Associação jornalística debate ética e desinformação

por José Bessa

Na última sexta-feira, 8, a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) fez sua segunda edição de debates on-line disponibilizado em seus canais do Facebook e do Youtube, “A pesquisa em Jornalismo em tempos de Covid-19”. Os pesquisadores em Jornalismo, Rogério Christofoletti, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Sylvia Moretzsohn, da Universidade do Minho, localizada em Braga, Portugal, debaterem o tema “Ética jornalística e Desinformação em tempos de pandemia”

Sylvia abriu a discussão sobre a temática lembrando que deve existir uma pluralidade entre a mídia, para que o público consiga ver a realidade de diversas formas possíveis. Além disso, ela lembrou que não há oposição entre os meios de comunicação tradicionais e o digital, pois ambos devem ser exercidos de maneira profissional, com o intuito de serem um antídoto às fake news e à intolerância. 

A mesma pontuou que, neste momento de pandemia, a ética jornalística deve ser guiada pelo viés da responsabilidade, principalmente neste período de instabilidade política que o país vive. Ou seja, tem que ser levado em consideração que tudo que será publicado irá gerar consequências ao público. É necessário que se busque uma postura mais ponderada, fugindo do apelo sensacionalista e buscando informações de fontes oficiais, para prevenir que a informação publicada não cause pânico na população. 

Já Rogério afirmou em sua fala que a cobertura da pandemia é um trabalho muito atípico e diferente na história da imprensa brasileira, e isto traz o desafio do  ineditismo em equipes muito pequenas para fazer esta cobertura, além do desespero e do medo do contágio entre os jornalistas. Além disso, também reitera que as equipes responsáveis por cobrir este cenário de maneira local estão tendo muita dificuldade, devido ao atraso de secretarias municipais entregarem dados importantes para a produção de reportagens. 

Entretanto, o pesquisador diz que, mesmo com todas essas adversidades, é necessário considerar que as condições para esse tipo de cobertura devem respeitar alguns limites éticos, como  não explorar a dor e sofrimento alheio, não provocar estigmatização social das vítimas e suas famílias, não expor desnecessariamente os doentes, suas famílias e os enlutados, para que não se crie um alarme social.

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