Conheça o veganismo: estilo de vida que só cresce

Por Ana Luísa Ferro, Letícia Monteiro e Lorena Cabral

 

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), 14% da população brasileira é vegetariana, representando cerca de 29,2 milhões de pessoas.

Lançado em 2014, o documentário “Cowspiracy”, produzido por Leonardo Di Caprio, mostra os grandes impactos ambientais causados pela indústria pecuária, setor que mais causa desmatamento no mundo. Além disso, em 2016, foram revelados vídeos de um matadouro certificado de Vigan, no sul da França. Filmados através de câmeras ocultas, eles mostravam a situação precária do matadouro e os maus tratos cometidos aos animais, causando grande comoção ao redor do mundo e o fechamento temporário do estabelecimento. 

No entanto, não é apenas ligado à indústria pecuária e ao consumo da carne que há sofrimento e maus tratos aos animais. Em 2017, um vídeo feito nos bastidores da gravação do filme “Quatro vidas de um cachorro” causou polêmica na internet. Nele, aparecia um cachorro pastor alemão forçado a entrar em um tanque de água com correnteza, visivelmente apavorado. 

Por esses e outros motivos que envolvem tortura animal, os veganos adotam uma postura de evitar o consumo de alimentos de origem animal em todas as áreas de sua vida. O princípio da filosofia vegana é a igualdade, tanto entre humanos (não tendo nenhum tipo de preconceito) quanto entre humanos e animais. Com isso, eles não fazem uso de nenhum produto que tenha matéria prima animal ou envolva crueldade e exploração deles. Confira abaixo o relato de Sara Ortins, profissional nutricionista e adepta ao veganismo.

 

Diferença entre veganismo e vegetarianismo

Coisas que veganos excluem de suas vidas. Fonte: https://www.greenme.com.br/alimentarse/vegetariano-e-vegano/5914-vegetariano-x-vegano-diferencas/

A principal diferença entre vegetarianismo e veganismo é simples, o primeiro  exclui apenas na sua alimentação produtos de origem animal, enquanto o segundo vai além, não consumindo nenhum alimento, cosmético, vestuário, artigos para a higiene, limpeza ou qualquer outro produto que tenha origem ou envolvimento animal. A pessoa que segue esse pensamento não quer compactuar com nenhum sofrimento animal e sua escolha vai além de uma simples dieta, passa a ser uma filosofia, um estilo de vida. Por essa razão, podemos afirmar que todo vegano é vegetariano, mas nem todo vegetariano é vegano.  

Ainda existem dúvidas se o vegetariano se alimenta também de leite ou de ovo, por que não se trata de um consumo de animal, mas de seus derivados. Por essa razão, o termo “ovolactovegetariano” começou a ser difundido para designar essas pessoas que incluem o ovo e o leite em sua dieta. Há também o “ovovegetarianos” e “lactovegetarianos”, nome dado àqueles que consomem respectivamente, ovo e leite em sua alimentação, podendo ser a porta de entrada para o mundo vegetariano. 

É importante entender que apesar de não haver morte, na maioria das vezes, os animais são explorados e maltratados para a comercialização de diversos produtos, fruto de um sistema capitalista e de interesses comerciais. A realidade dos abatedouros com técnicas cruéis de abate causaram comoção a muitas pessoas nos últimos anos, após a divulgação de vídeos, realizados por câmeras ocultas, mostrando a dor animal. Nos laboratórios, a utilização de animais  em testes de pesquisas para cosméticos e produtos químicos são alvo de protestos, assim como a exploração com fins comerciais em que as vacas e outras espécies de fêmeas são super estimulada para a procriação ou para a produção de leite.

A compaixão pelos animais, a compreensão de que não somos superiores a eles faz não só os veganos, mas a sociedade em geral, buscar a cada dia, alternativas para não explorar os animais em vários setores de nossa vida.  

Veganismo no Brasil

Compaixão pelos animais, respeito pela natureza e preocupação com a saúde são os principais motivos que levam cada vez mais indivíduos a se absterem de qualquer produto de origem animal. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2009, o setor de produção animal é um dos maiores responsáveis pelos problemas ambientais, como poluição, desperdício de água, mudanças climáticas e desmatamento. Além disso, o consumo excessivo de proteína animal pela humanidade, incentivado pelo capitalismo, prejudica a mesma população que a financia.

Consolidado como o maior exportador mundial de carne bovina, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) de 2018, o Brasil dizimou cerca de 70% da floresta amazônica em prol da criação de pastos e plantações para a produção de ração no ano de 2006. E com o atual governo, a devastação dessa floresta cresceu 278% em relação a 2018.

Em contrapartida, o mercado e o número de pessoas veganas ou que já consomem este tipo de produto também está crescendo consideravelmente nos últimos anos. “Não quero interferir na vida dos animais. Não quero que eles sirvam como carne nem que eles produzam coisas para mim. Eu não acho que tenho esse direito. Eu não me sinto superior ao animais”, enfatiza Magali Leite Soares, vegana há três anos e auxiliar de cozinha do restaurante de comida vegana GreenVegg. 

O fato que traz esperança para os adeptos desse estilo de vida é que dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de 2009 comprova que boicotando a carne por apenas um dia já é capaz de fazer a diferença. Ao eliminar tais produtos do consumo diário, somente uma pessoa  já é capaz de poupar aproximadamente cerca de 2.481 litros de água e 14 kg de CO2 emitidos na atmosfera. Além do mais, ao tirar a carne do prato, é possível diminuir a propensão a doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial, obesidade e diversos tipos de câncer, enfermidades que atingem a maior parte da população nos dias atuais. Veja abaixo os depoimentos dos nossos entrevistados sobre como se tornaram veganos e sobre o estilo de vida.

 

 

A matéria foi produzida como trabalho da disciplina de Jornalismo Digital da Unifor. Para conferir o conteúdo original clique na imagem abaixo.

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