Como a vida noturna sobrevive a uma pandemia?

por Julliana Braga

 

Como nos primeiros dias de isolamento na Ásia, as live streams se tornaram um suporte de emergência para a indústria do entretenimento por todo o mundo. Essas meras transmissões de vídeo, no entanto, são apenas a ponta do iceberg em um cenário efervescente de clubes virtuais.

À medida em que a vida noturna se apropria de tecnologias desenvolvidas para conferências de trabalho, por exemplo, novas experiências de festa estão surgindo para incentivar a interatividade entre pessoas do mundo todo. O público, nesse caso, deixa de ser consumidor passivo e passa a ser participante ativo.

A dinâmica é simples. O anfitrião divulga o link do evento de sua plataforma de preferência (Zoom, Meet, Discord etc.), os convidados entram com a câmera ligada e microfone desligado, e a magia acontece no chat. Em uma festa normal, você se separa, conversa com algumas pessoas e migra para grupos diferentes. Aqui, você deve manter uma conversa entre todos de uma só vez.

Imagem do chat da festa. Foto: Reprodução

Mas começar a sua própria festa virtual no Zoom – plataforma de videoconferência mais popular, segundo Entrepreneur – pode ser mais fácil do que parece. O DJ Omulu, anfitrião do clube virtual brasileiro BITCLUB, explica: “No menu avançado de compartilhamento, há a opção ‘compartilhar música ou áudio’. Esse é o segredo. Selecione essa opção e o som do seu computador passa a ser transmitido [para todos os participantes].”

 

Onde elas estão?

Do isolamento social canadense surgiu o Club Quarantine. Considerado pelo site “The Cut” o clube mais badalado da quarentena, a festa recebe até mil pessoas dispostas a enfrentar uma fila (virtual) para viver a experiência. Em uma das ocasiões, estava presente a famosa drag queen brasileira Pabllo Vittar foi DJ.

Pôster do evento com a drag queen Pabllo Vittar. Foto: Reprodução.

De Londres, um coletivo LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e mais) reúne centenas de pessoas em seus eventos no Zoom, as Queer House Parties, é o que mostra a revista britânica NME. Em Nova York, no Club Quarentaene, tem quem pague até US$ 80 para uma experiência “VIP” com DJs, webcelebridades e dançarinas.

Aqui no Brasil, Carnageralda, BITCLUB e Festa Trophy são as mais procuradas entre pessoas buscando alento durante a quarentena. “Nesse momento, esse tipo de entretenimento é tão importante quanto se manter conectado com outras pessoas.” disse o artista e frequentador assíduo de festas virtuais, Luca Albuquerque.

Por ser um clube virtual, o ambiente é automaticamente acessível a pessoas que talvez não conseguiam apreciar a cena noturna em sua vida pré-isolamento, seja por falta de acessibilidade das casas de evento ou pela rotina exaustiva. “Não existia a possibilidade de sair do trabalho e ir direto pra festa. Dizer, em um momento como esse, que finalmente posso aproveitar a vida noturna parece até ironia”, explica o médico e frequentador, Marco Aurélio.

Em um momento em que tudo parece incerto, a felicidade contagiosa das festas virtuais parece amenizar os efeitos do isolamento social entre pessoas ao redor do globo. De Estocolmo à Salvador, não importa onde você esteja, há sempre uma festa virtual acontecendo.

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