Coronavírus: como manter a saúde mental em meio ao isolamento?

por Paulyanne Tesla

A pandemia da COVID-19 tem causado grandes mudanças na rotina de toda a população. O isolamento social, a preocupação com o cenário atual e a insegurança em relação ao futuro têm sido “pratos cheios” para desencadear uma série de sintomas psicológicos negativos nas pessoas. Os conflitos são inúmeros, desde de questões econômicas, sociais e de saúde, onde a saúde mental é um ponto que merece atenção. Com muitas atividades suspensas, especialmente aquelas que envolvem as dinâmicas sociais, as pessoas têm buscado maneiras de encarar a rotina e transformar seus hábitos, mas nem todos conseguem enfrentar essa realidade, pois o medo e a insegurança acabam por preencher boa parte do dia, transformando tarefas simples em grandes desafios.

Thais Coelho. Foto: Arquivo pessoal.

Um estudo publicado em março deste ano na revista científica The Lancet – O impacto mental da quarentena e como reduzi-la: revisão rápida das evidências –  revela alguns efeitos psicológicos do isolamento, que incluem sintomas de estresse pós-traumático, confusão, raiva, frustração, perdas financeiras e estigmas causados por informações falsas.  Lidar com a liberdade cerceada pode ser mais desafiador do que imaginamos, principalmente para as pessoas com problemas de saúde emocional pré-existentes.  

Thais Coelho, 21 anos, por exemplo, já sofria com a ansiedade antes da pandemia, mas conta que desde o início do isolamento os sintomas se intensificaram. “Minha ansiedade aumentou muito, principalmente porque acabei perdendo o emprego, essa foi a parte mais difícil de aceitar. De repente, tudo começou a desmoronar na minha cabeça. A rotina foi por muitos dias as crises de choro e a confusão mental”, comenta. Mas Thais conta que algumas estratégias lhe ajudaram a manter a saúde emocional e procurar ajuda profissional foi um passo crucial para amenizar os sintomas, além de desenvolver atividades relaxantes, como ouvir músicas leves e ler livros.

Diante da pandemia do novo coronavírus, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou uma nota, em  março de 2020, com recomendações acerca dos atendimentos psicoterápicos.  O conselho reforçou que “constitui possibilidade de exercício profissional a atuação em emergências e desastres, em contextos clínicos, de assistência social e de políticas públicas, sujeitos às normas do Ministério da Saúde, OMS, e Secretarias de Saúde. No caso da prestação de serviços por meio digital, o profissional deverá seguir as orientações da Resolução CFP nº 11/2018, juntamente com a realização de um cadastro prévio junto ao seu Conselho Regional de Psicologia (CRP)”.

Qualquer circunstância que limita o poder de ir e vir e a interação social, acaba gerando um certo grau de inquietação. – Viviane Lima, psicóloga

A psicóloga Viviane Lima. Foto: Arquivo pessoal.

O Jornalismo Nic conversou com a psicóloga Viviane Lima para entender algumas questões que envolvem o assunto. Uma delas, é a associação do isolamento com o sofrimento, que, segundo a psicóloga, se deve ao fato do ser humano ser sociável por natureza. “Qualquer circunstância que limita o poder de ir e vir e a interação social, acaba gerando um certo grau de inquietação”, afirma Viviane. 

A psicóloga ressalta que esta é uma situação bastante desafiadora, e a maneira como encaramos esse momento pode fazer toda diferença. “Frente a esse cenário de isolamento, devemos nos perguntar: o que irei fazer diante de tudo isso?”. Viviane acredita ser inevitável, em muitos casos, a formação de sentimentos de angústia e sofrimento, mas podemos driblar o pessimismo com algumas estratégias. “Um exemplo é a procura por informações positivas, já que estamos em um movimento onde se fala muito da morte, do pânico, e isso pode ser um gatilho para muitas pessoas”, recomenda.

Hoje, mais que nunca, existe a possibilidade de realizar tarefas online, como cursos e conteúdos novos. Essas  ferramentas podem ser uma maneira de preencher os dias. – Viviane Lima, psicóloga

Outro ponto citado por Viviane é a importância da rotina, pois o momento é  propício para estabelecer bons hábitos ou colocar em dia tarefas que não fazíamos antes, seja por falta de tempo ou organização. “Hoje, mais que nunca, existe a possibilidade de realizar tarefas online, como cursos e conteúdos novos. Essas  ferramentas podem ser uma maneira de preencher os dias”, ressalta.

Para a psicóloga, a terapia online também é uma ferramenta que está ajudando muitas pessoas com o  enfrentamento da quarentena. “Nós trabalhamos para que cada pessoa consiga ir se desafiando e refletindo sobre seus pensamentos e sentimentos. O atendimento por meio das plataformas digitais são sigilosos e prezamos pelo conforto dos pacientes”, conclui Viviane.

Infografia por Paulyanne Tesla.

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