Quarentena acentua crise do cinema brasileiro

por José Bessa e Marina Brasil

Em 2020, diversos lançamentos de grandes franquias do cinema mundial, como 007 e Velozes e Furiosos, foram adiados devido à pandemia do novo coronavírus. E a situação da sétima arte em território brasileiro não se encontra diferente. Mais de 600 salas de cinemas foram fechadas e muitos longas-metragens deixaram de ser lançados nas datas que haviam sido planejadas, além daqueles que ainda não foram finalizados e tiveram que paralisar suas produções. 

O crítico Arthur Gadelha. Foto: Arquivo pessoal.

O crítico Arthur Gadelha, do site Quarto Ato, acredita que aqueles longas já finalizados como “Três Verões” (dirigido por Sandra Kogut e estreia prevista para 19 de março) e “A Menina que Matou Os Pais” (dirigido por Maurício Eça e também previsto para estrear em 19 de março), mas obrigados a procurar uma nova data de estreia, na verdade, devem optar por fazer seus lançamentos em algum serviço streaming, como Netflix ou GloboPlay, para que não ocorra nenhum prejuízo. Entretanto, existem algumas produções muito aguardadas nas em salas de cinema, como o filme cearense Pacarrete, do diretor Allan Deberton, devido à sua alta expectativa na bilheteria nacional.

O diretor Glauber Filho. Foto: Reprodução.

Mesmo após o período de quarentena e a contenção do COVID-19, o número de produções cinematográficas no Brasil deve ser reduzido, segundo profissionais ligados ao setor. O diretor Glauber Filho, responsável pelos filmes “Bate Coração” e “As Mães de Chico Xavier”, afirma que a indústria do audiovisual passará por um período com baixa verba para execução de seus trabalhos, sendo este impacto possivelmente notado a partir do próximo ano, com poucos títulos nacionais a serem lançados.  

 

Crise antecede o COVID-19

Vale lembrar que, de acordo com a Folha de São Paulo, em setembro de 2019, a Ancine (Agência Nacional de Cinema) sofreu um corte de 43% de sua verba, tendo o menor investimento nos últimos sete anos, fazendo o cinema brasileiro vivenciar mais uma dificuldade em sua produções. Porém, nesta quarta feira (22), a Ancine aprovou destinação de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual a cinemas e empresas de audiovisual economicamente afetados pela crise do novo coronavírus, além de também criar uma linha de crédito no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento). 

Segundo o site Filme B, portal de internet especializado no mercado de cinema no Brasil, os empréstimos fornecidos pela Ancine podem atingir um valor de R$ 400 milhões e têm como objetivo manter o giro de capital de empresas do setor, que tiveram as portas fechadas em todo o país desde março.

O BNDES comunicou em uma nota oficial em seu site que irá suspender a cobrança de parcelas de dívidas feitas por essas companhias antes do período da quarentena do COVID-19. Já para os exibidores de pequeno porte, foi autorizado a aplicação de recursos não reembolsáveis do Fundo Setorial do Audiovisual.

 

Netflix cresce com a ausência de salas de cinema 

Com a impossibilidade de ir a um cinema, a procura por serviços de streaming tem aumentado neste período de quarentena. De acordo com a FactSet, empresa estadunidense responsável por pesquisas de dados financeiros, a Netflix ganhou 15,77 milhões de novos assinantes em todo o mundo durante esta de época de isolamento social, fazendo suas ações crescerem cerca de 35% e superasse a Disney em valor de mercado, segundo o site Exame

De acordo com a Folha de São Paulo, em uma reportagem de março de 2020, a Netflix, sabendo do crescimento em seu número de assinantes, diminuiu o consumo de dados por conta, para que não ocorra uma sobrecarga no servidor e que todos possam ter acesso ao seu serviço. 

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