Novas dinâmicas de trabalho podem surgir após pandemia, home office é uma delas

Por Eduarda Pessoa

 

A pandemia do novo coronavírus impôs novos desafios à sociedade que teve de reajustar-se para cumprir as medidas de isolamento social para contenção da disseminação do vírus. Uma das iniciativas mais populares foi a adesão ao home office, que consiste em trabalhar em casa sem necessidade de deslocamento às empresas. As atividades trabalhistas que possibilitam esse tipo operação, assim o fizeram.

Boa parte dos brasileiros experimentam o home office pela primeira vez e passam a ter contato com uma nova forma de trabalhar. A condição, que se prolongará por tempo indeterminado, pode causar mudanças estruturais no modo de se trabalhar pela possível continuidade de pessoas em home office após a pandemia. 

A experiência vivida nos meses de quarentena pode guiar decisões de um novo estilo de vida. Apesar das dificuldades de adaptação iniciais, o home office também dispõe de benefícios, um deles é o melhor aproveitamento do tempo, anteriormente dedicado ao deslocamento.

No Brasil, o home office, também conhecido como teletrabalho, já era uma possibilidade antes da pandemia do coronavírus. Após a reforma trabalhista de 2017, o trabalho em casa foi regulamentado pela lei 13.467, possibilitando a adesão definitiva por parte de servidores que se afeiçoarem à experiência durante a quarentena. A lei garante aos profissionais em home office os mesmo direitos do demais empregados, como férias, licença maternidade, folga remunerada, etc.

A profissional de RH, Edwirges Alencar, acredita que os métodos tradicionais ainda irão se sustentar para muitas áreas, contudo, prevê a inserção massiva de tecnologias no ambiente de trabalho após essa experiência totalmente mediada por aparelhos eletrônicos.

Home office antes da pandemia 

Maria Amanda. Foto: Arquivo Pessoal

A funcionária pública Maria Amanda opera em regime de teletrabalho desde 2019. Anterior às medidas de isolamento, às segundas, quartas e sextas, ela trabalhava em casa e às terças e quintas comparecia ao órgão onde presta serviços. A servidora revela que percebeu, desde o início, um melhor rendimento nos dias de atividade em casa. Segundo ela, o seu serviço também atingiu novos níveis de qualidade. Vale ressaltar que esse padrão é exigido para funcionários que optam pelo teletrabalho. Amanda precisa, obrigatoriamente, aumentar em 20% seus resultados em relação aos dias que trabalha presencialmente.  

Apesar dos benefícios, ela admite que existem aspectos desafiadores, tais como: organização, autocontrole, concentração etc. Segundo Amanda, as recomendações são a disciplina e a elaboração de um ambiente propício para execução das atividades. “Eu acredito que, mesmo trabalhando em casa, você precisa ter disciplina, por maior que seja a flexibilidade. Você cria sua rotina, mas não é por isso que ela deve ser desordenada. Também acho importante ter um local adequado para realizar as atividades, não adianta ficar em uma cadeira desconfortável ou na frente da TV, isso atrapalha e o tempo que ganharia, você perde”. 

Contudo, a experiência de Amanda se mostra predominantemente positiva e contribui com o seu bem estar e qualidade de vida. O estresse com o deslocamento diário, que tomava em média três horas, foi a primeira mudança percebida. “Pra mim, a experiência foi totalmente positiva, inclusive nas coisas mais simples. Posso ter mais contato com a família e até meus bichinhos de estimação. Tudo isso contribui na motivação da realização das minha atividades”, comenta a funcionária pública.

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