Flexibilização do isolamento gera incertezas

Por Selene Facó

O número de infectados pelo novo coronavírus no Ceará chegou a mais de 76 mil e mais de 4 mil mortes, segundo informa a Secretaria de Saúde, o IntegraSUS, atualizado no último sábado (13). No último dia 1°, o Governo do Estado começou a retomada gradual do comércio, permitindo o funcionamento de óticas, material de construção, manicure, barbearia, construção civil e salões de beleza com apenas 30% de sua capacidade. 

esar disso, algumas pessoas têm seguido rigorosamente o regime de isolamento. “A minha experiência de viver somente em casa tem passado por fases até eu conseguir me conformar de que, por enquanto, essa é a melhor opção”, afirma João Estelito, estudante de Jornalismo que se mantêm totalmente isolado desde o início do decreto em março de 2020. 

Após a liberação da abertura gradual de alguns setores da economia decretada pelo governador Camilo Santana, mesmo com o decreto de isolamento ainda em vigor, o Estado tem registrado queda na adesão do cearenses ao isolamento. Segundo a empresa de tecnologia Inloco, o índice de adesão ao isolamento social no Ceará foi de 52,9% para 44,2% no primeiro dia de reabertura do comércio. 

Consequentemente, a quantidade de pessoas aglomeradas nos transportes públicos e nas ruas é nítida. “Estava saindo só quando havia necessidade, mas esses dias resolvi ir junto com umas amigas até a Beira Mar ver o pôr do sol, mais para espairecer. Assim como nós, todos que também estavam lá usavam máscara”, diz a estudante Lowhanny Valentim. A estudante afirma que não teve nenhum tipo de receio ao sair de casa e que voltou rapidamente.

O medo do contágio

Um dos motivos que está fazendo com que as pessoas permaneçam todos os dias, ou maior parte delas, em casa, é a questão do medo de se contaminar e/ou contaminar outras pessoas. “Tenho muito medo dos impactos da abertura, de como vai ser quando tivermos de sair. Eu acho que vou me sentir muito mais vulnerável do que antes e também muito mais responsável pela minha saúde e pela dos outros”, explica a estudante Beatriz Bandeira.

Desde o início da quarentena alguns estabelecimentos permaneceram abertos, locais de serviços essenciais, como bancos e supermercados, onde diariamente são frequentados. “Eu precisei sair porque meus pais são do grupo de risco, então por eu ser o filho mais novo e não estar no grupo de risco, optei em sair quando houvesse algum tipo de necessidade”, afirma o estudante Henrique Freire. Diante do número crescente de mortes mundo a fora, a covid-19 está trazendo outra consequência, o medo e a insegurança, que são  ainda mais frequente nas pessoas que precisam sair. “Eu tenho muito receio porque, para mim, todo mundo está doente”, completa.

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