Longa retrata o início da luta contra o racismo nos EUA

Por Letícia Serpa

Com a morte de George Floyd e a repercussão que está causando em todo mundo, principalmente nos Estados Unidos, a pauta racismo vem novamente à tona. Ainda é preciso falar a respeito de um assunto que foi, desde sempre, muito importante. A diferença é que, hoje, a população mundial deixa um recado: atos racistas não serão tolerados novamente. 

O ano era 1960 quando a lei abolicionista entrava em vigor nos Estados Unidos, quase 100 anos depois da Guerra Civil, em 1865. Porém, o Estado não decretava que atos de racismo fossem considerados crimes. A população não poderia escravizar negros, mas a segregação racial ainda existia. E, infelizmente, existe até hoje. 

Somente em 1964, com a pressão de líderes como Martin Luther King e Rosa Parks, o documento da lei de Direitos Civis que proibia a discriminação racial nos EUA foi assinado pelo então presidente Lyndon B. Johnson. A partir desta lei, atos de racismo eram considerados crimes em todo país. Mas, aparentemente é difícil mudar certo preconceito quando ele está enraizado na cultura do cotidiano, o chamado racismo estrutural. 

Capa do filme “O Sol é Para Todos”. Foto: Reprodução.

Em meio às mudanças da época e as indagações sociais sobre o que estava acontecendo, a autora Harper Lee lança o romance “To Kill a Mocking Bird” (“O Sol é Para Todos”, como é conhecido no Brasil), em 11 de julho de 1960, coincidentemente no exato mês de comemoração da independência dos EUA. Dois anos após o lançamento do livro, o filme, de mesmo nome, chega aos cinemas do país, chocando grande parte da população. 

O longa dirigido por Robert Mulligan vai abordar a visão da jovem Scout Louise Finch (interpretada pela atriz Mary Budham), recordando o ano de 1932, em que tinha apenas seis anos e presenciou, na cidade fictícia de Malcomb, no Alabama, o julgamento de Tom Robinson (Brock Peters), um homem negro acusado de estuprar a jovem branca Mayella Violet Ewell (Collin Wilcox Paxton). O advogado de defesa do caso era o próprio pai de Scout, Atticus Finch (Gregory Peck), um homem íntegro e ético que costumava atender às pessoas mais pobres e necessitadas. 

Scout vivia no vilarejo com seu irmão Jem Finch. Ambos eram órfãos de mãe, criados pela babá negra Calpurnia e tinham uma visão completamente diferente da maioria da sociedade da época sobre o racismo. Com o passar do tempo, a família começa a ser julgada e excluída por moradores de Malcomb que consideravam um absurdo o que Atticus estava fazendo ao defender um homem negro, mesmo sendo evidentemente inocente. 

Cena do filme “O Sol é Para Todos” em 1963. Foto: Reprodução.

Em paralelo à história, Scout e Jem permanecem, durante a trama, intrigados com um suposto vizinho psicopata que aterroriza os sonhos e perturba os pensamentos das duas crianças, além de criar toda tensão e medo presentes no suspense. O filme se desenrola a partir da visão de Scout sobre os seus parentes, amigos e o resto do povoado de Malcomb que, por ser uma criança inocente sem a percepção da discriminação existente em seu país, é obrigada a mudar sua visão a respeito de várias questões importantes.

A película de 120 min, foi vencedora de três Oscars, incluindo o de Melhor Roteiro Adaptado para Horton Foote, e indicada a outros cinco. E, mesmo passados 60 anos desde a data de seu lançamento, “O Sol é para Todos” não deixa de ser um filme que aborda temas pertinentes e, infelizmente, ainda atuais.

 

 

Ficha técnica:

Filme: O Sol é Para Todos

Direção: Robert Mulligan

Duração: 129 minutos

Ano: 1963

 

 

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