Quarentena muda dinâmica de relacionamentos pessoais

Por Sarah Viana e Thomás Regueira

Um dos aspectos da vida das pessoas que foi afetado pela quarentena provocada pela pandemia da COVID-19 foi o relacionamento entre familiares e parceiros amorosos. O isolamento social provocou o distanciamento entre amigos, familiares ou namoradxs que estão sem poder se encontrar pessoalmente, possuindo apenas como recurso de comunicação as plataformas digitais de troca de mensagens e vídeo chamadas. Por outro lado, aqueles que moram na mesma casa estão passando mais tempo juntos em comparação com a rotina comum.

Devido a este cenário, conflitos entre pessoas da mesma casa podem se tornar mais frequentes devido ao tempo maior juntos e também provocar saudade daqueles que se mantinha um convívio físico diário. O Jornalismo NIC foi atrás de depoimentos de algumas pessoas sobre como andam os relacionamentos delas durante o isolamento social.

Iara Pereira. Foto: Arquivo Pessoal

Iara Pereira, 23, graduada em Publicidade e Propaganda pela Unifor e fotógrafa profissional, mora com a mãe e o irmão mais novo. Ela relata que durante a quarentena achou que conseguiria ficar em casa tranquila, mas ela sente muita vontade de ficar sozinha no quarto e teve alguns conflitos com a mãe, embora com o seu irmão consiga manter um bom relacionamento. 

Sobre os seus relacionamentos amorosos, Iara comenta que conheceu uma pessoa em um dos primeiros dias da quarentena e estão mantendo uma conversa todos os dias. “Não sei o que esperar no final da quarentena, mas a gente quer muito algo, se ver e construir alguma coisa, isso já é fato”, conta a fotógrafa.

Luana Gonzaga. Foto: Arquivo Pessoal

A criadora de conteúdo digital e professora de Gestão e Marketing para Jovens Empreendedores, Luana Gonzaga, mora com o irmão mais novo e a mãe em um apartamento localizados em um dos bairros mais afetados pela COVID-19. O isolamento social não afetou tanto sua rotina, porém ela conta que seu relacionamento com a mãe e o irmão tem mudado para melhor, em que todos têm se aproximado mais. Outro parente que tem se aproximado bastante dela e arranjado mais tempo para o convívio é o seu pai. “Estamos convivendo bem mais com meu pai que mora perto, mas nunca tinha tempo para nada. A gente tem feito vídeo chamada da família toda pelo menos uma vez por dia”, relata. Luana gosta de pensar que a quarentena tem feito costumes voltarem ao tempo quando ela e o irmão eram pequenos. Confira mais o relato dela abaixo:

A empreendedora é noiva e afirma que o relacionamento com seu parceiro não tem mudado tanto, apesar dele estar em São Paulo desde que começaram os primeiros caso do novo coronavírus no Brasil. “Nós somos, além de tudo, melhores amigos. Não poder jogar videogame pertinho ou estar grudado, está fazendo falta para os dois”, conta. Apesar da distância, Luana tem se concentrado no trabalho e em economizar por conta do casamento, que estava planejado para setembro deste ano.

Maria Julia Braga. Foto: Arquivo Pessoal

Outra que tem enfrentado o isolamento social junto com familiares dentro de casa é Maria Julia Braga, que mora junto com o irmão mais velho e a mãe. A estudante de 18 anos se sente mais próxima deles e conta que o clima dentro de casa tem se mantido tranquilo, apenas durante a realização de tarefas domésticas acontecem algumas discussões. “A gente conversa quase o tempo todo, a gente compartilha mais as nossas opiniões, faz mais programas juntos, como assistir um filme, cozinhar e etc”, afirma. 

Maria Júlia brinca sobre o fato de todos os tipos de atividades cotidianas como refeições, jogos e faxinas têm sido feitos em conjunto com sua mãe e irmão. Ela também conta que, antes da quarentena, era muito difícil eles terem um convívio mais frequente durante o dia por passarem muito tempo fora de casa. “Isso acaba aproximando muito a gente e acho que até colaborando para uma relação mais saudável”, comenta.

Monalisa Cavalcante. Foto: Arquivo Pessoal

Monalisa Cavalcante, bióloga graduada na Universidade Estadual do Ceará (UECE), mora com o seu marido, Iury Nogueira, com quem é casada há cerca de nove anos. Antes da quarentena, ele passava o dia trabalhando e ela cuidava mais das coisas de casa, mas durante esse período de isolamento social, a convivência dos dois mudou bastante. “Nas duas primeiras semanas foi mais difícil pois deu um choque de realidade, querendo ou não a convivência maior e a falta de liberdade mexe com todo mundo. Brigamos bastante no início, mas hoje, após um mês, já está melhor, nos adaptamos”, relata Monalisa. 

No início da quarentena, nos primeiros 10 dias, a avó de Monalisa passou na casa deles precisando de cuidados e a carga de serviços domésticos aumentou, mas conseguiram resolver o que precisava. “Com o Iury em casa, eu estou aproveitando para pedir mais ajuda pra ele fazer coisas que antes ele dizia que não tinha tempo [risos]. No horário de almoço dele, ele me ajuda a servir a comida e etc”, comenta a bióloga.

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