Jogos em grupo podem estimular amizade

  Por Carolina Meneses

Um convite para jogar pode ser uma chave para a construção de um novo relacionamento.  Os jogos de tabuleiro, RPG (sigla em inglês de Role Playing Game, ou Jogo de Interpretação de Papéis, em tradução livre) vêm como instrumentos de sociabilidade, pois ajudam as pessoas que têm dificuldades de falar sobre si por receios de julgamentos, bullying, entre outras coisas,  sendo interpretado com um foco em algo específico. “Com o passar do tempo o jogo sai do foco principal para o secundário, pois os encontros com o pessoal tornam-se mais interessantes, dando a sensação de prazer”, afirma Aécio Araújo, 33, psicólogo com estudos na área de jogos.

Guilherme Tavares com suas cartas. Foto: Carolina Meneses

Guilherme Tavares, 23, estudante de Arquitetura, começou comprando cartas nas bancas de revistas aos 8 anos. Conheceu o mundo do Magic com 17 anos. A preferência em card games (jogos de carta) foi por construir o próprio deck (baralhos com cartas pré-definidas)  dando um toque pessoal e a própria maneira de jogar . “Eu prefiro porque, como podemos construir nossa própria estratégia, ao mesmo tempo podemos usar muito a lógica. O exercício da lógica é o exercício de quem pensa melhor.”

Em uma recente viagem ao Canadá, Tavares foi a uma loja de RPG e Card Games e pode conhecer muitas pessoas, pois o jogo em si é um tema que é comum para todos os presentes, independente da nacionalidade. Seu primeiro torneio foi na Revistaria Art Cult, enquanto ainda não conhecia muito deste universo. Hoje, frequenta mais torneios pequenos e locais, com cerca de 30 a 40 participantes. 

Exige treino diário, dinheiro para as inscrições, ou seja, uma preparação – Guilherme Tavares.  

Conforme os torneios e as competições que Guilherme e seus amigos participavam,  as cartas deveriam ser mais ou menos do mesmo nível. Existia um revezamento de uso das cartas nos finais de semana. Nisso tentavam comprar os materiais juntos, dividindo os preços e saía muito mais barato, formando um elo entre os amigos, economicamente viável e mais interessante de jogar. 

Thiago Oliveira. Foto: Carolina Meneses

Thiago Oliveira, 23, estudante de Ciências da Computação, começou nos videogames em 2001, com o Super Nintendo. Seu primeiro videogame foi o Playstation 1. Os cards games vieram um pouco depois, em 2008, dentre eles o Pokémon e Yu-Gi-Oh. O Nintendo switch o acompanha na hora do almoço. Duas vezes por mês, Oliveira vai em  Luderias (bares especializados em jogos) pela facilidade no aluguel de jogos e em reunir os amigos. 

“Tudo é possível, e é isso que torna o universo dos jogos tão maravilhoso, rico e atrativo”, comenta Oliveira. Ele já participou de torneios de Card Games, Board Games e consoles, como  os torneios de Pokémon VGC (sigla em inglês de Virtual Games Console ou Videogames de console em tradução livre), TCG (sigla em inglês de Trading card game ou jogos de cartas), Yu-Gi-Oh, card fight, Vanguard, Cavaleiros do Zodíaco, alma dos soldados, Digimon Rumble arena. Eventos como o Anime master, Sana e em  luderias, Quantum, Dominaria e Redzone.

Yasmin jogando com Thiago. Foto: Carolina Meneses

Yasmin Sampaio, 23, estudante de Arquitetura, começou em 2015 jogando Catan, no qual os jogadores tentam ser a força dominante na ilha Catan, e o jogo Resistance, que é um jogo festivo de dedução social. A interatividade entre as pessoas, as conversas e  brincadeiras sempre criaram um ambiente de socialização, atraindo Yasmin. A variedade de jogos e a possibilidade de unir os amigos e conhecer mais pessoas fizeram com que a procura por luderias fosse mais forte. “É um momento de descontração, de estar com os amigos, se divertir e conversar. Gosto muito desses ambientes, até para se desligar da realidade do dia a dia e fugir da rotina.” Jogos como Resistence, Dixit, Bang, e Sim, Mestre das trevas ! , fazem parte dos seus preferidos. 

O Mercado das Luderias

Agnaldo Barbieri, 50, analista de sistemas e empresário da Quantum Board Games, era colecionador e queria investir no ramo. Aproveitando que o mercado de games está em expansão montou sua luderia em 2018. A ideia partiu de um dia em que Barbieri  estava em frente a uma loja de board games e percebeu que havia pessoas na fila do caixa. Pegou o contato destas pessoas e no final de semana estava jogando com elas. 

Na cidade, os shoppings já estão tomando a iniciativa de fazerem eventos com a luderia de Barbieri, para isso, é preciso uma organização, ou seja,  planejamentos de material e equipamentos. Fora os eventos e a diversão dentro da luderia, Barbieri está organizando com as escolas um modo de aprender com os jogos. Serviços como Exposição Lúdica, Excursão lúdica e a Ludoteca, são planos que envolvem o aprendizado. Na exposição é aplicada uma abordagem pedagógica, na excursão as crianças fazem uma visita à luderia e a ludoteca é formada por uma biblioteca de jogos. 

Board Games (jogos de tabuleiros), Card Games (jogos de cartas) e Videogames (jogos de monitor) formam um universo diferente de jogos tradicionais, como xadrez e o baralho de reis, por exemplo, porque engloba diversos elementos adicionais, como desenhos, cores, cenários e histórias aprofundadas. Tratando-se do RPG de mesa, o jogo pode acontecer em diferentes cenários: ficção científica, Idade Média ou terror, e para cada jogo, há um cenário que é composto de um mapa e fichas técnicas dos personagens envolvidos. 

Infografia: Diuly Moreira

Magic 

“Magic the gathering” (em inglês mais chamado de Magic)  foi criado pelo estadunidense Richard Garfield e publicado pela Wizards of the Coast, uma publicadora de jogos baseados prioritariamente nos temas de fantasia e ficção científica.  Este jogo apresenta um conceito moderno de cartas colecionáveis em que cada jogador apresentará uma quantidade de pontos de vida. O objetivo é exaurir os pontos do oponente e eliminá-lo.  As cartas são obtidas em Decks (baralhos com cartas pré-definidas) e Boosters (envelopes fechados com cartas aleatórias). Os jogadores têm formas diferentes de ganhar, suas cartas não são fixas e podem ser trocadas entre outros jogadores. Cada uma representa um elemento do jogo e contém uma caixa de texto explicando o seu efeito durante a partida, além de possuírem uma magia. 

Baralhos de Magic. Foto: Carolina Meneses

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