“O sentimento de estar ajudando uma vida é que me fez ser doador”

Por Luan Viana

 

Responsável por salvar diversos pacientes que necessitam dessa ação de solidariedade para sobreviver, a doação de órgãos é uma prática que está em crescimento no Brasil. Segundo números divulgados pelo Ministério da Saúde, só no primeiro semestre de 2019, mais de 13 mil transplantes foram realizados em todo o território nacional. Os transplantes de medula óssea, por exemplo, aumentaram 26,8% em relação ao mesmo período em 2018. No nosso estado, somos destaque, sendo o terceiro do Brasil com maior taxa de doadores de órgãos em 2019, segundo a Associação Brasileira de Transporte de Órgãos (ABTO), ultrapassando a meta anual de doadores por milhão de população.

Uma das pessoas sensíveis a essa questão é André Viana, 44 anos, professor do curso de Odontologia da Universidade de Fortaleza (Unifor). Ele realizou uma doação de sua medula óssea em fevereiro deste ano e, por conta disso, seu desejo de ajudar a salvar vidas se intensificou, segundo relata, a seguir, em entrevista concedida ao portal.

Viana nasceu em Fortaleza e se formou pelo curso de Odontologia da Unifor. Além de ter se especializado em Oncologia, é mestre e doutor em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará. 

Ainda na própria graduação e nos estágios extracurriculares, André começou a despertar interesse na área de Oncologia, que, posteriormente, o fez partir para a sua especialização. “Nesta época, não havia a especialidade de pacientes com câncer dentro da Odontologia, então acabei fazendo uma especialização multiprofissional, onde eu pude trabalhar com uma assistência mais humanizada, segura e baseada em evidências técnico-científicas. Desde que retornei à Unifor como professor, passei a atender este tipo de paciente, e, logo depois, ajudei a criar o Grupo de Atendimento a Pacientes com Necessidades Especiais (GAPE), um projeto de extensão do curso de Odontologia, que recebe, na sua grande maioria, pacientes oncológicos”, explica. 

Primeiros contatos com a doação 

Em sua adolescência, André já se tornou um doador de sangue, mesmo que tenha realizado o procedimento poucas vezes até então. Depois da campanha “DOE de Coração”, do Grupo Edson Queiroz, passou a se tornar um doador mais frequente. Foi em uma dessas doações em que foi convidado a realizar um cadastro no banco de doadores de medula óssea, em 2010. Somente em 2014, o professor foi convocado para realizar sua primeira doação de medula ao ser analisado como compatível com um paciente. Contudo, infelizmente, durante o processo de preparo, o paciente receptor não conseguiu realizar o procedimento.

“Depois dessa quase doação, minha vontade de salvar vidas ficou mais forte. Passei a ser doador de órgão e tecidos. Deixei claro para minha família da minha intenção. O sentimento de estar ajudando uma vida é que me fez ser doador” – André Viana

Sensação de salvar vidas

André Viana ressalta que, para fazer o cadastro de doador de medula, não há necessidade de realizar nenhum tipo de preparo prévio, apenas preencher um formulário documental e uma coleta de sangue feita no hemocentro. Após ser selecionado para realizar o transplante, o doador passa por um processo de captação. “Fui à São Paulo para colher exames (sangue e de imagem) e fazer exame físico. Após ter sido aprovado nesta fase, fui novamente para preparo e coleta. O protocolo durou quatro dias de estimulação com medicação injetável subcutâneo (duas vezes ao dia), mais dois novos exames de sangue. No dia da coleta da medula, no meu caso, foi feito por aférese, ou seja, sangue periférico. Durante o preparo, senti apenas algumas dores leves e durante a coleta, zero dor”, explica o oncologista.

O professor destacou a emoção de ser responsável e por fazer parte de uma nova oportunidade de vida para uma pessoa que está necessitando. “Milhares de pessoas estão a procura de um doador de órgão e é muito bom que a cada dia as campanhas de doações estejam mais comuns. Pra mim, a sensação, após a captação e doação, foi indescritível. Uma das melhores da minha vida. Ao saber que ali dentro daquela bolsa de sangue havia uma vida em potencial, que ali iria resultar num futuro breve de sorrisos, lágrimas, conquistas, amor, família, vida… é indescritível a sensação”, garante. 

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