O exagero tecnológico prejudica a saúde do usuário

Por Layo Lucena

A tecnologia passou a ter uma importância vital na rotina das pessoas, do divertimento ao âmbito profissional. Porém, o exagero em seu uso pode acarretar problemas de saúde. Segundo um relatório digital feito em 2018 pelos sites especializados em gestão de marcas em mídias sociais, Hootsuite e We Are Social, cerca de 4 bilhões de pessoas estão conectadas a internet por algum meio, sendo os principais o computador e os smartphones

Só no Brasil, de acordo com dados emitidos em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), são 116 milhões de internautas, sendo que 94% prefere utilizar o smartphone para acessar a rede. No entanto, o uso exacerbado de meios de tecnologia, como celular, tablet, computador e até videogame pode interferir na saúde física. 

“O costume excessivo de aparelhos tecnológicos influenciou no aumento de casos de problemas em membros superiores e em dores na coluna”, afirma o ortopedista Dr. Ismael Pontes, médico da Clínica Delfos, em Fortaleza. O número de ocorrências relacionados a tendinite, lesões por esforço repetitivo e dores na região da lombar tiveram um nítido acréscimo, devido a influência direta de eletrônicos, relata.

A tendência, ultimamente, é o aumento no número de ocorrências ligadas à relação entre rotina e tecnologia, principalmente celulares e computadores, conta Dr. João Carlos, ortopedista. “Muitos dos casos que passam por mim são relacionados a alguma dor nas juntas ou nas articulações, em grande parte devido ao uso exacerbado da tecnologia”, declara. 

“Uma pessoa que trabalha por muito tempo digitando e sentado em uma postura não adequada poderá desenvolver tendinites e dores na lombar”, reconhece Dr. Ismael. Em situações mais avançadas, a pessoa pode ampliar as chances de lesões degenerativas como artrose, completa.   

Principais problemas de saúde que a tecnologia pode causar. Infográfico: Rafaela Alves

 

“Pescoço tecnológico” 

Além de casos de artrite ou problemas nas costas, o uso intenso da tecnologia, principalmente de celulares, pode ser um dos grandes fatores para o chamado “pescoço tecnológico”. Segundo uma pesquisa realizada em 2019 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o chamado “pescoço tecnológico” se tornou uma epidemia mundial. De acordo com a OMS, a média mundial de pessoas que sofrem com esse problema é de 35% e no Brasil, esse número chega a 37%.

A relação pescoço/tecnologia que pode prejudicar a sua postura. Imagem: Reprodução/G1

 

A história do “chifre”

Em 2018, os pesquisadores David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Sunshine Coast, Austrália, desenvolveram um estudo que mostra o desenvolvimento de uma protuberância na parte de trás do crânio, algo similar a um chifre. Mais precisamente localizado na junção entre o crânio e pescoço. O trabalho mostra que a saliência ocorre devido a postura de jovens que ficam muito tempo com a cabeça baixa, em uma posição comum para olhar a tela do celular. 

No entanto, essa pesquisa está sendo muito criticada pelo mundo científico. Um quiropraxista e um professor de biomecânica, dentre outros, utilizaram o New York Times para criticar abertamente o trabalho desenvolvido por Shahar e Sayers. De acordo com eles, os dois cientistas usaram raios-x antigos e não utilizaram um grupo de controle.

Como evitar problemas sérios

Conforme os números publicados pelo IBGE em 2018, o brasileiro passa em média 9 horas 14 minutos online, o que pode causar muitas das situações já citadas. Por isso, a OMS recomenda fazer alongamentos rápidos, mas rotineiros, além de caminhadas para liberar as articulações das pernas e procurar diminuir os momentos em frente ao computador ou ao celular. 

 

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