Grupos arrecadam doações para comunidades em Fortaleza

por Paulyanne Tesla

A  pandemia do novo coronavírus tem lançado um desafio econômico e social para o país, e um dos objetivos mais urgentes deste cenário é a redução dos impactos sobre a população mais vulnerável. Grande parte das comunidades sofre com a precariedade das moradias, falta de saneamento básico, informalidade e renda baixa, o que acaba gerando maiores dificuldades diante do isolamento.

Ana Clara. Foto: Arquivo pessoal.

Para amenizar os efeitos negativos da pandemia, grupos na capital do Ceará têm realizado ações sociais para arrecadar doações a famílias. É o caso da universitária Ana Clara, 21, idealizadora do projeto “Ação Amparar”, que atua nas comunidades carentes do Pau Fininho e Gengibre. “Eu já tinha contato com algumas pessoas da comunidade e fiquei sabendo que muitas famílias estão passando por bastante dificuldade. Muitos deixaram de trabalhar porque são autônomos ou foram demitidos”, conta.

A jovem explicou  que, diante da situação, foi difícil ficar de braços cruzados. “Nesse momento, lancei uma campanha para arrecadar alimentos por meio das redes sociais. Tenho amigos que estão me ajudando com as arrecadações, a produção de banners e o marketing”, explica. Segundo ela, o objetivo é conseguir ajudar o maior número de pessoas possível, fornecendo alimentação e materiais de higiene. As doações em dinheiro são revertidas na compra de produtos para as cestas básicas

Exemplo / Inspiração

O médico Lucas Dias. Foto: Arquivo pessoal.

A iniciativa de Ana Clara foi inspirada em outro projeto, o “Plantão Solidário”, idealizado pelo médico Lucas Dias, 25 anos. A ideia de promover as ações sociais surgiu após uma reflexão feita pelo Papa Francisco, no dia 27 de março. Dias conta que a mensagem foi bastante reflexiva do ponto de vista religioso e filosófico, e como já  conhecia a situação em algumas comunidades, decidiu se mobilizar. “A situação de muitas famílias é realmente precária e cruel”, afirma. “No dia 27 de março lancei a campanha, tanto para doação do valor recebido nos plantões médicos, como doações em dinheiro e alimentos. Na semana seguinte, iniciamos a primeira ação”, conta. 

O projeto Plantão Solidário beneficiou mais de 140 famílias, entre elas, a do pintor Manoel (sobrenome não informado), na comunidade do Titanzinho. Em um vídeo registrado por Lucas, o pintor afirma estar passando por um momento delicado. “Estava mantendo a casa com os serviços que fazia e com a ajuda de um benefício do governo, mas é muita gente para sustentar”, lamenta. Como autônomo, Manoel está esperando a situação se normalizar para voltar a prestar seus serviços. Por enquanto, conta com a solidariedade e o auxílio governamental (Bolsa Família) para sobreviver. 

Rachel Gomes. Foto: Arquivo pessoal.

Outra iniciativa que surgiu com o objetivo de reduzir os efeitos negativos da quarentena, foi o “Projeto: Ser humano”. Rachel Gomes, 24, é uma das líderes da ação social e relatou que tudo começou com uma conversa informal entre quatro amigas, sobre o que fazer para ajudar aquelas pessoas em estado de vulnerabilidade diante desse contexto de incertezas. “Sabemos que mudanças demandam ações e que a indignação, por si só, não muda nada ao nosso redor. A impotência, em meio a tudo que estamos vivendo, despertou uma inquietação de querer fazer aquilo que estava ao alcance de quatro amigas, estudantes e sem tanto dinheiro assim , mas com um coração voltado a ajudar e a cuidar”, acredita.

Rachel destaca que o projeto não tem “dono”, ele é de quem tiver amor e solidariedade. “A ideia é que cada um ajude da forma que consegue, seja com tempo, dinheiro, comida, roupa ou divulgação. Para quem não tem tanto, o pouco pode ser muito, sabe?”, garante.

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