Militantes trans contam suas vivências e inspiram mudanças na visão social de gênero e sexualidade

Por Matheus Pires

 

Duas ativistas da causa trans, durante o I Simpósio Multidisciplinar sobre o Direito das Mulheres, realizado na tarde de ontem (05), relataram as suas histórias de vida para ressaltar a necessidade de uma desconstrução dos rótulos que definem sexualidade e gênero. A intervenção ocorreu em uma das temáticas do simpósio intitulada “Ninguém nasce mulher, torna-se” o que gerou um debate sobre sexo e gênero. 

As palestrantes Lucy Rivka e Lucivânia Sousa tiveram provocaram grande impacto sobre a platéia presente ao evento, ocorrido no auditório da biblioteca da Unifor. Através dos seus depoimentos de experiências de vida, elas geraram grande empatia na platéia e passaram mensagens esclarecedoras quanto à causa que defendem.

Sexualidade não é gênero

Lucy, usando-se de metáforas, refletiu sobre o desconforto vivido pelos transsexuais em ter de se definir em um gênero, defendendo a individualidade e complexidade das pessoas. E com o seu próprio exemplo, de ser trans e se relacionar com mulheres, ela pôde diferenciar sexualidade de gênero. Algo esclarecedor, já que ser uma mulher trans não significa gostar de homens, mas se sentir mulher. “O futuro não tem gênero, não tem normas, só tem pessoas”, declarou

O rótulo “trans”

Lucivânia contou sobre as dificuldades vividas por ela, para assim, descrever o drama pelo qual os transsexuais têm que enfrentar todos os dias no nosso país. Desta forma, ela também pôde trazer números alarmantes em relação ao nosso estado. “O Ceará é o segundo estado que mais mata pessoas trans no país, um aumento relevante em relação ao ano passado, quando era o quarto. Desde o início do ano, já foram assassinadas 13 pessoas no estado do Ceará nesse contexto”, explica a ativista.

Por fim, em sessão interativa com a plateia, Lucivânia chamou a realidade da maioria da população trans de “mundo cão”, ao afirmar que, além de todas as dificuldades por ela apresentadas, como preconceito, violência e intolerância,  a competitividade entre as pessoas trans é muito intensa, e que muitas vezes pode atrapalhar a luta delas por justiça.

Infografia: Halleyxon Augusto
Infografia: Halleyxon Augusto

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