Transtorno Obsessivo Compulsivo atinge 2% da população mundial

Por Marcelo Teixeira

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é classificado como uma grave doença mental, caracteriza-se por obsessões ou compulsões no qual interfere no comportamento do indivíduo.  Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 140 milhões de pessoas sofrem com o transtorno em todo o mundo. No Brasil, são cerca de 150 mil casos por ano. 

As obsessões são pensamentos, ideias ou imagens que surgem repetidamente e são impossíveis de serem controladas pelos afetados. As compulsões baseiam-se em comportamentos e rituais realizados para aliviar a ansiedade gerada pelas obsessões. Isso causa uma série de problemas não só no convívio social, mas também nas relações interpessoais.

Roberta Nóbrega, psiquiatra. Foto: Arquivo Pessoal.

A psiquiatra Roberta Nóbrega, 36, explica em quais pontos este transtorno interfere na qualidade de vida de alguém. “Uma pessoa com TOC tende a apresentar comportamentos mais desconfiados em relação aos outros e uma visão mais pessimista dos eventos da vida, gerando sofrimento psíquico. Além disso, os pensamentos intrusivos e às compulsões envolvidas na doença tendem a se agravar e podem comprometer não só a rotina diária da pessoa, mas também a vida da família inteira”. 

Entre essas obsessões e compulsões são comuns fixação com simetria, alinhamento ou exatidão. Ter a sensação de as coisas não estarem no devido lugar ou a necessidade de refazer algo várias vezes. Além de reler  seguidamente uma página ou um parágrafo para ter a certeza de ter captado tudo, ou reparar caso uma letra esteja imperfeita.

Podem ainda apresentar pensamentos de cunho indesejado ou repugnante, além do medo de dizer involuntariamente algo obsceno, xingar outras pessoas ou de ser responsável por desgraças. Pensamentos de contaminação, acumulação compulsiva e obsessões de viés religioso também estão presentes nos sintomas. 

Gabriela Rosseti, analista de marketing e sofre com TOC desde os 12 anos. Foto: Arquivo Pessoal.

A analista de marketing, Gabriela Rosseti, 29, foi diagnosticada com TOC aos 12 anos e contou sobre ter necessitado, anos depois, ausentar-se do trabalho para tentar conseguir se acertar com a medicação. “Eu tenho pensamentos intrusivos, sejam imagens [ou] palavras e refaço o que estava fazendo, independente do que seja. Tiro maquiagem e faço tudo de novo, coloco e tiro a roupa várias vezes, entro e saio do carro várias vezes, apago e escrevo de novo algo, se eu olho algo que quero comprar e vem um pensamento ruim, eu não compro. A primeira vez de qualquer coisa me incomoda. A primeira mensagem, a primeira foto, o primeiro áudio”, segundo Gabriela, antes os sintomas não eram tão fortes, mas o estado se agravou há 2 anos.

Ela também fala a respeito do tratamento que faz desde o diagnóstico. “Já fiz diversos tipos de terapias e já tomei todos os remédios possíveis. Alguns, meu organismo não tolera, outros não funcionam. Enfim, parece que nada funciona”. Devido ao transtorno, a jovem desenvolveu outros problemas, como depressão. “Tive depressão leve muitas vezes, porém esse ano tive depressão grave, só melhorei com estimulação magnética transcraniana”, diz. Gabriela se refere ao tratamento para depressão a partir da criação de um campo magnético sobre a área entre o córtex pré-frontal e o sistema límbico. A EMT emite uma corrente elétrica que ativa os circuitos neurais nesta região e promete restaurar o equilíbrio do cérebro.

A cura do transtorno depende da gravidade dos sintomas, do tempo pelo qual a pessoa demorou para buscar o tratamento, do suporte familiar, das comorbidades e da adesão ou não ao tratamento. Segundo Roberta Nóbrega, pode ser medicamentoso, psicológico ou uma combinação dos dois, o que costuma ser mais eficaz. “A medicação tende a diminuir a intensidade dos sintomas, e a psicoterapia, principalmente a terapia cognitiva comportamental, que é a que possui mais evidências no tratamento do TOC, ajuda o paciente a adquirir estratégias e habilidades para lidar com os sintomas de uma forma que não reforce as disfunções cognitivas decorrentes das obsessões e compulsões”, explicou a psiquiatra, sobre a funcionalidade dos tratamentos.

Não existe um fator em si que seja responsável pelo surgimento do transtorno. “Não existe uma única explicação para o desenvolvimento da doença e existem diferentes fatores envolvidos, que vão desde predisposição genética, fatores biológicos – como traumas encefálicos, doenças neurológicas, fatores estressores durante a gestação, infecções -, comportamentos e exposições vivenciadas durante a infância e adolescência que podem interagir entre si”, explica. 

 

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