‘Músicos da noite’ sofrem sem perspectivas de retorno às atividades

 

Por Luan Viana

 

Nesse momento de enfrentamento à Covid-19, uma alternativa à programação de entretenimento em casa são as lives dos grandes artistas da música, que acabaram se tornando um alento e uma forma de diversão para muitas pessoas. . A indústria do entretenimento sofreu muito com a crise do novo coronavírus. Para quem trabalha diretamente com as aglomerações dos shows, apresentações e espetáculos, a perspectiva de volta à normalidade ainda é muito incerta. É o drama que vivem hoje os chamados “músicos da noite”.  

De acordo com o último levantamento da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), em 2012, o país tinha cerca de 600 mil pessoas vivendo da música como profissão. Provavelmente, esse número seja muito maior atualmente. O que mais preocupa a classe é a falta de projeção para o retorno das atividades com público presente/aglomerações. Robson Caytano, músico percussionista da noite, exerce a profissão há 10 anos e sua renda é exclusiva das apresentações em bares, restaurantes e outros eventos musicais. 

Robson Caytano. Foto: Arquivo Pessoal

Ele comenta sobre o quanto tem sido difícil esse momento. “Tá sendo um período complicado, não só para os músicos, mas para todos os trabalhadores em geral. Mas, acho que para nós é um pouco mais agravante, pois não temos ideia de quando poderemos voltar a trabalhar. Fomos umas das primeiras classes a parar e seremos uma das últimas a voltar a exercer nossa profissão”, pondera.

Dentro desse momento de pandemia, é proibida a aglomeração de pessoas em locais públicos ou privados. A medida é essencial para que seja mantido o distanciamento social e para conscientizar a população sobre a gravidade da situação. Por conta disso, muitas pessoas que estão em casa em quarentena estão aproveitando as transmissões via streaming de diversos artistas, que realizam seus shows também em suas casas e buscam arrecadar doações para ajudar quem está precisando de ajuda. 

Para os músicos e artistas de menor expressão, essa alternativa também tem se mostrado interessante. “O formato de shows por lives é uma opção bacana. É a única saída que temos no momento para exercer nosso trabalho. Tanto é útil para matarmos a saudade de tocar como também é uma forma de ajudarmos ao próximo com as doações”, comentou Robson.

Auxilio cultural

Para quem trabalha com manifestações culturais, como a música,  um apoio financeiro nesse momento de paralisação decorrente do novo coronavírus, um projeto de auxílio emergencial, foi concedido pela prefeitura de Fortaleza a esses profissionais da cultura. De acordo com matéria publicada no portal G1, o programa já recebeu 2.924 inscrições até o dia 19 de maio e mais de 2 mil cadastros foram aprovados, devendo receber a quantia de R$ 200. Para quem deseja conferir, a lista de beneficiados pode ser verificada no site do programa “Uma Força para a Cultura“.

A nível nacional, a Câmara dos Deputados votou, no dia 26 de maio, o Projeto de Lei (PL) 1075/2020,  a “Lei de Emergência Cultural”, que dispõe de ações emergenciais destinadas ao setor cultural, enquanto as medidas de isolamento ou quarentena estiverem vigentes. O projeto vai direcionar R$ 3.6 bilhões para trabalhadores e espaços do setor cultural. A medida busca fornecer uma renda emergencial para os trabalhadores informais do setor cultural que ganham até dois salários mínimos e tiveram sua fonte de renda afetada por conta da pandemia.

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