Sexo virtual vira alternativa para relações à distância

Por Letícia Serpa

 

No último mês, o Ministério da Saúde da Argentina recomendou à população do país, a prática do sexo virtual como medida de distanciamento social contra o novo coronavírus. As autoridades locais informaram que as ferramentas disponíveis hoje, como videochamadas e sexting (sexo por mensagens) possibilitam que a relação aconteça virtualmente e recomenda o método para pessoas que estejam se relacionando à distância por conta da pandemia mundial.

Mas, sexo virtual é sexo? Ou melhor, sexo virtual substitui o sexo físico? A sexóloga Josi Mota, explica que “o que basicamente define o sexo é a gente pensar nele como o ato propriamente dito para uma reprodução, não exatamente para o prazer”, e afirma que o que nós humanos fazemos diz respeito à algo menos instintivo, a chamada sexualidade. “Quando a gente pensa no ato com o prazer e com conexão, a gente está falando de sexualidade, algo muito mais humano e menos biológico”, explica. 

A sexóloga Josi Mota. Foto: Arquivo pessoal.

Mota analisa o sexo virtual como sendo uma adequação do sexo físico, exatamente porque há, ou pelo menos necessita, de uma conexão entre os parceiros. “Quando falamos de sexo virtual, a gente não fala do contato físico, e sim de uma conexão emocional”, explica. 

Ela ainda explicita a necessidade de conhecimento sobre o próprio corpo para melhor aproveitamento do momento. E diz ser interessante que as pessoas que queiram praticar, antes de fazer com o outro, tirem um tempo para se conhecer e perceber que tipo de sensação diferente cada parte do corpo pode oferecer. “Eu acredito que se conhecer é a melhor maneira de a gente poder entrar em contato com o outro para estar em sexualidade”, pontua.

A sexóloga nega que o sexo virtual possa vir a substituir o sexo físico. “O contato, os cheiros, os sabores. Esses sentidos que estão presentes na sexualidade, infelizmente, o virtual nunca vai conseguir substituir, mas ele é uma adaptação, uma boa possibilidade para aqueles que não podem estar juntos”, analisa.

Colocando em prática

A estudante de 22 anos, Heloísa (nome fictício), diz estar utilizando o método por causa da distância física. “Não é algo que desperta tanto o nosso interesse, ele está sendo mais usado como uma forma de descarregamento e suavização da situação em si”, conta. 

Heloísa, que namora há dois anos e cinco meses com o seu parceiro, diz já ter usufruído do método anteriormente e comenta que no início ficava um pouco envergonhada com a prática. “Antes, eu e ele sentíamos um pouco de vergonha de praticar dessa forma, já que era algo fora da nossa realidade. Mas, agora, com a necessidade e a prática, fomos nos adaptando e conversando mais um com o outro sobre as preferências”, comenta.

A jovem acredita ser importante o conhecimento a respeito do próprio corpo. “Eu acho essencial que você conheça não só o seu organismo para saber o que fazer e em qual local, mas, também, para ter noção do que você tem preferência e do que você desgosta, no tocante ao prazer”, menciona.

E assume estar sentindo falta do contato com o namorado. “O virtual consegue aliviar de certo modo, mas o físico mesmo não tem como comparar a sensação de prazer com o outro, a existência do toque corpo a corpo”, ressalta.

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