Spike Lee denuncia o racismo em “Infiltrados na Klan”

por José Bessa

Apesar de parecer uma ideia incomum um policial negro e seu parceiro judeu infiltrar-se na Ku Klux Klan, em 1978, esta acaba se tornando a premissa do longa dirigido por Spike Lee e que venceu o Oscar na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, em 2019. Ron Stallworth (John David Washington), primeiro detetive negro do Colorado, consegue conquistar a confiança de membros de uma das organizações mais racistas e perigosas da história dos Estados Unidos. Através de ligações telefônicas e em reuniões presenciais, seu parceiro, Flip Zimmermann (Adam Driver), usa o nome do colega de trabalho para investigar internamente o que o grupo planeja. 

Pôster do filme “Infiltrado na Klan”. Foto: Reprodução.

Mesmo se passando na década de 1970, a trama consegue transmitir diversas problemáticas sociais presentes nos Estados Unidos até hoje, como o racismo, a xenofobia e a intolerância religiosa. Essa questões podem ser vistas em diversos diálogos de Ron e Flip com os membros da Ku Klux Klan, onde estes fazem uma glamourização do porte de armas e de um nacionalismo disfarçados de discurso de “supremacia branca” e “comprimento dos bons costumes”. Além disso, o filme faz uma crítica ao abuso de autoridade policial e à prática de atos preconceituosos, como prender e matar homens negros injustamente e até  mesmo abusar de mulheres.

Outra discussão que Spike Lee trás no filme é o uso da expressão “nigga” – algo como “crioulo” no vocabulário brasileiro, vista como uma palavra proibida para aqueles que não fazem parte da comunidade negra. É possível compreender esta restrição em conversas de Ron com outros personagens negros, já que esta expressão é algo comum entre os membros da população afrodescendente. Contudo, esta mesma, e algumas variações como “colours” (os de cor), são usadas como insultos por pessoas racistas, podendo ser observado em momentos em que policiais brancos usam essas palavras para intimidar Ron e outros personagens.

Filme “Infiltrado na Klan” ganhou Oscar na categoria de Melhor Roteiro Adaptado em 2019. Foto: Reprodução.

“Infiltrado na Klan” consegue fazer com que o espectador reflita em todos diálogos, além de mostrar que o racismo é um problema ainda longe da solução, visto que apoiadores da Ku Klux Klan ainda estão à solta e fazendo que estes pensamentos intolerantes ainda permaneçam frequentes. Spike Lee, mais uma vez, transmite para as telas de cinema a luta e a dificuldade da população negra para conquistar a igualdade entre os demais e fazer com que vejamos o quanto precisamos evoluir para erradicarmos esse problemas.  

 

 

Ficha técnica:

Filme: Infiltrado na Klan

Direção: Spike Lee

Ano: 2018

Duração: 136 min

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