Empresas e comércio adaptam locais de trabalho durante a flexibilização da quarentena

Bruno Oliveira

 

Com o controle da disseminação da COVID-19 e a diminuição da curva de contágio, alguns setores, como o comércio, estão sendo liberados gradativamente para o retorno das atividades presenciais. Países como Alemanha, Reino Unido, Espanha e Nova Zelândia já liberaram a abertura do comércio. 

Apesar de não haver uma diminuição ou estabilização da curva de contágio no Brasil, governadores e prefeitos decidiram adotar a flexibilização de algumas atividades no país a partir do último dia 8 de junho, incluindo a liberação das atividades presenciais no comércio. 

A volta das atividades presenciais requer muita cautela tanto por parte dos lojistas, como também por parte dos clientes. Lugares de intensa aglomeração, como shoppings, são propensos à propagação do vírus. Com a curva ainda em ascensão, o cuidado deve ser redobrado por aqueles que frequentam lojas em locais como esse.

O empresário Victor Reis, proprietário de uma distribuidora de perfumes, tem sua loja localizada em um dos shoppings de Fortaleza. Ele relata que grande parte dos centros comerciais estão adotando medidas semelhantes em relação a higiene, como o uso de máscaras e verificação da temperatura por parte dos clientes.

Movimentação reduzida e clientes de máscara na loja de Victor. Foto: Arquivo Pessoal

“Na nossa loja colocamos algumas regras adicionais. Como se trata de uma loja pequena, restringimos a entrada para um cliente por vendedor, ou seja, no máximo dois clientes dentro da loja, visto que são dois vendedores”, explica o empresário. “Além disso, nós esterilizamos toda a loja e os produtos e também disponibilizamos álcool em gel para todos os funcionários e clientes”, finaliza.

Os cuidados com a higienização e o bem-estar dos clientes e funcionários também se estendem para lojas “de rua”, como é o caso da barbearia comandada por Murilo Marques. O empresário segue à risca as normas sanitárias disponibilizadas no Diário Oficial e também as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A máscara é de uso obrigatório por parte dos profissionais e de todos os clientes, até durante o corte. Temos um freezer com bebidas para dar de brinde, porém está proibido o consumo dentro do estabelecimento. Além disso, também há a limpeza constante do local com álcool 70%, a higienização das cadeiras na troca de clientes e limpeza nas maçanetas e banco de espera”, explica Murilo.

Os proprietários também relataram outras medidas adotadas na loja. Victor reduziu os horários de reposição de estoque, que antigamente chegava a ser cerca de três vezes ao dia, para apenas uma vez na loja de perfumes. Além disso, Murilo adotou o esquema de marcação de horários na barbearia buscando evitar aglomerações no local.

A frequência dos clientes

A circulação do novo coronavírus ainda se mostra presente em Fortaleza. Porém, esse fator não impediu a grande circulação das pessoas em shoppings ou centros comerciais. O movimento na loja de Victor causou até espanto para o proprietário, pois alguns clientes até tentam burlar as regras implementadas como a de apenas um cliente por vendedor.

Aviso na barbearia de Murilo para que os clientes permaneçam de máscara na hora do corte. Foto: Arquivo Pessoal

“Nós tentamos colocar também na cabeça dos clientes que as medidas adotadas são para o bem delas próprias, mas, aparentemente, o que eu tenho notado são elas com o pensamento de que o problema já acabou e o fluxo normal já pode ser retomado”, explica. “Um fator que causou esse fluxo intenso foi o fato da flexibilização do comércio coincidir com o dia dos namorados”, destaca.

Na barbearia, o cenário visto por Murilo foi diferente. “Na primeira semana de reabertura, tivemos uma queda de 20% em relação aos meses de janeiro e fevereiro. Já na segunda semana, a queda chegou a 40% e a diminuição do fluxo tem sido constante”, explica o proprietário. “Percebemos que vários clientes ainda estão com receio de sair de casa para serviços que não sejam essenciais. Mas, em alguns casos, nossos barbeiros vão atender a domicílio”, finaliza.

Empresas mantêm regime de home office

Ao contrário de algumas empresas que optaram por retomar as atividades presenciais, algumas preferiram permanecer no regime implementado desde o início da quarentena por algumas delas, o home office. A nova dinâmica proporcionou novas visões acerca do trabalho realizado da própria casa e aprovado por alguns gestores, como é o caso de Luiz Santos, CEO de um clube de vantagens.

“A nossa qualidade de vida e de trabalho aumentou significativamente trabalhando em casa. Perdemos menos tempo e dinheiro com deslocamento, alimentação e também temos menos distrações durante o expediente, o que torna o trabalho mais eficiente”, explica Luiz. 

O trabalho realizado a longa distância também proporcionou uma diminuição de uma série de despesas da empresa, garantindo sua saúde financeira. “Como trabalhamos com internet e tecnologia, grande parte dos nossos compromissos não sofrem impactos se forem realizados à distância. Além disso, também abrimos portas para atender qualquer cliente do Brasil, em vez de nos prendermos ao mercado local”, enfatiza Santos.

A adaptação a um novo regime de trabalho causou consequências ruins e boas, pois houve dificuldades de organização e infraestrutura. Porém, logo a empresa conseguiu adaptar-se da melhor forma ao home office. O novo regime foi um sucesso tão grande dentro da empresa que os funcionários preferem por unanimidade o trabalho on-line.

“Além do melhor aproveitamento do tempo e dos recursos, o trabalho remoto nos permite uma grande janela de oportunidades. Se quiserem, amanhã podem trabalhar de outras partes do país ou do mundo, enquanto continuam realizando suas rotinas de trabalho na empresa”, explica o CEO.

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