Futebol feminino cearense busca por um futuro de sucesso

Caio Levi, Thamy Cavalcante e Thaís Campos

Megan Rapinoe, eleita melhor jogadora do mundo em 2019. Foto: Reprodução.

Após anos lutando por igualdade no futebol, o ano de 2019 se tornou um marco para o futebol feminino. De modo inédito, a Copa do Mundo Feminina teve todos os jogos transmitidos em escala global, dando assim uma maior visibilidade à causa.

De acordo com a Federação Internacional de Futebol (FIFA), mais de 720 mil ingressos foram vendidos para o campeonato mundial na França. Já as impressões nas redes sociais chegaram a 60 milhões, número que se refere ao número de vezes em que os tweets relacionados ao assunto foram visualizados na plataforma. Segundo dados do Sponsorlink, do IBOPE Repucom, realizado em junho de 2019, o volume de fãs de futebol feminino alcançou 51% da população conectada no Brasil, o que corresponde a 47,9 milhões de internautas com 18 anos ou mais.

Com toda essa visibilidade, os clubes do estado do Ceará, aliados à Federação Cearense de Futebol (FCF), vêm aumentando os investimentos em suas equipes de futebol feminino. A profissionalização das atletas teve início há pouco tempo, mas promete grandes resultados para o futuro.

Desde 2008, a Federação Cearense de Futebol promove um torneio feminino, contudo, até 2016 a filiação dos times à federação não era obrigatória, tornando o evento amador e com pouca credibilidade. Já em 2017, foi decidido que as únicas equipes que poderiam competir seriam as filiadas à FCF. A parte negativa dessa iniciativa é que dos 184 municípios do Ceará, menos de dez possuem uma equipe participando anualmente do evento.

Na competição de 2019, somente cinco equipes disputaram a vaga no campeonato brasileiro e visando atrair o maior número de times para entrar no campeonato, a FCF realiza a competição gratuitamente, ainda assim o engajamento é baixo.

Apesar dos grandes avanços no futebol feminino, são poucos os times profissionais no país, mas as federações e os clubes estão tentando reverter essa realidade. Segundo a coordenadora de competições da FCF, Aparecida Ferreira, apenas os times do Ceará e do Fortaleza profissionalizaram suas equipes. “Esse é um processo que vai mudando aos poucos, a gente já está dando alguns passos a caminho disso”, comentou.

A coordenadora também afirma que ainda não é possível fazer uma comparação com os times das regiões Sul e Sudeste, mas o Nordeste já está tentando se adequar a esse cenário, a partir de investimentos e apoio aos clubes. “A gente vai se adequando com base no que é exigido, mas é um processo que precisa de calma, análise e ação”, explica. Confira a entrevista completa com Aparecida Ferreira abaixo: 

 

O preconceito enfrentado pelas atletas da modalidade no Brasil, que foi proibia a prática até o fim da década de 1970, é um dos fatores que impedem um maior crescimento desse esporte. Essa situação vem tentando ser contornada por meio de incentivo aos clubes para que criem times femininos. Além do aumento no interesse das meninas em seguir carreira no esporte, gerando atletas dedicadas e de alto nível.

Em 2019, os dois maiores times da capital cearense, Fortaleza e Ceará, tiveram suas equipes de futebol feminino profissionalizadas. Com os projetos que os clubes e a federação vêm realizando, Aparecida Ferreira acredita que levará no máximo dez anos para termos, no Estado do Ceará, um futebol feminino forte e com capacidade de enfrentar grandes times.

Menina Olímpica

Logo do projeto “Menina Olímpica”. Foto: Divulgação.

Em 2019 completou quatro anos que o Menina Olímpica se filiou à Federação Cearense de Futebol, mas é conhecido por desenvolver um trabalho social que vem de muito antes da filiação. Com o objetivo de melhorar o futebol dentro do estado do Ceará e inserir a mulher nessa área que ainda é predominada por homens, a equipe começou em 2006 e já passaram pelo projeto cerca de 950 mulheres a partir de oito anos de idade.

Segundo Chagas Ferreira, idealizador do projeto e atual coordenador de futebol do Ceará Sporting Club, eles procuram garantir esporte de qualidade para as mulheres, além de educar, formar cidadãs e proporcionar a realização de sonhos para a menina que aspira ser jogadora de futebol. Atualmente o projeto tem uma parceria com o time do Ceará, servindo como base para o time principal do alvinegro. Confira a entrevista completa com Chagas Ferreira em vídeo: 

 

A iniciativa tem como meta a preparação para que todas as futuras jogadoras alcancem mais espaço dentro do esporte. “Meu sonho é jogar em um grande clube, principalmente jogar na seleção brasileira, [quero] me formar em engenharia, mas o meu principal objetivo é o futebol”, idealiza Fátima Dutra, de 16 anos. Vinda da cidade de Cedro, no interior do Ceará, a atleta vive na Capital com uma tia e divide o tempo entre os estudos e os treinos no projeto. “As mulheres podem fazer tudo, principalmente jogar futebol”, garante. 

Esta matéria foi produzida na disciplina de Jornalismo Digital, confira a matéria e as entrevistas na íntegra no link original, clicando na imagem abaixo:

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