Ativar o corpo e a mente para passar bem o isolamento social

Por Luan Viana e Pedro Henrique

 

O isolamento social imposto pelos governos estadual e federal funciona como uma das medidas para diminuir o contágio do COVID-19 e proteger a população dessa doença que se espalhou pelo mundo, fazendo milhares de vítimas. A medida usada pelas autoridades é para diminuir a circulação e aglomeração de pessoas dentro das cidades e, dessa forma, afetar diretamente a quantidade de contágio da população. 

Contudo, a grande quantidade de tempo das pessoas dentro de suas casas pode fazer com que elas tenham problemas por conta da falta de tarefas ou a falta de uma rotina, com ansiedade e depressão aumentando exponencialmente, além do número de brigas familiares e problemas bem específicos causados pelo isolamento social. 

De acordo com um levantamento publicado em março pela revista científica “The Lancet” sobre os efeitos psicológicos da quarentena, 29% da população mundial apresenta sintomas de estresse pós-traumático enquanto 31% tiveram depressão após o isolamento.  Esse efeito colateral da pandemia deve, portanto, ser objeto de atenção da saúde pública. Segundo o blog Bem Estar, do G1, o período de quarentena pode desencadear um estado permanente de ansiedade, pois, além do medo de contrair a doença, as perdas financeiras são fatores que influenciam no desenvolvimento do transtorno. 

Para melhorar essa situação adversa, é preciso que as pessoas busquem ocupar o seu tempo livre e a mente com atividades que ajudem a desopilar e incentivar o cuidado com a saúde física e mental. Dessa forma, o auxílio para quem sofre com os transtornos e a depressão é a prática de atividades físicas em casa, que ajuda corpo e a mente, amenizando os problemas causados pelo isolamento. 

Segundo a educadora física Nathália Alecrim, são recomendados alguns exercícios para esse tempo, eles são fáceis de se fazer em casa e não é preciso de máquinas de academias para a sua execução. “Fazer exercícios em casa não é uma tarefa fácil, pois o ambiente não favorece, oferecendo tantas distrações contrárias ao foco principal. Então a minha dica é: procure começar pela atividade que você mais gosta, com o material que você tem. Precisa ser fácil e fluente. Nada de complicar agora”, indica a professora. 

“Os exercícios mais fáceis são aqueles que não exigem material e não contém muitas combinações de movimentos. Às vezes, isso [combinações de movimentos] pode fazer a gente desistir pelo fato de não conseguir realizar a atividade”, continua Nathália. 

Bodybalance – exercitando a mente

Uma das modalidades mais indicadas a se fazer durante o isolamento, que não precisa de muitos movimentos e equipamentos, é o bodybalance, exercício físico que contribui para a regulação de corpo e mente, com uma combinação de movimentos de algumas práticas como yoga, tai chi chuan, pilates, alongamento e  exercícios de respiração. 

De acordo com a professora Nathália, essa modalidade ajuda no tempo de quarentena, pois faz com que o corpo se movimente e também influencia na mente, auxiliando no combate à ansiedade. “O bodybalance trabalha força, resistência muscular, alongamento e consciência corporal. Traz um treino mental onde você precisa se concentrar para sentir e ouvir o seu corpo: qual região está sendo solicitada, está confortável, está doendo… Os exercícios de respiração são essenciais para a conexão corpo e mente”, relata. 

Ele funciona neste processo, pois melhora a flexibilidade e aumenta a força enquanto reduz os níveis de estresse. A atividade focalizará a mente do praticante  e criará uma sensação duradoura de bem-estar e calma. Dessa forma, trata os problemas psicológicos naturais do isolamento, já que para realizar é preciso controlar a respiração, ter concentração e estruturar, de forma organizada, os alongamentos, movimentos e poses para a música, que dita o ritmo do exercício. Além disso, o bodybalance tem por base um treino holístico que traz o corpo em um estado de harmonia e equilíbrio.

“Ao final de cada sessão temos o relaxamento, que é um momento onde é interessante que você se desligue de tudo que não seja aquele momento presente. Você passa uma hora concentrado no seu corpo e já é uma hora a menos ‘vivendo o caos’, libera vários hormônios que te trazem sensação de prazer e te deixa com a cabeça mais aberta e relaxada para enfrentar certas situações.”, ressalta Nathália Alecrim em relação aos benefícios da atividade para o bem-estar durante esse tempo de isolamento social. 

Confira como fazer o bodybalance clicando no link 

O cuidado com a mente

Além do cuidado com o corpo e a prática das atividades físicas em casa, é extremamente necessário que as pessoas cuidem também do psicológico feito com o bodybalance, mas também com acompanhamento de um profissional da psicologia para agregar ao funcionamento do corpo e da mente no tempo atual. Essa união é o principal fator para diminuir os casos de ansiedade e outros problemas, enquanto as pessoas cumprem a quarentena. 

De acordo com a psicóloga Willa Mapurunga, uma conversa diária com um psicólogo ajuda bastante a acabar com os casos de transtornos e faz com que as pessoas envolvidas nisso tenham uma base maior para ter coragem e força de aguentar as situações de estresse que são ocasionadas dentro das famílias por conta do isolamento.  Nesse sentido, os profissionais da psicologia indicam, além da consulta, as práticas físicas em relação ao controle do sono, autoestima e concentração. 

“A prática esportiva vai ajudar na autoestima… a pessoa que faz exercício físico vai se concentrar melhor, vai dormir melhor. Se você não dorme bem, no outro dia vai acordar mal-humorado, então esse estágio de humor vai melhorar através com os exercícios físicos. Eu vou dormir e no outro dia vou acordar melhor, mais disposto.”, orienta a psicóloga. 

Ela continua afirmando que essas práticas ajudam pessoas que têm algum tipo de transtorno e com o isolamento, esses problemas se intensificam. “A pessoa que tem depressão, ansiedade ou transtorno bipolar se beneficia com a prática física, porque vai liberar serotonina e vai ficar menos depressivo, ansioso. Então vai ser importante para melhorar os problemas surgidos com o isolamento social”, relata a psicóloga. 

O áudio abaixo relata dicas da psicóloga Willa para as pessoas se organizarem e viverem bem durante a quarentena: 

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