Intolerância à lactose exige cuidados

Por Clariana Matias e Gabriela Barroso

O incômodo digestivo, após consumir alimentos derivados do leite, é mais comum entre os brasileiros. Segundo o Instituto Datafolha, a conhecida intolerância à lactose atinge cerca 75% da população. A doença autoimune que acontece somente no intestino, chega muitas vezes a ser confundida com alergia ao leite, porém, essa última é considerada mais grave, afirma o nutricionista Roberto Duarte, de 25 anos.

Infográfico: Rafaela Alves

Convivendo com a intolerância à lactose

Rita de Oliveira, gerente de marketing. Foto: Arquivo Pessoal

Rita de Oliveira Simioni, 40 anos, gerente de marketing

Pelo Facebook, Rita relata para o Jornalismo NIC a sua convivência com a doença. “Descobri há quatro anos, depois de ter fortes dores abdominais e ser diagnosticada com endometriose. Fiz uma dieta de restrição alimentar até meu organismo se adaptar”.

Ela conta que tem dificuldade de encontrar opções de produtos zero lactose, pois eles ainda são muito restritos. Existem várias receitas veganas, mas alguns ingredientes são caros, como os leites vegetais e os queijos. Segundo Rita, comer fora de casa é praticamente impossível, pois é difícil encontrar opções sem os derivados do leite.

“Ouço muito que isso é frescura ou dieta da moda, ou que ‘só um pedacinho não faz mal’. Mas só eu sei o estrago que este pedacinho faz no meu organismo. Sempre que posso levo minha marmita ou biscoitos e doces, [aqueles] que posso comer”, destacou. Uma das principais reclamações da gerente de marketing é as poucas informações nas embalagens dos produtos, o que é essencial para a saúde dos consumidores. “Falta de empatia dos fabricantes e principalmente da sociedade”, diz ela.

 

Maria Ivone, costureira. Foto: Arquivo Pessoal.

Maria Ivone, 41 anos, costureira 

Inchaço e desconforto abdominal, gases e dor de cabeça, são alguns dos sintomas que a costureira costuma sentir, mas apenas recentemente ela começou a associar o que sentia com o que comia. “Toda vez que eu comia bolo ou tomava um sorvete, eu sentia que o meu estômago ficava inchado. Queijo mussarela, então, é o pior para mim, porque eu sentia até distúrbio intestinal”, explica.

Ela sempre associava os sintomas com a gastrite, e ficou surpresa quando o médico disse que ela possuía intolerância à lactose. “É difícil conviver com essa doença, porque é muito chato a gente gostar de certos alimentos e não poder comer”, lamentou Maria Ivone.  E apesar de tentar evitar ao máximo os alimentos que contém o leite, a costureira, às vezes, não consegue resistir a algumas guloseimas. “Eu sei que vou me dar mal, mas acabo não resistindo. Mas isso só vale para algumas guloseimas, como lasanha, pizza e bolo”, conta.

A nutricionista Aline Lacerda, 43, alerta que a maioria dos medicamentos e anticoncepcionais têm lactose. Até mesmo cosméticos, hidratantes, sabonetes, medicamentos, polivitamínicos, material de higiene pessoal e da casa podem conter leite. Quem tem alergia e reage ao contato tem que ter muito cuidado, não só com os alimentos, mas com esses produtos.

Ela afirma que alguns pacientes toleram sete ou doze gramas, ou que toleram leite de manhã, mas não aguenta comer o queijinho a tarde. “Algumas pessoas têm intolerância à lactose grave e sensibilidade muito grande. É diferente da alergia, que não é dose dependente. Basta pequenas frações do alérgeno para deflagrar as reações”, explica a nutricionista.

Diagnóstico e Tratamento

Além da avaliação clínica, o diagnóstico da intolerância à lactose pode ser feito com três exames essenciais: teste de intolerância à lactose, teste de hidrogênio na respiração e teste de acidez nas fezes.

O mercado alimentício para intolerantes à lactose cresceu muito, e a nutricionista Aline recomenda que as pessoas intolerantes sempre olhe o rótulo do alimento. “Geralmente, na frente do produto tem ‘requeijão sem lactose’ ou ‘creme de ricota com restrição de lactose’. Mas também há muitas outras opções de alimentos sem lactose”, disse. Segunda ela, é mais fácil de lidar quando o paciente é acompanhado por um profissional.

Uma outra alternativa é consumir a enzima (lactase) pelo menos 30 minutos antes da refeição. A miligrama prescrita vai depender do paciente. Normalmente, os médicos prescrevem só para momentos eventuais, como festas, passeios e viagens, pois não é recomendado o uso contínuo.

 

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