Centros culturais em Fortaleza: programações musicais gratuitas

Por Amanda Marques, Álvaro Paixão e Gustavo Queiroz

As programações culturais e gratuitas de Fortaleza ocorrem em diversos pontos, uns revitalizados, outros mais novos, e alguns já conhecidos pelo grande público, como é o caso do Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura. Além dele, o Centro Cultural Belchior, os CUCAs, a Caixa Cultural e os Centros Culturais Banco do Nordeste são também outras opções de muita música, arte, dança, teatro e exposições em geral. Fizemos um levantamento do que acontece em três Centros Culturais da capital cearense e falamos sobre seus públicos alvo. 

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Criado na década de 90 pelo sociólogo, jornalista e atual Presidente do Instituto Dragão do Mar, Paulo Linhares, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é um dos maiores centros culturais do Brasil. Protagonista de diversas histórias e palco para muitas outras, o Dragão do Mar é um complexo cultural que abriga diversas atrações: Museu da Cultura Cearense, Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Planetário Rubens de Azevedo, Teatro Dragão do Mar, Cinema do Dragão, Anfiteatro Sérgio Mota, Espaço Rogaciano Leite Filho, Biblioteca Leonilson, Auditório, galerias de arte e a Praça Verde. 

Com grande enfoque na música, o local recebe mensalmente diversas apresentações e shows gratuitos. Além de seu papel como centro cultural, o Dragão do Mar também é um local de confraternização. Muitas tribos se encontram em seus espaços: dos funkeiros aos fãs de metal, o Dragão abriga diversos gêneros em um só lugar. 

Para Roberto Amaral, estudante de Direito e frequentador assíduo do local, “o Dragão do Mar não é só para os jovens de Fortaleza, também é fundamental para as outras gerações. As programações musicais que o local oferece são fantásticas e sempre muito diversificadas, abrangendo públicos-alvos variados”, comenta.

O Dragão do Mar é um dos maiores centro culturais do Brasil. Foto: Amanda Marques
  • Maloca Dragão

Um dos principais programas de incentivo às artes, o Maloca Dragão é um festival realizado anualmente pelo Governo do Ceará para comemorar o aniversário do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Ele não só traz grandes espetáculos musicais para diversos pontos do Dragão do Mar e da Praia de Iracema, como também abrange teatro, dança, artes urbana, cinema, circo, cultura popular, literatura e atividades infantis.

Centro Cultural Banco do Nordeste

O Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) foi inaugurado em julho de 1998 e já se firmou no cenário cultural do estado. O local trata a cultura como um elemento de integração para o desenvolvimento humano e abre portas para diversas manifestações artísticas. É também um espaço onde se permite experimentar a diversidade de conceitos e estilos por meio de programação gratuita e de qualidade.

Fachada do Centro Cultural Banco do Nordeste, localizado no centro de Fortaleza. Foto: Divulgação/CCBNB

Estar localizado no coração da capital cearense (no Centro, próximo a Catedral Metropolitana) é outro atrativo forte do local, que além da música, também conta com programações voltadas para artes cênicas, cinema, exposições, oficinas, seminários e atividades educativas para todas as idades. “É um lugar de encontro dos vários públicos, que podem refletir livremente sobre a nossa cultura em constante interlocução com artistas, produtores e instituições de arte e educação nos seus mais diversos âmbitos”, comenta André Marinho, um dos coordenadores do CCBNB.

Em 2014 o CCBNB mudou de endereço e com a mudança também veio uma drástica redução de recursos. Naquele ano foi criado o programa Rock Cordel, promovido uma vez por semana, onde reunia oito bandas no mesmo dia, ou seja, 32 bandas por semana e mais de 300 bandas por ano. A redução de recursos em 2016 levou o projeto a interromper suas atividades, sendo posteriormente substituído pelo “Hoje é dia de Rock”, que trazia uma temática parecida mas que não englobava tantas bandas como o Rock Cordel. Ambos os projetos tinham como objetivo oferecer um cachê paras as bandas, além de uma excelente estrutura de palco, som e luz. Para o público havia o conforto e a segurança de um prédio equipado com infraestrutura de segurança, ventiladores e guardas municipais. 

A banda Trupe Chá de Boldo se apresenta no palco do Centro Cultural Banco do Nordeste, em 2018. Foto: Amanda Marques

A volta definitiva do Rock Cordel ainda está sendo avaliada pelos órgãos responsáveis, e durante sua pausa, nos últimos dois anos, foram criados os seguintes programas: Cardápio Musical, Letras & Músicas, Ação Hip Hop e o Jazz em Cena.

Os programas são basicamente uma pequena Avenida Paulista (SP) onde é possível conferir diversas experimentações artísticas. O Cardápio Musical e o Letras & Músicas (aos sábados) somados aos programas Ação Hip Hop (duelo entre MCs, competição entre grupos de dança, apresentação de rappers e grafite) e o Jazz em Cena (execução de réplicas de discos e pérolas do Jazz internacional) compõem a programação musical do CCBNB, realizando uma média de 18 a 20 eventos mensais.

Centro Cultural Belchior

Um símbolo da cultura cearense que se reinventou em Fortaleza. É assim que podemos resumir o espaço onde se encontra hoje o Centro Cultural Belchior (CCBel). Existem dois períodos culturais deste local: um que se inicia em 1985 a 2003 e outro que começa em 15 de maio de 2017 até hoje.  

Fachada do Centro Cultural Belchior, localizado na Praia de Iracema, próximo à Praia dos Crush. Foto: Divulgação

O Centro Cultural Belchior é o lugar onde a música e as pessoas se encontram e compartilham estéticas e narrativas contemporâneas. De 1985 a 2003, os artistas realizavam a arte de uma maneira diferente. Garrafas de cerveja, música boa e muita resenha eram os ingredientes do Cais Bar. Frequentavam as mesas e o palco músicos como Raimundo Fagner, Fausto Nilo e Mimi Rocha. Jornalistas, professores e intelectuais também eram figuras certas no lugar. Não há certeza se o músico que batiza o centro cultural frequentava o bar.

A música feita nos séculos XX e XXI é marcada pela diversidade de estilos e gêneros e pela mistura com outras artes. Nesse sentido, esta é mais uma coincidência entre o Cais Bar e o Centro Cultural Belchior, criado com o objetivo de promover e fortalecer tais encontros, seja através de sua programação regular ou apoiando eventos e atividades desenvolvidas a partir do circuito de música de Fortaleza, conectando-o a outros circuitos e possibilidades.

Inaugurado da Prefeitura e administrado pelo Instituto Cultural Iracema, o  CCBel buscou criar uma identidade e um conceito para suas ações, pensando no espaço enquanto lugar para a circulação da música independente da cidade.

Este ano, o Centro Cultural completou 2 anos em maio e em comemoração foi lançado oficialmente a nova identidade visual do local, ganhando ares mais contemporâneos para se conectar com a proposta de ser a casa de praia da música.

Para este centro cultural, resolvemos trazer uma entrevista com Wanessa Queiroga, assessora de imprensa do CCBel, onde abordamos um pouco sobre a programação e as exposições do centro.

  • Como funciona a escolha das exposições/músicos/bandas?

Resposta – A curadoria para compor a programação musical, especificamente, é feita através do credenciamento de artistas que, em 2019, foi encerrado no mês de julho. Neste ano lançamos também o edital Massafeira, específico para bandas e coletivos, que continua em processo de curadoria até o meio do ano que vem.

O recorte para essa programação é priorizar trabalhos ainda em processo de afirmação, com forte conotação contemporânea, independente e experimental.

  • Qual público alvo?

R – Pessoas interessadas em cultura, música e outras linguagens artistas, visitantes da Praia de Iracema e adjacências, moradores da Praia de Iracema e adjacências. Programação para todas as idades.  

  • Quantas pessoas visitam o centro por mês

R – Número variável. 

  • Como são organizados os tours e atrações?

R – Os interessados pelos tour, como, por exemplo, escolas e instituições, devem enviar e-mail para contato@centroculturalbelchior.com agendando data e horário para visitação. Um representante da equipe acompanha o grupo durante a visita.

  • Quantas exposições estão em cartaz?

R – Atualmente a única exposição em cartaz é a “Exposição Belchior”, que no momento está em caráter experimental e deve ser inaugurada oficialmente em breve.

Esta matéria foi produzida na disciplina de Jornalismo Digital, confira a matéria na íntegra no link original, clicando na imagem abaixo:

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