Patas que salvam vidas

Por Aristides Grangeiro, Camila Marinho e Victória Sângela

 

Equipe de bombeiros responsáveis pelo treinamento dos cachorros. Foto: Aristides Grangeiro, Camila Marinho e Victória Sângela

Os cães farejadores da 4ª Seção do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará ajudam nos resgates de vítimas com vida e na identificação dos corpos de tragédias ocorridas no país e no nosso estado. O canil do corpo de bombeiros fica localizado no bairro Prefeito José Walter e fomos até lá para conhecer a rotina de treinamentos desses heróis de quatro patas. 

O time formado por bombeiros convive diariamente com os 13 cães presentes na Seção e formam um vínculo de parceria que beneficia e presta apoio à sociedade. O preparo para agir em diversas ocorrências é bastante intenso e começa ainda bem cedo, através de adoções pelo Corpo de Bombeiros, o início de uma forte relação entre o cão e seu condutor.

Em uma entrevista com Subtenente da 4ª Seção do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará, José Maria Silva, ele explica que no incidente em Brumadinho a equipe atuou com dois cães farejadores, Uno, da raça pastor belga malinois e a cadela Anny, que eram os dois mais experientes da equipe. Já no Edifício Andréa, cinco cães revezavam a atuação e auxiliavam os bombeiros nas buscas pelos sobreviventes, o Uno participou de ambas as ocorrências.

Anny. Foto: Aristides Grangeiro, Camila Marinho e Victória Sângela

Os pequenos são retirados de suas ninhadas após os quarenta e cinco dias de nascimento, logo depois, são inseridas diversas atividades que estimulam a interação dos cachorros com o ambiente, com os treinos e com as simulações de busca e resgate.

Uno. Foto: Aristides Grangeiro, Camila Marinho e Victória Sângela

Além disso, eles passam por um processo de seleção. A escolha dos animais é feita por linhagem, no processo é dada a preferência  aos cães que já possuem instinto de caça, o pastor belga e o labrador são as raças que mais se destacam nas atividades de busca e resgate no Brasil. De acordo com o subtenente José Maria, o  clima é um dos principais fatores que contam na hora da escolha do cão. No sul, por exemplo, o labrador é o que mais se destaca por ser uma raça que se melhor adapta ao ambiente frio.

​Muitas pessoas não percebem ou não sabem que os cachorros podem sofrer riscos durante as suas atuações, pois seus trabalhos também ameaçam sua saúde. Para isso, a Corporação conta com o auxílio de dois veterinários e um acadêmico de medicina veterinária que fazem parte do efetivo militar. O acompanhamento médico ocorre toda semana, especialmente nas quintas-feiras. Em casos como os de Brumadinho e do Edifício Andrea, são feitas avaliações médicas, onde os cães são examinados antes e após atuarem em ocorrências.  

​O cão farejador é um personagem constante na solução de casos e no resgate de vítimas. Celebrados pelo olfato aguçado e preciso, os cães usados como ferramenta nesse tipo de situação são treinados de maneira específica, desenvolvendo ainda mais a sua sensibilidade olfativa e permitindo que se tornem grandes aliados para a solução de diferentes casos.

Nesse sentido, os cães passam por diversos treinamentos, dentre eles a busca por sobreviventes e o treinamento negativo: a busca por corpos. É importante enfatizar que a prioridade é encaminhá-los para a busca de pessoas com vida e por fim aos possíveis óbitos. O condutor deve sempre estimular o trabalho do cachorro por meio de brincadeiras e recompensas, utilizando o olfato e o instinto de caça no evento. Nesse processo é ensinado ao cachorro a sinalização, o reconhecimento do corpo, o reconhecimento do ambiente e etc.

Atuação de cães farejadores no Edifício Andréa. Foto: Arquivo Pessoal

A mais recente atuação desses heróis farejadores foi em 15 de outubro de 2019 no desabamento do Edifício Andréa, em Fortaleza, deixando nove pessoas mortas e sete feridas. No dia da tragédia, o imóvel de 7 andares passava por reforma nos pilares de sustentação devido a falhas na estrutura, as colunas de sustentação estavam com situação precária. O prédio ficava no cruzamento na Rua Tibúrcio Cavalcante com Rua Tomás Acioli, a cerca de três quilômetros da Praia de Iracema, região turística da capital cearense.

Formação

Nesse áudio o sub-tenente e também condutor, José Maria Silva, fala sobre a formação dos cães farejadores. Para ele,  a formação dos cães é um processo árduo e  exige muito treinamento. 

 

Treinamento de busca e resgate

No vídeo abaixo, vemos como funciona  a simulação de buscas e resgates de vítimas.

 

Esta matéria foi produzida para a disciplina de Jornalismo Digital, para conferir a publicação original clique na imagem abaixo.

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