Jovens relatam como vivem a pandemia fora do país

Por Sarah Viana e Thomás Regueira

O mundo todo está de quarentena por causa do coronavírus, fazendo com que a maioria das pessoas fiquem dentro de casa e todos os estabelecimentos de serviços, comércio e outras atividades econômicas fossem fechados. Nesse momento, contar com a família e amigos por perto, mesmo que também confinados em casa, pode ser essencial na manutenção da saúde mental.

Larissa Carvalho. Foto: Arquivo Pessoal

Porém, viver esta situação em outro país, sem conhecer muito bem a cultura e o idioma torna-se uma experiência singular. Nesse contexto, a solidão e as saudades podem se agravar bastante. A reportagem do Jornalismo NIC procurou saber como alguns estudantes e ex-estudantes da Unifor, que moram no exterior, estão vivendo a pandemia do novo coronavírus. Além disso, ouviu estudantes estrangeiros que vieram fazer intercâmbio em Fortaleza e foram surpreendidos com a orientação de não sair de casa.

Larissa Carvalho se graduou em Jornalismo pela Unifor, em 2019, e, após a sua colação de grau, viajou para Joanesburgo, capital da África do Sul. Entre outras coisas, foi fazer um  curso de inglês e começou um estágio em um jornal local como jornalista freelancer. Com a chegada do coronavírus, ela, seus colegas de trabalho e seu chefe, adotaram o sistema de home office.

Um aspecto que ela destaca no país é que de forma geral, as empresas da África do Sul se preocupam com a saúde dos empregados e estão fazendo de tudo para que as pessoas evitem sair de casa para trabalhar. Além disso, ela enfatiza que o governo do país está bastante mobilizado para controlar a pandemia.

Mariana Penaforte. Foto: Arquivo Pessoal

Mariana Penaforte, 31, também é jornalista e ex-aluna da Unifor. Ela mora em Santiago, no Chile, há oito anos, onde trabalha com jornalismo econômico. Atualmente, trabalha como assessora de comunicação do Ministério da Fazenda. No Chile, foi adotado um sistema de quarentena gradual, que significa que todos os estabelecimentos não foram fechados de uma vez, como aconteceu no Brasil. O governo tem adotado várias medidas para evitar que as pessoas saiam de casa e para combater o vírus. Além disso, afirma que a população está consciente sobre a atual situação. 

Pela primeira vez na vida, Mariana está trabalhando a distância e está achando interessante a experiência. Apesar do regime de quarentena no mundo, conta que conseguiu se comunicar melhor com seus amigos.

Longe de casa

Danna Yisella. Foto: Arquivo Pessoal

A estudante de Jornalismo, Danna Yissela Avila Gonzalez, 18 anos, veio para fazer intercâmbio na Unifor no final de janeiro, desde Villavicencio-Meta, na Colômbia. Ela mora em uma “república” (morada de estudantes) junto com outros 16 estudantes, no bairro José Bonifácio. Danna acredita que cada um enfrenta essa situação de acordo com a sua personalidade. Diz que se caracteriza por ser forte e tranquila. “Eu não me estresso, claro que a preocupação por não estar com as pessoas que amo e ter a minha família e amigos tão longe de mim é uma preocupação. Mas não é tão forte ao ponto de me sentir oprimida, sentir-me desesperada. Tenho levado isso com muita calma, pois sei que, se não o faço e se me desespero. Então, me parece muito importante manter-me relaxada para que o meu corpo esteja bem, saudável. Faço exercícios e alimentando-me bem, tomando todas as precauções para não estar aberta a ser positiva ao COVID-19”. Outro fator que a ajuda é que mantém contato diário com a sua família, sempre trocando apoio moral.  

Ela reconhece que é preocupante viver com tantas pessoas juntas em um momento como esse, “mas é o que tem”, responde resignada. Danna explica que, quando surgiram os primeiros casos da doença Covid-19 no Brasil, fizeram uma reunião orientados por uma enfermeira e outros estudantes da área da saúde para adotar os cuidados e precauções. Restringiram as saídas para efetuar o estritamente necessário. “Quando sair, usar álcool em gel antes e depois de voltar. Ir com máscaras. Se está doente, apresentar sintomas, não sair das habitações, tomar seu remédio, usar máscara. Também temos procurado ter muito cuidado com o asseio, com a higiene. Temos criado estratégias para não ficarmos com tédio, como jogos, certas dinâmicas, para diversão e entretenimento”, explica.

Yanick Sanner. Foto: Arquivo Pessoal

Yanick Saner é suiço e está também em Fortaleza estudando Comércio Exterior. Nos últimos dias, ele relata que foi bastante esquisito para ele e seus companheiros da “república” viver a quarentena. No entanto, declara que eles já estão conseguindo lidar melhor com o confinamento. “Tivemos uma reunião com as pessoas da república sobre nosso futuro, adotamos várias regras como não sair de casa, a não ser que seja para ir ao mercado, menos gente entrando na república e lavar as mãos regularmente. Jogamos cartas, futebol no pátio, assistimos filmes, entre outras coisas”.

Ele tem se comunicado com a família na Suíça pelo menos três vezes por dia para conversar sobre a situação dele, no Brasil, e para saber como está em seu país de origem. Seus pais lhe sugeriram voltar para Europa e perder um semestre, mas Saner ainda não tem certeza sobre o que vai fazer. “Eu só quero sustentar a minha família na Suíça e voltar ao trabalho para que eu possa economizar nas minhas férias um valor que vale a pena para viajar por esse país maravilhoso”, explica o estudante.

Larissa Carvalho. Foto: Arquivo Pessoal

A mexicana Dulce Bautista, 21 anos, estudante de Administração de hotéis e restaurantes da Universidade de las Américas, em Puebla, passou um semestre de intercâmbio na Universidade de Fortaleza, em 2019.2, e depois seguiu para um estágio em um hotel, em Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, no Golfo Pérsico. Viajou para lá em janeiro e, agora, conta que está confinada no hotel sem hóspedes e em uma região quase deserta. “Há um ambiente de muito estresse, muita incerteza sobre o futuro, pois a qualquer hora pode mudar tudo drasticamente. O segmento hoteleiro foi duramente atingido, estamos desamparados, pois não há clientes. O hotel está vazio e aqui ficaram apenas os empregados que não conseguiram ir para casa”.

Dulce fez várias tentativas para voltar para o México, mas, como está muito longe do aeroporto, perdeu alguns voos de emergência porque levaria muitas horas para chegar. “O hotel em que estou é no meio do deserto. Fazendo os cálculos, sairia muito caro ir nas atuais circunstâncias. Além de correr o risco de não chegar no horário do voo sair. Atualmente, todas as fronteiras do país estão fechadas. Não tenho mais como sair, pelo menos nas próximas duas semanas”.

Diz que voltar para seu país seria muito bom, mas lamenta que a situação lá não parece oferecer boas perspectivas. Afirma que, ao contrário do que estão fazendo alguns países para proteger seus cidadãos, lá não se estão adotando as mesmas medidas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php