Colorismo: paleta de cores que define a aceitação social

Por Viviane Ferreira 

Infelizmente, o Brasil ainda possui reflexos de uma colonização injusta e violenta. O preconceito e a marginalização de pessoas negras, é frequente no país. No entanto, é nítido que alguns negros acabam sendo mais “aceitos” socialmente do que outros e isso ocorre por alguns possuírem o tom de pele mais claro e estereótipos que remetem menos a negritude. 

Ensaio “Colorismo”. Foto: Amanda Nogueira

O nome disso é colorismo, uma meritocracia a partir da pele, em que pessoas negras de tons mais claro, são mais privilegiadas socialmente do que as de pele mais escura. Essa situação também é consequência histórica. No passado, os filhos dos escravos que nasciam mais claros – por ser também filhos de colonos brancos -, adquiriam mais privilégios. As políticas de embranquecimento do século 19 também reforçaram essa cultura, pois tinham como objetivo clarear a sociedade brasileira.

“Quando a gente pensa nessa paleta de cores, seria exatamente isso: pessoas que se aproximam de uma branquitude sofrem “menos”com o racismo, ou sofrem de uma forma diferente”, esclareceu Iara Andrade, graduada e mestre em psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor). 

A psicóloga dá como exemplo algumas situações cotidianas. “Em relação à morte [e] as prisões, se vê que pessoas negras retintas, são mais assassinadas do que pessoas com tons mais claros. Até em relação a estudo, é visto que pessoas com pele mais retinta percebem mais o racismo. Enquanto isso ocorre, a saúde mental pode ser mais prejudicada do que negros de tons mais claros”, explica.

Como o Brasil é um país com grande miscigenação, muitas pessoas acabam não sabendo como se identificar, porém, quando ficam em dúvida, elas tendem a se considerar pardas. “Tem pessoas que nós podemos denominar negras, mas elas se consideram pardas, isso está permeado por relações racistas da nossa sociedade, o quanto é difícil se reconhecer como negra”, disse Iara, a respeito dessa auto-denominação de uma grande parte dos brasileiros.

Apesar de existir o preconceito e a dificuldade que alguns enfrentam em se declarar negro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em seis anos, 12 milhões de pessoas passaram a se reconhecer negras no Brasil. Já o número de brasileiros que se autodeclaram brancos diminuiu em quase 2,5 milhões. Por isso, os negros passaram de 53,1% da população do País para 56,4% no período. O IBGE, classifica as pessoas em negros e não negros. Ou seja, aqueles que se autodeclaram pardos, são associados ao grupo de negros.  

Processo de aceitação e empoderamento

Vanessa Kelly, aluna de Publicidade e Propaganda. Foto: Amanda Nogueira

Assumir uma identidade negra em uma sociedade racista não é fácil. A aluna de Publicidade e Propaganda da Unifor,  Vanessa Kelly , falou sobre as dificuldades que enfrentou durante seu processo de aceitação. “Foi complicado para mim, eu comecei a tomar conhecimento do colorismo, da negritude, depois que eu passei pela transição capilar. Eu comecei a estudar, pesquisar e a entrar em conflito. Eu sempre fui considerada morena”, contou  Vanessa

Outro momento complicado foi depois da sua aceitação, pois tinha que sempre estar se autoafirmando para as pessoas, já que muitos não a viam como uma mulher negra. “Eu lembro da primeira vez, depois da transição,eu comecei a me auto afirmar e a minha mãe começou a dizer que eu não era negra e sim morena. Hoje ela já aceita.”

Para Vanessa, a melhor coisa que aconteceu com ela foi passar por esse processo de aceitação, pois foi a partir disso que ela conseguiu reconhecer sua identidade na sociedade. “Eu me sinto uma mulher mais empoderada, porque dá uma força, traz uma responsabilidade pra si.  Você sabe que está aqui carregando uma história, o que estou fazendo atualmente vai servir para outras meninas.”

Ensaio

 

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