Tudo o que você precisa saber sobre inspeção predial

Por Ana Grazielly, Rebeca Barros e Júlia Moura

O prédio no bairro Maraponga após o desastre. Foto: Reprodução.

Em junho de 2019, 16 famílias tiveram que sair de seus apartamentos em um prédio no bairro Maraponga, que sofreu uma ruptura parcial de suas colunas levando a uma inclinação de cerca de 15 graus. O incidente ocorreu apenas quatro meses antes do desabamento do edifício Andréa, no bairro Dionísio Torres, que resultou na morte de nove pessoas e chamou atenção de todo o país no noticiário. 

Incidentes como estes provocaram nos fortalezenses o sentimento de preocupação em relação às estruturas dos edifícios que habitam e a necessidade de saber se seus apartamentos são seguros e o que pode ser feito para evitar tragédias semelhantes.

O Impacto 

Devido a falta de fiscalização de muitos desses prédios por órgãos públicos responsáveis, alguns síndicos e condôminos se organizam para ter certeza de que vivem em segurança. Esse é o caso de Rosângela Torres, 49, síndica do prédio Palácio de Fátima, desde 2011. “Todo síndico tem a obrigação de manter a estrutura do prédio [fiscalizada] periodicamente”, respondeu quando questionada sobre o papel do síndico na fiscalização predial. “Mesmo que tenha um síndico que não quisesse fazer [a inspeção], os donos têm como fazer. Eu não culpo os síndicos, eu culpo os donos dos apartamentos, que muitas vezes não querem gastar dinheiro com o prédio”, acrescentou.

Seu Raimundo, 47, administrador de um prédio no bairro Cocó, já percebe os efeitos do desabamento recente. “Como esse é um prédio novo, com uns dez anos a gente faz a primeira fiscalização. Mas devido aos fatos ocorridos, estamos fazendo em cinco anos.” Ele conta que o prédio passou por uma fiscalização recente relacionada à prevenção de incêndios realizada pelo corpo de bombeiros, e felizmente o edifício se encontra em boas condições. 

Em 2012, a lei de n°9913 que obriga os edifícios de Fortaleza a apresentarem certificados de vistoria de forma periódica foi aprovada pela Prefeitura. Entretanto, o cumprimento à lei foi procrastinado pelos condomínios e a prefeitura decretou a inspeção predial regulamentada em 2015. Com isso as fiscalizações deveriam ter sido iniciadas em 2016, porém foram submetidas a sucessivos adiamentos e até o dado momento não há perspectivas de início das multas para quem não cumprir as exigências básicas de segurança.

O passo a passo da inspeção predial predial

Veja no infográfico abaixo o que é necessário para garantir que seu edifício está em boas condições.

A engenheira especialista em reestruturação predial Brena Veras, ao ser questionada sobre como é feito o processo da inspeção, contou que o serviço é feito por uma equipe constituída por engenheiro civil, engenheiro eletricista e o engenheiro mecânico. 

Durante a inspeção as estruturas e instalações do prédio serão analisadas por esse profissionais, especialmente a presença de fissuras ou problemas mais graves. Caso esses problemas não sejam identificados, o prédio poderá solicitar o certificado de inspeção predial na Secretaria de Urbanismo e Meio-Ambiente (Seuma), a partir do laudo emitido pelos engenheiros. Caso contrário, deve ser feita a reestruturação do prédio. Uma vez que o poder público falha na fiscalização, outros casos acontecem e por isso é preciso a conscientização. 

Esta matéria foi produzida na disciplina de Jornalismo Digital, confira a matéria na íntegra no link original, clicando na imagem abaixo:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php