O desafio de manter a rotina de estudos em tempos de isolamento social

Por Sarah Viana e Thomás Regueira

 

Durante o período de quarentena, todos os empregos, serviços, hábitos e a vida de forma geral tiveram que se readaptar de maneira que não houvesse tanto prejuízo para as pessoas. Uma das medidas tomadas para os estudantes não se prejudicarem foi as instituições de ensino adotarem o sistema de aulas online, composto de aulas por meio de videoconferências, conteúdos disponibilizados em plataformas online e provas à distância.

A ampliação do tempo disponível em casa não significa necessariamente mais tempo para estudos. Muitos estudantes não estavam acostumados com esse novo formato de ensino, e é provável que os estudos sejam prejudicados. A casa, que antes era apenas o lugar do descanso, hoje é o lugar de outras atividades como arrumar o quarto, lavar a louça, cuidar de criança etc, fatores que podem atrapalhar o rendimento acadêmico. Outro fator que pode prejudicar o aproveitamento dos estudos é a grande quantidade de notícias negativas sobre a pandemia da COVID-19, que pode afetar a saúde mental provocando ansiedade e mal-estar.

Heberson Menezes. Foto: Arquivo Pessoal

Heberson Menezes, 27, biólogo e doutorando em Sistemática, Uso e Conservação da Biodiversidade, na Universidade Federal do Ceará (UFC), relata que, com a quarentena, ele tem conseguido estudar menos do que costumava e agora faz mais atividades relacionadas ao seu projeto de doutorado do que com o estudo em si. Devido às notícias tristes dos últimos tempos, seu problema de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) acabou se tornando mais presente na rotina. “Meu corpo tem muita energia e precisa gastar ela. Minha cabeça fica cansada e o corpo não, o que gera problemas de sono, que depois geram problemas de concentração”, comenta o estudante.

Nicole Sales. Foto: Arquivo Pessoal

Nicole Sales, 18, estudante de Medicina na Universidade de Fortaleza (Unifor), também teve a rotina de estudos alterada pela quarentena. Os experimentos nos laboratórios deram lugar a materiais de leitura e vídeos, e com isso, foi exigido uma maior dedicação aos estudos além do cansaço maior. “Meu maior desafio é  absorver a grande quantidade de material escrito e aprender com um método diferente do que estou acostumada que é o de aulas online, tendo que fazer debates que costumávamos realizar em salas de reunião agora em aplicativos de chamada de vídeo e sem laboratórios”, relata.

A estudante tem se preocupado bastante em manter a saúde mental e, para isso, está evitando acompanhar páginas de notícias nas redes sociais, se informando apenas pelo telejornal da noite, fazendo exercícios físicos em casa e até mesmo se maquiando para assistir às aulas por videoconferência. “Se você achar que não consegue fazer aquilo naquele dia, respira e se organiza para fazer em outro momento, quando estiver se sentindo menos sufocado. Outras pessoas estão nessa situação também e isso não é um motivo para se sentir mal. É uma pandemia, reagimos de formas diferentes e nosso corpo e mente devem ser respeitados”, recomenda a aluna de Medicina.

Dicas para estudar durante a quarentena

Professora Ana Cecília (abaixo) na transmissão ao vivo do @uniforcomunica

A professora do curso de Direito e do Programa de Tutorial Acadêmico (PTA) da Universidade de Fortaleza, Ana Cecília Aguiar, participou na última terça-feira (14/04) de uma transmissão ao vivo pelo Instagram da Unifor (@uniforcomunica) na qual deu uma série de dicas para os estudantes conseguirem manter os estudos durante o isolamento social.

Entre as dicas da professora, uma delas é procurar o que está ao alcance para melhorar a ansiedade, como, por exemplo, não acompanhar 24hrs as notícias sobre a pandemia, e também fazer um planejamento de metas possíveis. “Nosso senso de normalidade tá mudando, é normal que a gente se sinta ansioso, desconfortável, perdidos e desanimados. O que é possível fazer? Esse fazer nos tira de uma paralisação que esse conhecido pode nos colocar devido a ansiedade, mas não é um fazer de qualquer forma, temos que ser responsáveis e generosos com a gente, e é um fazer para cada um”, explica.

A principal dica de Ana Cecília é a de estabelecer um horário de estudo pessoal separando as horas de estudo que a pessoa tem e alternando com períodos curtos de pausa. Porém, este horário precisa ser flexível, pois imprevistos (problemas pessoais, distrações) podem acontecer. Essa rotina deve também estar associada a um período de sono de qualidade, espaço para exercício de hobbies e tranquilidade, pois de acordo com a professora, é essencial cultivar a calma e tranquilidade durante essa pandemia.

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