Fotógrafos usam criatividade para trabalhar no isolamento

por Letícia Serpa

Em um período de pandemia, vários profissionais têm de reinventar suas formas de produção, já que não é possível realizá-las como anteriormente. Home office, atendimentos clínicos via chamada de vídeo, reuniões por conferência. As pessoas estão se utilizando do advento da internet para conseguir driblar as adversidades e não saírem prejudicadas quando o isolamento social acabar. 

O mesmo está acontecendo com os fotógrafos profissionais, que encontraram uma alternativa para superar o ócio da quarentena, a partir de  trabalhos online que está chamando a atenção  dos internautas. Os ensaios fotográficos, que sempre foram, em sua maioria, realizados pessoalmente, agora estão ocorrendo via facetime (chamada de vídeo). O único problema é que eles são acessíveis apenas às pessoas que tem um smartphone de uma determinada marca que disponibiliza a função do aplicativo. 

Funciona mais ou menos assim: o fotógrafo orienta o modelo que deverá posar da forma como solicitado e espera até que o profissional dê o clique em um botão específico do aparelho que será responsável pela captura da foto. Porém, a imagem sairá com a qualidade da câmera do fotografado e não com a do fotógrafo. 

O professor dos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo, da Universidade de Fortaleza (Unifor), e também fotógrafo profissional, Jari Vieira, explica que, desde a sua criação, a fotografia passa por muitas mudanças e adequações. O que não seria diferente diante das limitações que os profissionais da área estão encontrando ultimamente. Confira uma melhor explicação do professor a respeito do futuro da profissão no áudio:

“É bem complexo”, relata a fotógrafa e assessora de marketing digital de 24 anos, Amanda Nogueira. Para ela, o novo método encontrado para os ensaios fotográficos não substitui o feito pessoalmente, mas com certeza é uma alternativa pertinente para o período atual. “Eu acho que é uma facilidade, uma inovação da fotografia. Um método onde a pessoa se redescobre dentro de seu próprio lar”, explica. Para ela, continua sendo um ensaio como qualquer outro. “De todo modo, é o meu olhar. Eu estou direcionando a pessoa da forma que quero, então para mim, ainda continua sendo um ensaio. A essência é a mesma”, comenta. 

A fotógrafa Amanda Nogueira. Foto: Arquivo pessoal.

Amanda explica que a fotografia vai além de um simples clique e direcionamento de câmera. “A forma como você vê o local, os ângulos, isso sim é fotografia. É você direcionar uma luz, um modelo. É escolher uma referência e acreditar nela”, pondera. 

Segundo ela, a parte mais divertida de todo o processo é a conexão. “Para mim, a conexão é algo primordial, porque eu vou estar colocando o meu olhar no ensaio, mas a pessoa precisa estar conectada comigo para que eu possa tirar a parte mais sincera e espontânea dela”, explica. E revela estar se divertindo muito com isso. “Depois da quarentena, vai ser um método que eu vou continuar usando”, garante.

O começo

“Eu sempre tive a fotografia como um hobbie e, desde pequena, eu sempre brincava com as câmeras”. A história de Amanda com a fotografia, porém, foi deixada de escanteio por certo tempo. Mas foi quando fez  um estágio em fotografia que descobriu o que deveria de fato fazer. “Foi quando eu comprei a minha câmera profissional e tive experiências com grandes fotógrafos que eu percebi que a fotografia me escolheu”. 

Com a fotografia, eu posso paralisar o tempo – Amanda Nogueira.

A assessora de marketing digital diz que, a partir de então,  passou a se focar apenas nisso, pois descobriu que a fotografia vai além da obtenção de dinheiro. “Não é somente um trabalho onde eu dou o meu serviço e a pessoa responde em remuneração. Com a fotografia, eu sinto que eu posso levar coisas boas para aquela pessoa, eu posso mudar a sua autoestima, levar esperança, registrar momentos que jamais vão voltar. Com a fotografia, eu posso paralisar o tempo”, descreve.

A fotografia experimental

A fotógrafa Iara Pereira. Foto: Amanda Nogueira.

O mesmo também acontece com Iara Pereira, fotógrafa e publicitária de 24 anos. Para ela,  a ideia de fotografar via facetime veio de uma inspiração externa. “Eu me inspirei em alguns fotógrafos ‘gringos’ (estrangeiros) que estavam com a ideia e achei incrível porque é uma forma de a gente não deixar a fotografia parar”, conta. 

Iara, que já trabalha com fotografia há três anos e tem como especialidade ensaios femininos, editoriais de moda e espetáculos de teatro e danças, se utilizou da ferramenta online como forma de experimentação. “Os três modelos que chamei são amigos meus, então já temos uma certa intimidade”, explica. 

A jovem assume ter utilizado inicialmente o método como forma de experimentação. “Todos foram apenas testes mesmo, estou tentando não me cobrar tanto em pegar todos os trabalhos possíveis”. E relata que, apesar de a remuneração ser importante, tem também outras preocupações. “Ando priorizando um pouco mais a minha saúde mental e as minhas próprias vontades”. Mas, esclarece que quer continuar com as experimentações e futuramente atribuir um valor à elas. “Por enquanto, está sendo apenas um projeto pessoal mesmo, da minha escolha, algo bem livre e leve, sem pressão”.

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