Jornalistas contam como é estar na linha de frente da pandemia

Por Sarah Viana e Thomás Regueira

 

Durante o período de quarentena, muitos profissionais tiveram que mudar suas rotinas por não poderem ir ao trabalho, seja por meio de home office ou, infelizmente, ter que recorrer ao seguro desemprego e benefícios do governo. A profissão de jornalista foi uma das que não parou nesse momento de pandemia, contribuindo junto com os profissionais da saúde como médicos e enfermeiros.

Os jornalistas estão desempenhando uma função importantíssima no meio dessa pandemia: informar a população sobre o avanço da doença tanto no que diz respeito à pessoas infectadas como no avanço do tratamento. Exerce ainda um importante papel no reforço das medidas de segurança que devem ser tomadas para evitar o contágio. A TV Globo, por exemplo, aumentou o tempo de exibição de conteúdo jornalístico para aprofundar a cobertura da pandemia.

Outro ponto que a imprensa está trabalhando com eficiência é para desmistificar as fake news que estão circulando sobre o novo coronavírus. Os assuntos variam entre dizer que determinados locais estão desabastecidos de alimentos, os hospitais e autoridades estão escondendo os dados ou, então, sobre métodos utilizados que não são efetivos no combate à COVID-19.

Felipe Mesquita. Foto: Arquivo Pessoal

Felipe Mesquita é um dos jornalistas que estão nessa intensa cobertura. Ele trabalha no Sistema Verdes Mares (SVM), um dos maiores veículos de comunicação do Ceará. Desde 15 de março, quando foi confirmada a existência de três pessoas infectadas pelo vírus no Estado, os jornalistas estão trabalhando intensamente no assunto.”Trabalhar nesse período tem exigido muito equilíbrio emocional, agilidade para lidar com a alto volume de informações que chegam a cada dia, com as demandas da redação que estão sendo muitas para todas as plataformas. Estar na linha de frente é altamente desafiador, porque se trata de um assunto novo na história recente”, relata Felipe.

Os repórteres estão em esquema de revezamento, em que uns trabalham de casa e outros vão a redação, depois trocando. A recomendação, para quem está na redação, é de não sair, só em último caso, e todos recebem um álcool gel de uso diário. O maior desafio para Felipe nesse período são o de descobrir novos “ganchos” para o assunto em um curto espaço de tempo. “Os informes da Secretaria da Saúde demoram muito pra sair. Ontem, por exemplo, saiu às 21h10, sendo que o jornal precisa fechar até 22h. […] Quinta-passada, quando saíram os primeiros óbitos, eu saí do jornal às 23h30, porque o boletim só chegou depois de 22h”, comenta o repórter.

Bernadeth Vasconcelos. Foto: Arquivo Pessoal

Bernadeth Vasconcelos também é jornalista do SVM e está trabalhando na cobertura do COVID-19. Ela comenta que tem sido muito desafiador ter que todos os dias lidar com as notícias, que não são boas, e ter que se expor ao perigo. Além disso, ela não tem a opção de trabalhar em casa porque atua na área de TV. Todos os dias, Bernadeth e os colegas chegam cansados para trabalhar. “Não tem essa opção de fazer yoga, meditar, fazer cursos online […]. É um desafio fechar matérias de TV sem muitas imagens. Essa tá sendo a cobertura mais desafiadora para todos os jornalistas porque ninguém nunca enfrentou nada assim e não sabemos quando vai acabar. Isso está mudando a gente tanto como profissionais como humanos”, ressalta a jornalista.

Em relação ao seu trabalho, Bernadeth destaca que ela e os colegas de profissão estão na linha de frente e admiram as outras pessoas de diferentes áreas que estão trabalhando  nesse período. Ela também destacou que a informação é muito importante, pois ela é uma das formas de combater o vírus e que isso é o principal motivo para manterem a força.

Outro jornalista que está na cobertura dos acontecimentos é Walber Freitas, repórter do O Povo, outro grande  grupo de comunicação no Ceará. De acordo com ele, a maioria dos jornalistas estão trabalhando de casa, mas alguns que não moram nas áreas de risco da capital (Exemplos de áreas de risco: Meireles, Aldeota, Mucuripe e Guararapes), precisam ir ao jornal para poder ter alguma base, principalmente os que atuam no jornal impresso.

Walber está trabalhando de casa e em relação a esse modelo de trabalho, diz que já estava acostumado por trabalhar dessa forma antes. “Eu já trabalhei de home office antes, em uma empresa de assessoria. Não é tão novidade, mas muito coisa faz falta. A principal é o calor da redação e a troca no dia a dia”, comenta. O jornalista também observa que as pessoas estão atentas e todos os dias cobram dos jornalistas do O Povo cada vez mais informações.

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