A ausência de brasileiros na Fórmula 1 não prejudica o automobilismo cearense

Por Layo Lucena 

Desde os anos 70, o Brasil sempre contou algum representante na Fórmula 1 (F1). De Emerson Fittipaldi, que atuou de 1970 a 1980, passando por Ayrton Senna, de 1984 a 1994, até Felipe Massa, de 2004 a 2017, último brasileiro a participar de uma prova oficial. Porém, desde então, não tivemos nenhum outro piloto na modalidade.

Kartódromo Kart Clube Iguatemi. Foto: Layo Lucena

Sem nenhum representante na categoria principal, o Brasil viveu um tempo de “vacas magras” na F1. Prova disso, foi a nítida queda de audiência que a Globo, entidade responsável pela divulgação e transmissão do esporte no País, passou nos últimos anos. Segundo relatório divulgado pela própria emissora em março de 2018, a primeira corrida da temporada, realizada na Austrália, marcou 4,4 pontos de audiência na grande São Paulo. Em contraste, a mesma prova chegou a alcançar 26,0 pontos no início dos anos 2000. 

Porém, não é só no Brasil que a modalidade enfrentou uma queda bem representativa na audiência. A própria Fórmula 1, no início deste ano, divulgou um relatório dos números de telespectadores, em milhões, de 2009 até 2018, no qual mostrava um declínio de seu público. A temporada de 2009 bateu a marca de 600 milhões de telespectadores em todo mundo, já em 2017, esse número caiu para 352 milhões, pior ano da modalidade nessa década. Em 2018, a audiência mundial chegou a 490 milhões em todo o mundo. Ainda segundo esse relatório, no quesito TV, o Brasil segue como um dos maiores mercados em crescimento da categoria, com 115 milhões de telespectadores, seguido da China, com 68 milhões, e dos Estados Unidos, com 34 milhões. 

Fonte: Merca 2.0/ Motorsport.com

Mesmo com a popularidade da F1 em baixa, muitos amantes do esporte procuram meios para saciar a sua necessidade por velocidade. O carro de corrida que mais se aproxima da experiência de pilotar um Fórmula 1 é o Kart. “Com certeza, é uma das experiências que mais se assemelha, pois muitos pilotos de Kart profissionais, ou até mesmo amadores, relatam a imensa sensação de velocidade proporcionada pela categoria”, afirma Vanderlei Costa de Lima, 37, gerente do Kart Clube Iguatemi. 

Área de manutenção de Karts profissionais e amadores. Foto: Layo Lucena

Ainda segundo Vanderlei, a falta de um representante brasileiro na Fórmula 1 distancia o público de todas as modalidades automobilísticas. “Outro fator que atrapalha a disseminação do Kart é o momento econômico brasileiro, já que o esporte automotivo, em geral, é uma prática nada barata”, relata. De acordo com o gerente, o aluguel dos carros e kartódromo, sem falar na manutenção dos veículos de corrida, aumenta bastante os custos para a prática do desporto.

Leonardo Dantas Soares, proprietário do Kart Clube Iguatemi, piloto profissional de Kart, campeão da Copa Ceará, Copa Nordeste e terceiro lugar na Copa Brasil de Kart, acredita que a Fórmula 1 não é o principal motivo para a procura do automobilismo. “Geralmente, quem se interessa em praticar o Kart, é um amante da velocidade”. Segundo Leonardo, a paixão pela velocidade começa desde de criança, com as primeiras experiências à frente do volante. Sensação semelhante àquela que o Kart proporciona aos pilotos iniciantes. 

Ilana Fernandes, 37, proprietária do Stop Kart Jóquei, acredita que a maioria de seus clientes buscam o Kart como uma forma de hobby e não por influência da Fórmula 1. “Não vejo nenhuma relevância, nem positiva, nem negativa”, completa, ao ser perguntada sobre a relação da Fórmula 1 com o Kart. 

 

 

O futuro do Brasil na Fórmula 1 

Infográfico: Gustavo Ricarte

Como já citado, o Brasil tem uma imensa tradição na modalidade, mas, desde de 2017, a torcida brasileira não tem para quem torcer. Os pilotos que possuem as maiores chances de chegar a dirigir um Fórmula 1, em uma corrida oficial, são Sérgio Sette Câmara, 21, e Enzo Fittipaldi, 18, neto de Emerson Fittipaldi. 

Sette Câmara é o atual quarto colocado na classificação mundial da Fórmula 2, uma das duas categorias de desenvolvimento da Fórmula 1. O jovem brasileiro tem ligações fortes com a equipe da Williams, uma das escuderias mais tradicionais. Em algumas oportunidades, Sérgio chegou a ser piloto de teste da equipe britânica. 

Já Enzo Fittipaldi, ainda está iniciando a sua carreira e, atualmente, pretende entrar para a Fórmula 3 na próxima temporada. Enzo já teve seu nome comentado na equipe Haas, a única equipe Norte-americana que disputa a primeira categoria (F1), mas nada foi confirmado.

 

   

 

One thought on “A ausência de brasileiros na Fórmula 1 não prejudica o automobilismo cearense

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

css.php