Grupo de pesquisa usa quadrinhos para estudar ética e leis

por José Bessa

Como discutir o Direito de forma lúdica que aproxime cada vez mais pessoa dessa área, por vezes, tão árida e incompreensível ao grande público? É este o desafio do grupo de pesquisa “Justiça em Quadrinhos”, coordenado pelo professor Daniel Camurça. Além do estudo regular dos quadrinhos e dos seus respectivos universos expandidos, pode aproximar os jovens da área dando palestras educativas, como a que aconteceu na live do canal “CAPE Projeção”, acontecida recentemente, voltado para estudantes de graduação que precisam decidir por uma profissão.

O professor do curso de Direito da Universidade de Fortaleza (Unifor), Daniel Camurça dirige desde 2014 um estudo que faz a análise da mecânica jurídica que acontece na produção de mídias lúdicas contemporâneas, tais como histórias em quadrinhos (HQs), mangás, animações, seriados e tirinhas aventura que mostra a forma como são retratados heróis e vilões, com suas normas, regras e comportamentos à luz do códigos de leis e condutas ditadas pelas instituições de justiça . Daniel começou sua live explicando que, para fazer uma análise dos quadrinhos, é necessário entender o que os autores das obras querem nos mostrar através dos seus personagens, argumentando sobre como a produção dessas histórias pode se encaixar no âmbito do Direito, da justiça, da lei e da ética. 

Daniel usou como exemplo as histórias dos X-Men, que são um grupo de mutantes com poderes voltados para ajudar a humanidade ao mesmo tempo em que são odiados por todos os humanos. O professor explicou que, por mais que os enredos deste grupo aparentam ser o clichê da luta do bem contra o mal, eles falam bastante sobre a luta dos direitos civis e de igualdade nos Estados Unidos, onde os personagens são tratados dentro das HQs como um grupo de minoria, fazendo alusão às mulheres e aos negros lutando por seus direitos na década de 60 no país norte americano. Além disso, o professor afirmou que Stan Lee, criador do grupo, produziu os mutantes com o objetivo de conscientizar a população estadunidense contra o preconceito, o racismo e a xenofobia.

O líder do grupo de pesquisa também usou uma frase do personagem Aang na animação “Avatar: A Lenda Aang” como um exemplo de reflexão no universo das leis e da ética, onde o protagonista diz: “Não fazer nada é fácil, o difícil é perdoar”. Camurça explicou que esta sentença traz a observação de como nossa sociedade tem a dificuldade de perdoar alguém que nos agride. Esta reflexão no campo das leis é fato de que se alguém lhe agride, você não deve devolver a agressão e sim utilizar os aparatos técnicos do estado e do direito para ser ressarcido. 

Por fim, o professor usou como exemplo as HQs de “The Walking Dead”, escritas por Robert Kirkman e Tony Moore, para mostrar como esta obra não fala sobre sobre zumbis, eles são apenas um plano de fundo para discutir sobre violência, algo muito presente tanto nas histórias em quadrinhos quanto nas séries de TV, pois como dito por vilões da série: “Não há nada mais sedutor do que esperar alguém virar um zumbi para matá-lo”. Ou seja, a obra aborda nossa necessidade de termos armas, como é desesperador sair de casa, como é aterrorizante perdermos nossas e crianças e como é difícil ligar com a mecânica da violência.

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