Isolamento estimula uso criativo das mídias sociais

Por Selene Facó

Apesar do momento delicado, algumas pessoas usaram do ócio criativo para conseguirem se manter ativas e produtivas, evitando cair em pensamentos negativos. A estudante de Jornalismo, Lara Ferreira, é uma dessas que se arriscou e, mesmo sem muito conhecimento técnico sobre o assunto, criou um podcast. “Desde que eu fiz a cadeira de radiojornalismo, me apaixonei pelo mundo do áudio e eu consumo muitos podcasts, me faz um bem enorme. Sempre quis ter um, mas com a minha rotina, que sempre foi agitada, não tinha tempo pra isso”, comenta. Para Lara, que atualmente está fazendo intercâmbio na Itália,  a quarentena foi o principal motivo para a criação do podcast “eu e etc”.

Sarah Mariana, também estudante de Jornalismo, decidiu investir em produção de conteúdo para suas redes sociais, no caso, sua conta no Instagram.. As principais temáticas abordadas em seu perfil são a gordofobia e a pressão estética da sociedade, ou seja, mostrar que não é necessário seguir o padrão de corpo que se é imposto pelas pessoas“. Eu senti que passei a ter um cuidado maior com meu instagram. Passei a bater mais fotos do meu dia a dia, sempre com uma certa preocupação com meu feed (página em que os usuários têm acesso as suas postagens), sempre com conteúdos novos pro IGTV (plataforma de vídeos mais longos do Instagram)  e para os stories, elementos cruciais para que eu consiga crescer naquela rede social”, comenta Sarah.

Não se sabe se essas novas habilidades e hábitos irão perdurar na vida de cada um, mas o principal motivo, hoje, é, além de fazer a mente trabalhar,, dividir com as outras pessoas conteúdos diversos, ideias, conselhos e reflexões sobre determinado assunto. “Quero compartilhar minhas experiências literárias, incentivar outras pessoas a lerem mais livros, criar um ambiente de debates sobre literatura, além de levar um conteúdo que possa deixar mais leve a vida das outras pessoas durante esse momento tão complicado”, reitera Miguel Araújo, estudante de Jornalismo que há pouco mais de um mês criou um canal no Youtube voltado para o mundo da literatura.

O estudante Miguel Araújo. Foto: Arquivo pessoal.

Apesar de ser uma medida segura para evitar o alastramento da pandemia, o período de isolamento social não é nada confortável. As pessoas precisam lidar com questões como o afastamento de entes queridos, a restrição do direito de ir e vir, e as incertezas que o momento atual traz, podendo ter impactos na saúde mental da população.

Mudança de rotina

Após as primeiras semanas de quarentena, o brasileiro está mais estressado, mais ansioso, entediado e está comendo mais. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pela startup de tecnologia Behup, realizada em abril.  O isolamento social é a principal recomendação diante da pandemia que estamos vivenciando, entretanto essa medida impôs que ficássemos em casa por necessidade e obrigação, fazendo nosso estilo de vida mudar radicalmente, e isso pode  afetar nossa saúde mental.

A psicóloga Jéssica Olivier. Foto: Arquivo pessoal.

“Os sintomas psicológicos podem aparecer em fases. Primeiro de tudo, está ligado à mudança na rotina, que nesse momento é comum as pessoas se sentirem desamparadas, entediadas, até mesmo sentindo raiva por ter sua liberdade perdida”, afirma a psicóloga Jéssica Olivier. Ela diz que esses sentimentos podem causar uma série de consequências, como irritabilidade e o medo excessivo de contrair o vírus. 

“Para se combater o isolamento psicológico, é muito importante nos mantermos distantes, mas conectados, não perder a conexão virtual com amigos e familiares e nos ocuparmos com outras atividades”, diz ela que é formada pela Unifor e que, durante esse período de isolamento social, criou o instagram “entendendo a tcc” para dar dicas, falar de curiosidades e dar apoio principalmente durante a pandemia.

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