Profissionais autônomos falam sobre a mudança das vendas de ovos de Páscoa com a pandemia do novo coronavírus

Por Sarah Viana e Thomás Regueira

 

Um dos elementos que marca a Páscoa, um dos feriados religiosos mais importantes no Brasil, é a chegada dos ovos de páscoa nos mercados e lojas de conveniência. Os ovos de chocolate são alvo de consumo muito forte durante o feriado, desejados pelas pessoas, principalmente pelo público infantil. O comércio dos ovos na época é de grande valor para a movimentação da economia, assim como os presentes são importantes para a economia no Natal.

Devido a este cenário, alguns profissionais autônomos que trabalham com a venda de bolos e outros doces, se propõem a fazer ovos de páscoa dos mais variados tipos (preto, branco, recheado, confeitados, etc…) para obter uma renda maior e ganhar mais clientes. Porém, devido à pandemia do COVID-19, a grande maioria dos estabelecimentos comerciais foram fechados para evitar o risco de contaminação, prejudicando a economia e o clima do feriado de Páscoa. O Jornalismo NIC conversou com três profissionais autônomos que estão trabalhando com a venda de ovos de chocolate nesse período.

Rayssa Stella. Foto: Arquivo Pessoal

Rayssa Stella, autônoma que está vendendo ovos de páscoa artesanais por meio do Instagram (@brigadeirosdoceriia), comenta que quando a pandemia tomou proporções maiores no Ceará, os clientes exigiram um posicionamento sobre a higienização na cozinha onde os doces são fabricados, e com isso, ela está trabalhando com mais cuidados extras tanto na produção quanto na entrega das encomendas, que agora é feita utilizando luvas e máscara. “O maior cuidado foi a modificação da entrega, sendo feita por um motoqueiro [quando a entrega ultrapassa 5km] contratado e garantindo a ele todo aparato para levar com higiene o produto até o cliente”, relata Rayssa.

Apesar do cenário, a autônoma diz que mesmo assim conseguiu novos clientes, devido a investimentos em marketing, e mantive os antigos. Neste ano, ela conta que muitas pessoas esperaram o começo do mês para fazer as encomendas e comprar à vista por conta da garantia de salário, diferentemente de outros anos, em que as compras eram feitas mais por meio de cartão. “A nossa expectativa é de conseguir cobrir o investimento realizado na época e tirar uma renda boa pra nos mantermos até as próximas datas. É importante frisar que as mães são compulsoriamente jogadas ao empreendedorismo e quando somos afetadas por uma crise em meio a uma data tão importante para o negócio, somos muitas vezes ‘apagadas’ por grandes empresas que possuem maior investimento em marketing”, destaca.

Bárbara Coelho, assim como Rayssa, é autônoma e vende ovos de páscoa e outros doces pelo do Instagram (@dolcelua). Com a chegada da pandemia, 60% das vendas do período de páscoa foram afetadas por conta do receio dos clientes em comprar, e os que estão comprando, estão exigindo cuidados de higienização. “Estamos fazendo a limpeza de todo material que entra na nossa casa com água, água sanitária e usando todo equipamento de proteção (luvas, máscaras e toucas) tanto na produção quanto na entrega. Estamos fazendo uso de álcool em gel na maquineta de cartão e celular sempre que saímos de casa”, relata a empreendedora.

Outro desafio encontrado no período foi a falta de determinados materiais, como embalagens de bolo, já que a maioria das lojas estão fechadas e algumas estão trabalhando por entrega em domicílio. A expectativa de vendas está razoável. “Consegui vender o estoque de caixas que tinha comprado pro início mas nem se compara com a expectativa que estava no início do ano”, comenta Bárbara.

Camila Ito. Foto: Arquivo Pessoal

Camila Ito trabalha com a produção de variados tipos de doces em seu Instagram (@camilaitosweetgourmet) e, assim como outros autônomos que trabalham com encomendas de ovos de Páscoa, encontrou dificuldades em vender seus produtos. “As primeiras semanas tiveram pouquíssimas encomendas, diferente do ano passado, que quando lançamos o cardápio, já tínhamos encomendas”, conta. A empreendedora afirma que as diferenças entre 2019 e 2020, em quesito de encomendas, foi notado durante a divulgação do cardápio, que acontece entre fevereiro e março, momento onde o novo coronavírus teve seus primeiros casos aqui no Ceará.

A venda dos ovos de Páscoa é um dos costumes que existem entre os brasileiros e Camila aponta que durante suas vendas nas últimas semanas, além de ter conseguido novos clientes, mas perdido antigos, notou o novo padrão das encomendas. “O que a gente vende de lembrancinha que as pessoas compram em maior quantidade para presentear, esse ano não vai acontecer dessa forma. O que está acontecendo é comprar para consumo próprio, comprar um ovo para o filho, para a família, mas lembrancinha para presentear, realmente não acontece”, comenta.

Apesar dos comércios não essenciais estarem fechados, ela afirma que não teve dificuldades para comprar ingredientes para sua produção. Outro ponto que Camila notou foi a pouca diferença nas medidas de segurança e higiene na sua produção, onde o único fator foi a adição da máscara para seus funcionários, pois o uso de álcool em gel 70% e de luvas já faziam parte da rotina dos funcionários.

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