Alunos e professores tentam se adaptar à virtualização de aulas

Por Pedro Henrique Menezes

É certo que a quarentena afetou muitos aspectos da sociedade brasileira, tendo impactos na economia, na política e no dia a dia de cada morador do país, que teve que se adaptar à nova forma de vida, mudando a interação social, o trabalho e, principalmente, os estudos, tanto em escolas, como nas universidades públicas e privadas. Diante do contexto estudantil, alunos, professores e as próprias instituições tiveram que modificar a maneira de estudar e ministrar as aulas por conta do isolamento social imposto pela pandemia. 

Nesse sentido, as escolas, a partir dos decretos dos governos estaduais, iniciaram um novo tipo de aulas para os seus alunos, a fim de não afetar drasticamente o ano letivo dessas instituições. Com isso, foi necessário que estudantes de todas as séries, da Educação Infantil ao terceiro ano do Ensino Médio, se adaptassem à rotina de aulas virtuais e lives pelas redes sociais, com atividades e provas no formato online. 

Vídeo-aula da Professora Bernadete Fragoso. Foto: Arquivo pessoal.

Professores e coordenadores dos colégios particulares, no Estado do Ceará, organizaram-se de forma que as aulas virtuais correspondessem exatamente nos mesmos dias e horários que as aulas presenciais. “Os professores se reúnem em uma sala, com todo equipamento e equipe de filmagem, e passamos o dia gravando aulas, para serem postadas no dia e horário correto, no site do colégio. Em dias certos, também, fazemos lives no canal da escola, via YouTube, para que os alunos possam acompanhar, estudar e tirar dúvidas”, relata a professora de química Bernadete Fragoso. 

Segundo a professora, a relação entre eles [professores] e alunos se tornou mais complicada por conta do distanciamento, mas, nas aulas virtuais, os docentes tentam se comunicar com os estudantes como se todos estivessem juntos em sala. Dessa forma, ambos se sentem mais confortáveis,o que ajuda as duas partes a encarar essa realidade virtual de uma forma mais simples.

Professor Victor Cysne. Foto: Arquivo pessoal.

Ainda no contexto das aulas virtuais e lives pelo YouTube, o professor de matemática Victor Cysne conta que toda aula começa com o professor e um mediador, que, segundo ele, busca a interação entre o aluno e o educador por meio da caixa de comentários. “Claro que não temos como estar do lado do aluno para enxergar as dúvidas, mas estamos nos adaptando ao máximo para melhorar a qualidade do ensino, conta Victor. 

A adaptação dos alunos em relação à nova forma de se ter aulas, estudar e fazer provas está ainda em crescimento, o que faz com que várias dúvidas apareçam entre o grupos dos que mediam as aulas e dos que são os receptores do conteúdo. De acordo com o professor Victor, é um aprendizado grande de todos os lados e estão em constante transformação. “Aos poucos eles vão entendendo, se adaptando a essa realidade, pois não sabemos quando o tempo que tudo isso vai durar. A busca do colégio é aproximar ao máximo dos horários que os alunos tinham antes da quarentena para manter a familiaridade. Hoje a taxa de presença em cada aula está em uma ascensão enorme”, ressalta.

Ele completa dizendo que a maior dificuldade que os professores têm é em relação à informação e a cobrança ao aluno. “Esses pontos [informação e cobrança] não chegam diretamente para eles da escola. Qualquer informação passa pelos pais antes de chegar ao aluno e, por ter vários tipos de pais e alunos, o colégio não tem controle de como e quando a informação chega a esse estudante, o que dificulta muito e sobrecarrega tanto os profissionais quanto os pais”, completa. 

Os pais na relação aluno/escola

Como afirmou o professor, as aulas passam primeiramente pelos pais, que repassam aos alunos, principalmente quando são crianças, que estão no Ensino Fundamental I, e não tem o controle e a responsabilidade de observar e procurar tudo sozinhos. Nesse sentido, as professoras e coordenação passam os links das aulas virtuais e as tarefas de casa para os pais por meio de grupos no Whatsapp, que orientam e repassam essas atividades aos filhos. É o que conta Aline Perdigão, mãe da Alice, de nove anos, no áudio a seguir: 


Os desafios dos estudantes pré-universitários em ano de vestibular

Outro aspecto importante nessa realidade de aulas remotas é o de estudantes que estão no último ano do colégio, o terceiro ano, e vão prestar vestibulares no final do ano, sobretudo o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, com o anseio de conquistar uma vaga no ensino superior em 2021. O ENEM passou por uma série de modificações em datas e cronogramas, para que os alunos que forem prestar esta prova não se prejudiquem por conta do isolamento social. 

O estudante João Emanuel. Foto: Arquivo pessoal.

Com as aulas suspensas, é complicado o acompanhamento dos estudantes nas aulas virtuais, por conta da quantidade de conteúdo disponibilizado, além da quantidade de provas e simulados que devem ser feitos no decorrer do ano. “Para nós está sendo ainda muito difícil assimilar tudo nas aulas virtuais, apesar de termos um bom apoio do colégio, que nos disponibiliza aulas e questões para estudar”, conta o estudante João Emanuel, de 17 anos. 

De acordo com ele, os simulados são disponibilizados pelas escola, que servirão de base para as notas e para treino quando forem prestar os vestibulares oficiais. Além disso, a turma de pré-universitário que ele estuda tem um grupo virtual com professores para que os alunos possam tirar eventuais dúvidas e esclarecimentos. Ele afirma que esse acontecimento em um ano importante na vida escolar pode tirar o foco, mas todos tentam manter o controle e a atenção nos estudos durante a quarentena.

“Acontecer tudo isso logo em um ano de decisão foi um choque para todos, mas temos o apoio do colégio e dos professores para tudo correr bem. Vamos tirando nossas dúvidas, assistindo as aulas e fazendo os simulados… Enfim, vamos estudando, que é o mais importante, para quando chegar os vestibulares estarmos preparados.”, enfatiza João. O pré-vestibulando ainda relatou a expectativa dele em relação ao ENEM e aos outros vestibulares, como mostrar o áudio a seguir:


Aulas virtuais na rede pública de ensino

O ensino público no Estado do Ceará, a partir do decreto feito pelo Governador Camilo Santana, suspendeu as aulas presenciais em toda rede de ensino do estado, sendo feito um programa de diretrizes para que alunos e professores pudessem seguir o plano do ano letivo de 2020. 

Como a realidade tecnológica em muitas famílias de baixa renda ainda é inexistente, esse programa englobou atividades tanto virtuais, como nos livros didáticos, para que nenhum aluno pudesse ser prejudicado durante o isolamento. A SEDUC – Secretaria de Educação do Ceará divulgou as diretrizes desse programa e como tudo deve ser feito, visando o aprendizado dos alunos e proteção da saúde de estudantes e professores.

De acordo com Roberto Jorge, coordenador de uma escola da rede pública, os gestores e coordenadores tiveram um treinamento para postar os conteúdos nas plataformas, sobretudo o Google Classroom, que segundo ele, é o mais usado no colégio onde trabalha. “Os professores tiveram algumas orientações de como proceder nas postagens das atividades, já que a plataforma era novidade para alguns. Então, foram aprendendo a como se utilizar dessa tecnologia para auxiliar nas aulas virtuais.”, relata. 

O coordenador afirma, ainda, que as aulas são postadas na plataforma do Google, de acordo com as turmas que o professor ministra as aulas, cada turma tem uma sala virtual e, a partir disso, são postadas as atividades relacionadas com o conteúdo passado, para que os estudantes possam fazer as tarefas e reenviá- las de volta para o professor.  “Estamos fazendo tudo para que o ano letivo não seja perdido e que os alunos não sejam prejudicados por conta da quarentena. Esperamos que tudo volte ao normal o mais breve, enquanto isso vamos usando os meios digitais para nos auxiliar nessa tarefa”, conclui. 

Algumas escolas particulares do Ceará deram férias logo no começo do isolamento, para antecipar as férias de julho e preparar todo um equipamento para a transmissão das aulas remotas. Enquanto as instituições que continuaram as aulas, mas de forma virtual, devem antecipar as férias para maio, a fim de que o mês de julho seja o tempo em que os alunos e professores estejam mais familiarizado com esse acontecimento das aulas remotas e continuem o planejamento até o fim da pandemia.  

Desconto nas mensalidades

Nesta quarta feira, 06, a Justiça do Estado determinou a redução da mensalidade para escolas particulares do Ceará, aceitando uma Ação Civil Pública da Defensoria Pública do Estado. A medida afetará 47 escolas com desconto de 30% do valor total de cada mensalidade. 

De acordo com reportagem do Diário do Nordeste, caso as escolas optem por não dar o desconto, devem permitir imediata rescisão do contrato, sem multa para os consumidores. O decreto envolve turmas da educação infantil ao ensino médio. 

Segundo a reportagem, a decisão é do juiz Magno Gomes de Oliveira. No documento, ele salienta que houve tentativas de acordo o Sinepe – Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica, Escola de Idiomas, Ensino livre, Ensino profissionalizante e Educação Superior, mas não teve êxito nas negociações. 

A escola que descumprir a medida terá que pagar, diariamente, cinco mil reais de multa, limitada integralmente a 100 mil reais. A decisão, no entanto, não atinge eventuais acordos firmados entre os responsáveis e os colégios, assim como bolsas de estudo ou descontos mais benéficos ao consumidor já concedidos pelas instituições em razão da suspensão das aulas. 

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