uma pesquisa conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o SPC Brasil e o Sebrae, constatou que 46,0% dos internautas brasileiros já sofreram algum tipo de golpe financeiro dentro do período de 12 meses anteriores ao estudo. Os dados foram coletados entre maio e junho de 2019 e incluíam clonagem de cartões, pagamento de serviços não realizados, falsas cobranças e transações financeiras sem autorização da vítima.

De acordo com Boot Santos, pesquisador na área de Segurança da Informação, uma prática que tem se tornado cada vez mais comum é a de “roubar” o whatsapp de quem anunciou algum produto ou serviço na internet. 

A metodologia é simples, mas perigosa. Os fraudadores monitoram plataformas de vendas onde várias pessoas tenham anunciado algum produto. Por meio das informações disponibilizadas no próprio anúncio, eles entram em contato com a vítima, em nome da plataforma de vendas, com o suposto objetivo de confirmar alguns dados ou dar mais visibilidade ao anúncio, por exemplo. A partir daí, eles pedem ao usuário para confirmar um código numérico recebido via SMS. Quando a mensagem é respondida pela vítima, o fraudador inicia o processo para transferir o WhatsApp para um novo celular, o código de verificação é, na verdade, o código para ativar a conta. 

Boot conta que outro golpe muito comum, mas mais sofisticado, é ligar para as pessoas apresentando informações verdadeiras com o intuito de também “roubar o whatsapp”. “Tentaram contra minha sogra. Ela estava na cozinha tomando café quando recebeu uma ligação chamando para formatura de uma amiga, a amiga existe e estava se formando. No meio da ligação, solicitaram um código e eu vi aparecer o WhatsApp. Rapidamente pedi pra ela não passar e desligar.”

Cibele Lemos, que quase caiu no golpe, conta que quando seu genro, Boot, a alertou que era fraude, demorou para acreditar. “Eles disseram nome completo da minha amiga, curso que ela estava se formando, foram bem específicos. Eu dizia a ele que não era golpe, ela era minha amiga mesmo, ela estava se formando.”

Cibele afirma que se não fosse ele, teria passado o código e, consequentemente, teria seu Whatsapp roubado.

Dicas para evitar fraudes

O Analista de Sistemas, Fábio Weydson, ressalta que as pessoas mal intencionadas, até mesmo quadrilhas especializadas em roubo de dados e extorsão, tendem a se passar por pessoas próximas da vítima, como conhecidos, colegas de trabalho ou membros da família. Por isso, é sempre bom fazer uma verificação por ligação ou por mensagem de voz da pessoa que vai receber  pagamentos, transferências ou qualquer atividade envolvendo quantias em dinheiro.

No infográfico abaixo você pode conferir algumas dicas de Boot Campos e qual o procedimento indicado pela APECOF (Associação Nacional dos Peritos em Computação Forense) quando o WhatsApp é clonado.

Infografia: Paulyanne Tesla

 

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