Meio acadêmico é também lugar de construir cidadania

Por Sarah Viana

 

Entre idas e vindas dentro do espaço acadêmico, os estudantes passam por muitos momentos intensos da vida universitária. Sejam quatro, cinco ou seis anos, a vida universitária possui um ar especial onde jovens entram com sonhos a serem realizados e personalidades ainda sendo construídas. É importante que exista o máximo de experiências possíveis, que possam trazer oportunidades de crescimento e amadurecimento tanto pessoal quanto social. 

Em uma das áreas mais antigas da Universidade de Fortaleza (Unifor), encontramos um dos blocos do curso de Direito, onde funciona também como um Escritório de Práticas Jurídicas (EPJ), o bloco Z. Dentre vários projetos de extensão, o Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) possibilita que alunos da universidade contribuam com a comunidade por meio de atividades voluntárias que constroem o desenvolvimento civil e conscientização socioambiental com o “Programa Cidadania Ativa”. 

Guilherme Arraes, 20, participou do Projeto Sistema Penitenciário, um dos 35 programas que existem dentro do Cidadania Ativa. O estudante de Direito encontrou uma oportunidade de refletir sobre os aspectos sociais que afetam a visão do cidadão brasileiro sobre os sistemas prisionais e sobre presidiários. “Eu acho que o projeto serve como um meio de reafirmação de uma democracia, ainda vivemos em um estado democrático de direito, e também serve como um meio, isso no aspecto do direito, da gente poder reafirmar a constituição de que todo preso deve ser tratado com dignidade”, argumenta. 

Projetos do Programa Cidadania Ativa. Infografia: Gustavo Maciel

Diante de um trabalho com o princípio de construir cidadãos melhores, o projeto transforma as experiências dos estudantes e desconstrói as “bolhas sociais” em que vivem. Todo o processo dentro do Programa Sistema Penitenciário trouxe ao estudante conhecimento sobre o ser humano, seu direito à dignidade e enxergar presidiários de forma mais humanitária. “Querendo ou não, o Cidadania Ativa tem um retorno social muito importante e significativo”, comenta. 

Vivian Souza. Foto: Arquivo Pessoal

A aluna Vivian Souza, 20, conta que sua experiência no Programa Sistema Penitenciário foi de extrema importância, onde teve a vivência no sistema carcerário e pôde conscientizar presidiários sobre a Lei Maria da Penha, tentando mudar suas perspectivas de injustiça e trazendo a essência da lei dentro da sociedade. “A gente tentou tirar essa visão mostrando tanto o lado acadêmico, mas também o lado social”, afirma. A estudante de Direito visitou a Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, o instituto prisional modelo do Estado do Ceará com um número reduzido de 100 detentos, onde é trabalhado um tratamento mais humanitário com cursos de pintura e plantação de hortas. 

O coordenador do Programa, professor Erick Cysne, conta que o Cidadania Ativa iniciou com um grupo de alunos que perceberam a grande demanda de pessoas da comunidade local por falta de conhecimento jurídico sobre seus direitos. “ Surgiu a ideia de nós irmos à comunidade do Dendê para conversar, fazer um seminário com a liderança e daí eles propagarem os seus direitos e deveres”, comenta. Na busca de informar às pessoas, o programa consegue funcionar sem parar desde sua criação, onde se tornou o setor responsável pelos projetos sociais do curso de Direito.

Existem dois pontos em que o aluno consegue desenvolver durante sua participação no Cidadania Ativa: a àrea humana e a àrea jurídica. Mesmo sendo aberto para todos os cursos da universidade, os alunos conseguem trabalhar e estudar conteúdos que ajudam a construir sua cidadania. “Tudo isso contribui para a formação humanística dele, dentro do curso de Direito”, observa.

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