Brasileiros que vivem no epicentro da epidemia do Covid-19

Por Carolina Meneses, Matheus Pires, Sarah Viana e Thomás Regueira

 

Jocilene da Cruz. Foto: Arquivo Pessoal

A crise do Coronavírus está em seu auge na Europa e, apesar de no Brasil termos o sentimento de que o pior ainda está por vir, na Itália e na Alemanha os impactos da pandemia do coronavírus estão no seu ápice. É importante aprender sobre a vivência de pessoas que lá estão para se preparar para o momento em que o pico dessa crise chegar, possamos lidar com ela e controlar os danos da melhor forma possível.

A comerciante brasileira, Josilene Da Cruz (56), baiana que mora na Itália há mais de 20 anos, ressalta a importância do isolamento: “Estamos atentos a estar distante das pessoas com exceção do nosso núcleo familiar e, por lei, fechamos o nosso negócio durante esse período”.

Prateleiras de um supermercado na Alemanha vazias. Foto: Breno Mota

O drama vivido na Itália hoje é o mais grave segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O País é o novo epicentro da pandemia e a população está em estado de quarentena. “Se pede aos cidadãos que não saiam de casa”, afirma a baiana. Ademais, é de suma importância que as recomendações das autoridades sejam seguidas nesses tempos de crise e, pelo menos na cidade  de Vicenza, onde mora Josilene, isso está sendo feito pela maioria das pessoas. “Tem sempre alguém egoísta, uma pequena parte, mas a maioria das pessoas daqui estão seguindo as recomendações direitinho”, revelou ela.

Já em Berlim, na Alemanha, a chanceler Angela Merkel concedeu uma entrevista coletiva onde afirma que 70% da população deve contrair o Coronavírus. O ex-aluno da Unifor, Breno Mota, de 22 anos, está residindo na capital alemã desde fevereiro e ressaltou  que a mudança na rotina da população e o desabastecimento estão sendo os principais problemas para a população da metrópole. “Foi inesperado, por isso que a maioria dos supermercados estão com as suas prateleiras vazias, se veem menos transportes públicos na rua e a maioria das pessoas estão trabalhando de casa”

Os brasileiros concordam que a calma é fundamental para lidar com essa crise, porém não pode haver displicência e esperam que no Brasil as mesmas precauções possam ser seguidas e que haja consciência das autoridades para que se possa frear o avanço no número de contaminações desse vírus.    

Professoras da Unifor tentam se adaptar à quarentena

Lizie Sancho mora em Aveiro, uma cidade universitária de Portugal, e se encontra completando cinco dias de isolamento domiciliar. A medida preventiva do governo português se deu ao avanço excepcional de contágio do novo coronavírus, provocando a COVID-19. A doutoranda, que já foi professora na Universidade de Fortaleza (Unifor), descreveu um caso de desabastecimento de carne em um dos supermercado da cidade quando as medidas governamentais de prevenção ao alastramento do coronavírus foram anunciadas. 

Apesar do isolamento, Lizie não se sente apavorada com a doença e afirma que a quarentena tem tido alguns impactos positivos, como conseguir ler livros que estavam parados na estante e assistir filmes que ainda não tinha assistido. Porém, a importância da conscientização sobre o isolamento das pessoas deve ser ratificado. A professora conta sobre a decepção dos portugueses quanto ao caso de estudantes e pessoas locais que foram para a praia de Carcavelos e o jardim do Arco do Cego quando o país já estava em quarentena. 

Raissa Karen é ex professora do CCG da Unifor e atualmente também está morando em Aveiro, Portugal. Com o surto do coronavírus no País, foram adotadas medidas para evitar a disseminação da doença, como higienização das mãos, cuidado com o contato e divulgaram o fechamento de estabelecimentos comerciais e instituições de ensino. “De uma forma geral, supermercados continuam normais, porém com acesso controlado e menor tempo de funcionamento”. Alguns supermercados disponibilizaram álcool em gel para os clientes na hora da compra na saída e na entrada

Até o momento, Raissa não tem um amigo ou conhece uma pessoa próxima que esteja com o coronavírus e não se deparou com uma situação de pânico e desespero. “A população, de forma geral, tá tranquila. Se fala no assunto, há uma preocupação com a prevenção, mas não há nenhum desespero.”

Medidas para se prevenir do Covid-19

O Coronavírus têm a transmissão por secreções, liberadas na hora que o doente fala ou tosse. Lavar as mãos com água e sabão por 30 segundos, esfregando toda a palma, dorso e os dedos ajuda em uma limpeza mais profunda, pois retira as impurezas de todos os vírus e acaba com sua camada protetora e gordurosa presa na superfície.

Ter sempre um álcool gel à disposição também dá suporte, pois funciona como uma segunda opção, afirma Keny Oliveira, médico infectologista do Hospital São José e professor do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Unifor. 

Como é um vírus respiratório deve-se manter distância do infectado, evitar abraços, beijos e tocar nas mãos. O mesmo vale para os objetos, pois o vírus permanece nos usos destes. Se estiver com gripe, recomenda-se evitar aglomerações para não contaminar as outras pessoas e também utilizar máscara. A higienização das mãos deve ser feita após pegar em maçanetas, corrimãos, usar elevadores e tocar nas mãos das pessoas. Todos devem seguir essas recomendações, incluindo os gestantes e portadores de doenças crônicas, os grupos de risco.

Keny afirma que o contágio é diferente em muitos lugares e que o uso  vai depender de cada situação. A recomendação vai para pessoas que estão com sintomas respiratórios, com ou sem coronavírus, como uma gripe. As máscaras cirúrgicas são indicadas para cuidadores e os profissionais de saúde podem usar as comuns e as cirúrgicas. 

Em relação àqueles que ainda precisam utilizar transportes públicros, esses estão em uma situação delicada, pois é um local de aglomeração.  De acordo com Keny, utilizar os transportes públicos “não dependerá do indivíduo, e sim dos empregadores destas pessoas e do governo para rever formas de diminuição destes meios de transportes, ou a diminuição da lotação, evitando a aproximação”. 

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